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 Aspecto da sala do restaurante L'And, de Miguel Laffan, que acaba de ganhar 1 estrela no Guia Michelin Espanha e Portugal que acaba de ser apresentado

 

Aqui há uns meses uma amiga convidou-me para ir almoçar ao restaurante L'And, do resort L'And & Vineyards. Queria conhecer a cozinha do Miguel Laffan, que em tempos me tinha deixado boas indicações, num almoço, no Funchal, onde trabalhou. Em Setembro último lá combinámos a ida a Montemor-o-Novo, numa altura em que eu andava com a casa às costas, da Bairrada para o Douro e de lá para o Alentejo, em provas de vinhos, vindimas e afins. Pensei que podia ser uma óptima ideia, um almoço de lazer agradável sem ter de me preocupar em tirar notas meio às escondidas ou concentrar-me em grandes detalhes.

 

E assim aconteceu, como dizia o outro. Para a (minha) história ficou a imagem de um espaço contemporâneo, muito bonito e acolhedor (ainda para mais num dia de chuva). Apesar de estarmos no Alentejo preterimos os pratos de carne (provavelmente, porque na véspera tinha comido quase uma perna inteira de presunto pata negra). Recordo que fiquei com boa impressão do que comi e da conversa que tive com o chefe, que me pareceu uma pessoa culta, ponderada e empenhada. As propostas do Miguel pareceram-me de uma cozinha clássica com influências portuguesas (nomeadamente da região onde se encontra), com um piscar de olho asiático. Não vi rasgos que me tivessem deslumbrado mas vi ideias simples (não confundir com previsíveis) em pratos bem confeccionados, com bons produtos e conjugações acertadas - sempre com um 'little twist'  (ou, para pessoas sensíveis com os estrangeirismos, como o Duarte Calvão,  'com um valor acrescentado diferente' ). Deixo abaixo as fotos que na altura tirei desses pratos - sim, porque mesmo fora de serviço, um blogger/jornalista nunca deixa de disparar. 

 

 couvert com produtos locais

  sardinha assada com salada de tomates bio e bolo de azeitona

 

 Tataki de atum em mil folhas, compota de cebola roxa com chutney de manga com salada de rábano, coentros e bergamota

 sopa de peixe da Costa Vicentina, lagostim assado e croquete cremoso de ostra

 vieira e cogumelo silvestre num ´Á Brás' trufado com tosta de centeio e creme fraiche

Pêssego em calda de alfazema, pudum de chocolate branco e crocante de cacau com gelado de baunilha do Taiti
Não fui eu quem pagou a conta, mas numa olhada pelo menu verifiquei que as entradas andavam na casa dos 16€, os pratos entre os 27€ e os 37€ e as sobremesas entre 9.50€ e 12.90€. Havia igualmente um menu de degustação de 6 pratos por 70€ 20€ pelo suplemento de vinhos. Não fiquei com a ideia de estar num restaurante a quem a Michelin fosse atribuir uma estrela. Contudo, ao ver agora atribuida a comenda e já tendo visitado umas dezenas de restaurantes com semelhante galardão, parece-me que foi correctamente atribuida.  

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publicado às 11:33


6 comentários

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De joão roseira a 22.11.2013 às 16:02

Miguel,
Nunca fui ao L'And. Do chef Miguel Laffan nunca nada comi. Já ouvi bons e menos bons comentários.

Parece-me um pouco arriscado: "Não fiquei com a ideia de estar num restaurante a quem a Michelin fosse atribuir uma estrela. Contudo, ao ver agora atribuida a comenda e já tendo visitado umas dezenas de restaurantes com semelhante galardão, parece-me que foi correctamente atribuida. " isto por uma única visita, descontraída.
Desculpa a brincadeira, até parece de'inspecteur de pneus.

Imho, tu e o Duarte (aqui no Mesa Marcada, outros críticos deveriam fazê-lo, igualmente, nos seus respetivos media) poderiam fazer uma crítica, detalhada e fundamentada, à realidade de la Guía Roja, edição España y Portugal.
Em primeiro lugar das estrelas atribuídas, claro, pela sua importância e simbolismo. Mas também outros aspetos, atualidade, qualidade dos inspetores, que cozinhas são premiadas...

Diz o Fernando Melo "Love them or hate them, não há distinção que se compare às estrelas Michelin." Ora, penso eu de que, isto merece discussão, não a afirmação em si mas as distinções e as suas consequências.

grazie e saluti,
rossetti-inda-heidi-ir-à-Bolota

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De Miguel Pires a 22.11.2013 às 19:54

João
Em Dezembro de 2011 publiquei na Fugas, do Público, o artigo "O Guia Michelin vale a pena?", mais tarde reproduzido aqui no blogue. Dá uma olhada em http :/ mesamarcada.blogs.sapo.pt 442126.html . Acho que responde a uma boa parte das tuas sugestões.

Ainda não olhei com a devida atenção para o conteúdo da edição deste ano, mas pela que folhei não me parece que tenha havido grande mudança no perfil antiquado da maior parte das escolhas de restaurantes não estrelados que fazem parte do guia, bem como de alguma linguagem que me parece arcaica ou mal traduzida (tipo "refeitório" para designar a sala, por exemplo).
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De Duda a 22.11.2013 às 23:32

Sendo um leitor assíduo deste blog, sempre achei estranho que nunca houvesse um "post" sobre o L'AND (com ou sem estrela e uma referência no Alentejo, existe luz para além do Fialho, tasquinha e afins!). Agora que ganhou a sua merecida estrela vejo um post forçado e que não faz justiça.

Depois de experimentar vários restaurantes galardoados com esta distinção, o único que me pareceu superior foi o Yeatman, acredito que esta estrela e mais do que merecida.

Atingir a excelência na simplicidade e cada vez mais complicado!

Deixo aqui o apelo aos críticos (que são de extrema importância para divulgar o que fazemos bem e mal) que deixem as grandes cidades, centros turísticos e os chefes de revista e que façam uma viagem as nossas raízes.

Parabéns ao Miguel e ao L'AND!
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De André Miguel a 23.11.2013 às 18:44

Concordo totalmente com o comentário do Duda, como alentejano amante da boa mesa há muito que digo há muita vida para lá do Fialho! O Alentejo evoluiu imenso nos últimos anos, tem ainda um longo caminho pela frente, mas esta estrela do L'and pode ser o impulso que a região necessita.
A minha surpresa foi porque sempre pensei que o restaurante da Herdade da Malhadinha Nova fosse o primeiro estrelado da região.
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De André Miguel a 28.11.2013 às 16:07

Grande gafe que cometi acima!!!
O primeiro estrelado no Alentejo foi "A Bolota" em 1992 e 1993 (dois anos!). Já várias vezes aqui comentei sobre o mesmo, nomeadamente a sua gritante ausência dos melhores do ano onde pululam nomes como Dom Joaquim ou Fialho...
Fica a correcção.
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De teixeira a 08.02.2014 às 18:23

Li o post. Me pareceu insossa a escrita. No Brasil, diríamos que "ficou em cima do muro". Ora, chego em Março a Lisboa e fico até Junho. Não tenho carro. Nem dinheiro para jogar fora. Gosto muito do Alentejo. Vou ou não vou ao L'And? Eis a questão.

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