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A festa da(s) cozinha(s)

por Miguel Pires, em 10.05.15

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Há dias em que tudo se parece conjugar para que as coisas resultem. Em 2013, quando o Vila Vita Parc organizou a primeira kitchen party – na altura, no âmbito da Rota das Estrelas – a meteorologia teve um papel importante no sucesso do evento.

 

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Ontem, no Algarve, a temperatura subiu mais, aos vinte e muitos graus, contribuindo para que o êxito fosse ainda maior. Isso era evidente nos rostos dos presentes (cerca de três centenas de pessoas) que puderam disfrutar da bela envolvente exterior, a par das propostas dos chefes, produtores, representantes de vinho e de produtos gastronómicos convidados. O desafio, mesmo, era conseguir usufruir de tudo.

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Eram várias as estações de cozinha espalhadas por todo o espaço do evento, com produtores pelo meio. Logo, em teoria, era como se tivéssemos um menu de degustação de 20 pratos, com vinhos e várias iguarias à escolha. O ambiente festivo, o registo informal, a possibilidade de experimentar pratos de restaurantes conceituados feitos no momento e o contacto directo com cada chefe, parecem ser razões mais do que suficientes para entender o sucesso da festa.

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No interior, junto à porta de entrada o italiano Rolland Trettl (foto de cima) servia uma interessante sopa de queijo gruyère e chalotas – feitas no forno em cima palha e sob uma crosta de uma massa de pão. Uns metros à frente Joachim Koerper, do Eleven (Lisboa), preparava uma vieira com ketchup de pepino, o mesmo marisco de concha escolhido pelo chef londrino Russel Bateman numa fresca composição com panacota de espargos, ervilhas e granizado de maçã e azeda (sorrel). Por sua vez, ao seu lado, Leonel Pereira apresentava um lagostim com endívia e pezinhos de porco, um dos pratos da actual carta do São Gabriel (foto abaixo), enquanto Pedro Lemos (também em foto abaixo) espalhava o aroma de um dos clássicos do seu restaurante: salmonete com molho do assado, choco e ervilhas.

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É impossível nomear todos os pratos, mas podemos destacar mais alguns, como a complexa composição (tendo como base foie gras de ganso e moscatel) de Vítor Matos, da Casa da Calçada (Amarante); a reconfortante bochecha de porco guisada em cerveja preta, de Vincent Farges do Fortaleza do Guincho; a elegante e saborosa criação de lulas e arroz (tufado), de Rui Paula; o “baixa-mar” (arroz cremoso, algas, percebes e lingueirão), da nova carta de João Rodrigues no Feitoria (Lisboa); o fab(g)uloso leitão com gel de laranja de Ricardo Costa do Yeatman (Gaia – Porto), ou a óptima lagosta com coco, manga e alcaçuz do 3 estrelas Michelin Juan Amador (foto abaixo).

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A fazer a ponte para o capítulo doceiro era inevitável a passagem pelo posto de A Queijaria (Lisboa), para experimentar o stilton e um incrível São Jorge com dois anos de cura, ou pela Joselito para subtrair umas fatias do seu presunto ibérico de ir às lágrimas. Ainda houve espaço para provar a interessante sobremesa de beterraba (em bolo) e gelado queijo cabra, do chefe pasteleiro da casa Raúl Cachola ou o doce salgado de Benoit Sinthon e Yves Michoux do Il Gallo d’Oro.

 

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Na vertente líquida eram muitas as hipóteses para harmonizar com os pratos (ou de apreciar a bebida por si só), desde sake a Água das Pedras, com vinhos de várias proveniências pelo meio. Nestes últimos gostei particularmente do novo perfil do Soalheiro Reserva, que se aproxima hoje mais de um Borgonha, sem perder a sua identidade de Melgaço (região dos Vinho Verdes), do elegante tinto duriense Manoella, da Wine & Soul, dos sempre seguros alentejanos da Herdade do Grous, dos “crispy” rieslings do produtor alemão Weingut am Nil, ou dos sempre impecáveis Barbeito Madeira, só para enumerar alguns. E quando já pensava ter chegado ao fim e me restaria agora apreciar um puro da Casa Havaneza acompanhado de um Porto Rozès 40 anos, eis que descubro no exterior o barbecue de entrecosto de Hans Neuner e o tataki de bonito dos japoneses Yoshinori Ishii e Masato Nishihara (na foto de cima). Lembram-se do “regresse à casa de partida” do Monopoly? Foi quase isso, se não tivesse sido conduzido de seguida à Gin After-Party. Sobre esta parte ... “we've come too far to give up who we are / So let's raise the bar and our cups to the stars... we're up all night to get lucky”.

 

Texto de Miguel Pires em parceria com o Vila Vita Parc, no Fine Wines and Food Fair (6 a 10 de Maio); Fotos de Paulo Barata

 

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publicado às 19:10



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