Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




9622379.jpg

 

Como o Duarte escreveu no post anterior, Carlos Maribona, um dos jornalistas e críticos de gastronomia mais importantes  do país vizinho esteve em Lisboa (de visita ao Peixe em Lisboa) e aproveitou para ir a alguns restaurantes  da cidade, algo que tem vindo a fazer, de uma forma regular, desde há 9 anos. Como o Duarte também mencionou, de todas as visitas que fez este ano há uma que gerou polémica: a do Loco, de Alexandre Silva. Esse texto levou-me a alinhavar uma resposta, no seguimento de algumas reflexões que tenho vindo a fazer sobre estes assuntos da crítica gastronómica. Era para ser um comentário no próprio post, mas (que me perdoe o Carlos) achei que seria interessante publicá-lo antes aqui.  

 

Visitei o Loco (pela segunda vez) um dia depois do Carlos Maribona e comi praticamente o mesmo menu. Sobre a experiência, em geral, tenho uma opinião mais positiva e diferente da sua, ainda que, aqui ou ali, possa estar de acordo com algumas observações (também embirro solenemente com petazetas :).

 

A mim não me interessa tanto saber se há um ou outro pormenor déjà vu mas se no global a experiência foi boa (a comida – se os sabores estão bem expressos -, o ambiente, o serviço), se está de acordo com o conceito definido e, no caso de ser sobre um restaurante de um chefe com ligação à cozinha portuguesa, se a sua abordagem me parece interessante e bem concretizada, por exemplo. Se for original, óptimo, porque prefiro a autenticidade à cópia, bem como o que é criativo ao banal. Porém, quantos restaurantes/chefs verdadeiramente originais existem? Poucos, muito poucos. 

  

Eu percebo o Carlos: um efeito pirotécnico já visto ainda passa, mas dois ou três pode ser de mais. Mas... será isso assim tão importante? Será que é mesmo o mais relevante para quem nos lê? Não sei. Talvez, depende do público que nos lê. Quer dizer, para ser franco, começo a ter algumas dúvidas, ainda que admita que são os pequenos detalhes aquilo que, por vezes, fica na memória.

 

Há cerca de dois meses, num restaurante do norte de Portugal, apresentaram-me um pequeno snack com vários mariscos, em que o empregado deitava um liquido sobre gelo seco, levantando-se uma névoa em volta. Dei por mim a pensar se aquilo estava mesmo a acontecer, se seria possível, em 2016, um chefe de um restaurante de cozinha de autor apresentar um efeito puramente cénico, super visto e que não acrescenta rigorosamente nada ao prato (nem aroma). Nesse momento resolvi olhar em volta para ver a reacção das pessoas nas outras mesas e verifiquei estavam encantadas. Esse episódio, e outros anteriores do género, levaram-me a começar colocar as coisas em perspectiva. Não é que passe a ignorar o assunto, apenas decidi que não vou dar uma relevância maior do que aquela que ele tem.

 

Não li o post do Maribona sobre o Loco quando o publicou, para evitar ser influenciado, uma vez que vou escrever uma critica sobre esse jantar para uma das próximas Wine. Porém, perante as reacções que me foram chegando acabei por fazê-lo agora. O que achei? Que é uma critica honesta (como são sempre) e bem fundamentada, uma descrição interessante de alguém com muita experiência e conhecimento. No entanto, pareceu-me uma certa fixação em pequenos detalhes. Ou, provavelmente, as reacções que ajudaram a amplificar os episódios é que lhe deram uma dimensão demasiado grande.

 

Nunca fui ao DiverXo - apenas estive no StreetXo - e espero um dia ir (mesmo embirrando cada vez mais com todo o folclore em volta do David Muñoz e do seu estilo clownesco). Talvez por isso ache exageradas as referências aos detalhes mencionados: o crocante de pão pendurado e a colher que é enfiada na boca, alegadamente uma cópia do restaurante madrileno. Possivelmente, porque valorizei mais a ideia da molho do bife (óptimo, por sinal) servido com o pão. Só espero, quando escrever,  conseguir colocá-la em perspectiva e não lhe dar mais importância do que aquela que ela tem :). 

 

Posts Relacionados:

Carlos Maribona analisa a Lisboa gastronómica

 

Foto: Paulo Barata

 

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:11


14 comentários

Sem imagem de perfil

De Lis a 28.04.2016 às 13:00



Subscrevo o comentário de Sérgio Garcês.
Todos os impressionistas se plagiaram? Claro que não!
Gosto imenso da dimensão artística na cozinha, se ela não é já Arte.
A experiência do Loco foi fantástica em qualidade, criatividade e domínio de técnicas. O serviço parecia que surgia em "andamentos", que faziam parte de uma sinfonia
Considero a crítica de Carlos Maribona (tem direito a ela!) ao Alexandre Silva , cuja evolução e trabalho sério acompanhamos desde o Bocca , demasiado contundente e exagerada. É a minha opinião.
Aguardo também opiniões sobre a sessão de Elena Arzak no Peixe em Lisboa. Tinha expectativas muito elevadas quanto a esta sessão, mas penso que a Chef se perdeu na teoria. Esperava muito mais que o prato das línguas de pescada sobre folhas verdes (lindas e já se vendem pelo menos numa mercearia chinesa), creio.
No ano passado a sessão a cargo dos irmãos Roca foi excelente e motivadora. Excecional mesmo!

Comentar post



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

PUB


Os autores

Duarte Calvão (perfil)
Miguel Pires (perfil)

Porquê?

Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

Siga-nos no facebook


Mesa Marcada no Twitter


Confira os premiados e as listas...



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Pub





Calendário

Abril 2016

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Comentários recentes

  • Miguel Pires

    Oops, já corrigido. Agradeço o reparo.

  • Martinho Cruz

    Tudo bem. Vega “Cecília” é que me ultrapassa.....

  • Anónimo

    Esta é uma boa notícia para esta altura do Natal.....

  • Duarte Calvão

    Acho, João Faria, que coloca a questão nos termos ...

  • João Faria

    É verdade que, infelizmente, a mudança ocorrida na...