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Como o Duarte escreveu no post anterior, Carlos Maribona, um dos jornalistas e críticos de gastronomia mais importantes  do país vizinho esteve em Lisboa (de visita ao Peixe em Lisboa) e aproveitou para ir a alguns restaurantes  da cidade, algo que tem vindo a fazer, de uma forma regular, desde há 9 anos. Como o Duarte também mencionou, de todas as visitas que fez este ano há uma que gerou polémica: a do Loco, de Alexandre Silva. Esse texto levou-me a alinhavar uma resposta, no seguimento de algumas reflexões que tenho vindo a fazer sobre estes assuntos da crítica gastronómica. Era para ser um comentário no próprio post, mas (que me perdoe o Carlos) achei que seria interessante publicá-lo antes aqui.  

 

Visitei o Loco (pela segunda vez) um dia depois do Carlos Maribona e comi praticamente o mesmo menu. Sobre a experiência, em geral, tenho uma opinião mais positiva e diferente da sua, ainda que, aqui ou ali, possa estar de acordo com algumas observações (também embirro solenemente com petazetas :).

 

A mim não me interessa tanto saber se há um ou outro pormenor déjà vu mas se no global a experiência foi boa (a comida – se os sabores estão bem expressos -, o ambiente, o serviço), se está de acordo com o conceito definido e, no caso de ser sobre um restaurante de um chefe com ligação à cozinha portuguesa, se a sua abordagem me parece interessante e bem concretizada, por exemplo. Se for original, óptimo, porque prefiro a autenticidade à cópia, bem como o que é criativo ao banal. Porém, quantos restaurantes/chefs verdadeiramente originais existem? Poucos, muito poucos. 

  

Eu percebo o Carlos: um efeito pirotécnico já visto ainda passa, mas dois ou três pode ser de mais. Mas... será isso assim tão importante? Será que é mesmo o mais relevante para quem nos lê? Não sei. Talvez, depende do público que nos lê. Quer dizer, para ser franco, começo a ter algumas dúvidas, ainda que admita que são os pequenos detalhes aquilo que, por vezes, fica na memória.

 

Há cerca de dois meses, num restaurante do norte de Portugal, apresentaram-me um pequeno snack com vários mariscos, em que o empregado deitava um liquido sobre gelo seco, levantando-se uma névoa em volta. Dei por mim a pensar se aquilo estava mesmo a acontecer, se seria possível, em 2016, um chefe de um restaurante de cozinha de autor apresentar um efeito puramente cénico, super visto e que não acrescenta rigorosamente nada ao prato (nem aroma). Nesse momento resolvi olhar em volta para ver a reacção das pessoas nas outras mesas e verifiquei estavam encantadas. Esse episódio, e outros anteriores do género, levaram-me a começar colocar as coisas em perspectiva. Não é que passe a ignorar o assunto, apenas decidi que não vou dar uma relevância maior do que aquela que ele tem.

 

Não li o post do Maribona sobre o Loco quando o publicou, para evitar ser influenciado, uma vez que vou escrever uma critica sobre esse jantar para uma das próximas Wine. Porém, perante as reacções que me foram chegando acabei por fazê-lo agora. O que achei? Que é uma critica honesta (como são sempre) e bem fundamentada, uma descrição interessante de alguém com muita experiência e conhecimento. No entanto, pareceu-me uma certa fixação em pequenos detalhes. Ou, provavelmente, as reacções que ajudaram a amplificar os episódios é que lhe deram uma dimensão demasiado grande.

 

Nunca fui ao DiverXo - apenas estive no StreetXo - e espero um dia ir (mesmo embirrando cada vez mais com todo o folclore em volta do David Muñoz e do seu estilo clownesco). Talvez por isso ache exageradas as referências aos detalhes mencionados: o crocante de pão pendurado e a colher que é enfiada na boca, alegadamente uma cópia do restaurante madrileno. Possivelmente, porque valorizei mais a ideia da molho do bife (óptimo, por sinal) servido com o pão. Só espero, quando escrever,  conseguir colocá-la em perspectiva e não lhe dar mais importância do que aquela que ela tem :). 

 

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Carlos Maribona analisa a Lisboa gastronómica

 

Foto: Paulo Barata

 

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publicado às 00:11


14 comentários

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De Duartecalf a 03.05.2016 às 15:34


Jantei no Loco há uns dias, o mesmo menu que o Carlos Maribona, com a exceção de 1 ou 2 momentos/pratos.

Tinha lido a crónica antes de ser comentada, li depois de ser referida aqui e, já depois do jantar, voltei hoje a ler. Sinceramente, acho que a reação de uns quantos comentadores no ABC foi exagerada: o Carlos faz críticas a diversos aspetos, mas não me parece nada de mais, releva sempre a qualidade da cozinha/técnicas e deixa perceber que o seu gosto pessoal influencia a sua apreciação, não colocando as coisas em termos de qualidade/falta dela.

Calculo que para um crítico que almoça e janta fora diariamente, haja aspetos que falham aos clientes comuns, mesmo àqueles que, como eu, se interessam pela gastronomia, mas não mais que isso. Por isso, como dizem o João Faria e o Miguel Pires, há que pôr em perspetiva e verificar se para a maioria dos clientes a opção faz ou não sentido. Eu naturalmente já ia condicionado pelo que tinha lido, mas para as outras 3 pessoas com quem jantei todas as "pirotecnias" foram mais ou menos novidade e encararam-nas com entusiasmo.

De resto - provavelmente por expetativas - não achei o ritmo dos snacks tão acelerado como isso (foram cerca de 25 minutos entre o 1.º e o pão), provavelmente porque estava com medo de não conseguir fotografar nada e afinal tive (algum) tempo. Em momento nenhum sentimos pressão para comer ou interromper uma conversa para comer rapidamente.

Como nota, acho que é um restaurante que vale bem a pena ir, e que além da qualidade da cozinha, apresenta um aspeto lúdico que em Lisboa não há - ou eu não conheço.

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