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Já abriu o renovado Mercado da Ribeira

por Miguel Pires, em 18.05.14

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A partir deste domingo é este o cenário que poderá encontrar no renovado Mercado da Ribeira, em Lisboa, um projecto liderado pela revista Time Out e que teve inauguração oficial ontem.

 

O essencial sobre a nova vida deste espaço emblemático de Lisboa pode ser lida no post anterior. Aqui apenas deixo as primeiras impressões após a a visita na concorrida inauguração (ilustrada na foto). 

 

Gostei bastante do que vi em termos de decoração e disposição do espaço. Existe uma uniformização arquitectónica, nomeadamente ao nível das cores (com predomínio do preto e branco) e dos materiais, sem impedir que cada restaurante tenha podido personalizar os seus espaços respeitando determinadas regras. Depois há uma área enorme de mesas, o que me parece acertado dado que esse é normalmente o maior problema deste tipo de espaço (veja-se o caso do Mercado de Campo de Ourique ou até mesmo o de San Miguel em Madrid). Ontem a inauguração aberta apenas a convidados foi um bom teste para ver como se comporta o espaço em dias de casa cheia, como os que se esperam nos próximos tempos. E a verdade é que se circula bem e, parece ser relativamente fácil de conseguir mesa, até porque há esplanada no exterior, já para não falar no jardim público também renovado numa das laterais. 

 

Ontem foi igualmente possível provar a oferta dos vários restaurantes e similares presentes. Contudo, embora tenha provado um pouco de tudo, nem sempre era fácil descortinar de onde vinham por isso não vou tecer grandes considerações neste post. Adianto apenas que quem frequenta habitualmente o Peixe em Lisboa vai encontrar algumas semelhanças, pelo menos, em relação aos chefes/restaurantes que costumam marcar presença. Como referi no inicio para saber mais sobre as características do Mercado da Ribeira e dos restaurantes presentes leia o post anterior (aqui).

 

 

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publicado às 11:45


12 comentários

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De Francisco R. Cunha a 18.05.2014 às 22:22

Bem, proposta muito interessante, mas sem a capacidade de acolher pessoas sentadas (já que a proposta é servida em pratos especiais vista alegre e copos de vidro o que impossibilita de estar relaxado e descansado a comer em pé...). Claro que hoje especialmente foi uma enchente de pessoas curiosas e famintas de novidade, mas o próprio sistema de organização do espaço está muito desadequado neste momento. Muito tempo de espera nas filas (mas pronto, é porque tinha muita gente), depois já com o tabuleiro da comida é que piora... Ou já ficou um familiar a guardar uma mesa para 10 pessoas que ainda demorarão 40 minutos a chegar devido as filas que não me cede o lugar por 10 minutos para eu comer, ou então depois de comer em pé com o meu braço já a tremer não há lugar para por os tabuleiros..... O staff da limpeza a carregar 10 bandejas cheias de coisas cada uma a deixar partir de 5 em 5 minutos um copo ou prato.
As filas organizadas com o sistema de pré-pagamento justamente na passagem das pessoas com um corredor enorme na parte de trás vazio onde nem sequer as cadeiras de lá são ocupadas devido ao material da cozinha sujo espalhado pelo balcão. Não há carrinhos , por isso tive que por o meu tabuleiro cheio de copos e pratos em frente a uma senhora que guardava 3 lugares. Muito verde essa abertura e era de se esperar gerentes ou responsáveis do espaço a tentar organizar aquela confusão. Para terminar bem, preços muito aceitáveis, oferta variada e espaço muito bonito.
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De Miguel Pires a 19.05.2014 às 02:28

A experiência que descreve é típica de primeiro dia. Ainda por cima, ao contrário de um restaurante, não dá para convidar mil amigos para testar o serviço. Talvez tivesse sido melhor abrir numa segunda-feira e assim já levar alguma rodada quando chegasse o fim de semana. De qualquer forma com o tempo as coisas vão melhorar, certamente.
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De André a 19.05.2014 às 13:11

Lamento não partilhar da opinião espelhada no post. Acho que a disposição do espaço não é nada acolhedora e que as mesas não fazem sentido nenhum. Dá a sensação de praça de alimentação de centro comercial, versão chique. Quem não quer confusão, comer de pé, ou em banquetas num mercado, não seria este o local adequado. Aquilo que se pode descrever como "confusão", no Mercado de San Miguel, ou Chueca, é facilmente descrito como "animação" e "carácter".

Também me parece que apostar em instalar sobretudo restaurantes conhecidos da praça, servindo o que se encontra na casa-mãe era algo expectável no contexto português, onde se arrisca muito pouco. Trata-se simplesmente de transplantar o mesmo modelo de negócio, mas redimensionado. Gostava de ter visto banquinhas, servido pratos desenhados para o espaço, mais novidades e mais variedade.
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De Miguel Pires a 19.05.2014 às 14:03

André

É normal que uma intervenção destas gere opiniões diferentes. Em relação ao espaço acho que há ali um grande desafio e que está relacionada com alguma frieza do espaço, sobretudo, no Inverno e em dias/momentos em que estiver mais vazio. Contudo acho que o "carácter" não se ganha por copiar um modelo como o Mercado de San Miguel, quando a estrutura de nave ampla do Mercado da Ribeira, nunca teve a configuração desse espaço madrileno. Nesse sentido a intervenção arquitectónica parece-me congruente com a memória do espaço. Por outro lado, acho que os responsáveis pelo espaço poderão fazer sempre várias adaptações. Acho que vale a pena dar o beneficio da dúvida e algum tempo ao espaço para ele ganhar vida própria.
Quanto à oferta, como disse no post , pareceu-me interessante, mas tenho de ver melhor. Contudo, pelo menos na parte dos chefes (que representam apenas uma parte, eu sei) vi várias propostas criadas para o local, diferentes das dos seus espaços. Algumas podem ser adaptações, mas isso até me parece bem. Na verdade o Santini é o único que me parece reproduzir completamente o seu modelo (em termos de oferta), como se estivesse num shopping .
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De André a 19.05.2014 às 14:28

A beleza destas coisas é precisamente podermos ter as nossas opiniões e aprendermos uns com os outros, passar boas horas em cavaqueira de qualidade.

Não me referia à transplantação tal e qual do modelo dos mercados madrilenos para a Ribeira, mas a distribuição dos vários elementos interiores podia ser outra. E a decoração, já agora. Como está, parece-me bastante frio e asséptico. Além de que desencoraja a circulação, o "picoteo" furioso, etc. Pessoalmente - gostos! - aprecio balcões, e os bons balcões estão em extinção neste país. Tinha esperança de me vingar na Ribeira, mas a geometria em fachadas não o permitiu, porque a acumulação de clientes é fatal e é preciso desopilar.
Talvez haja sido demasiado veemente na minha opinião a respeito da oferta, mas mantenho que se arriscou pouco. Por exemplo, não sei o que está ali a fazer o Honorato, ou a Santini.

Posto isto, espero que seja um sucesso comercial e permita manter vivo um edifício que faz parte da identidade lisboeta. Eu aposto que fará furor especialmente entre os turistas.



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De Nuno Vasto a 21.05.2014 às 23:04

"os bons balcões estão em extinção neste país"

Em Lisboa, é verdade ... mas no Porto ainda há muitos (e bons) por onde escolher

Quanto à Ribeira alfacinha, estou curioso, embora receie que impere a moda dos "pratinhos", a qual, a pessoas, como eu, que (perdoem-me a linguagem) só atingem o orgasmo com o tradicional "entrada-prato principal-sobremesa", produz enorme frustração...
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De João Faria a 19.05.2014 às 18:43

Bem, gostei do espaço, do conceito... mas a comida deixou a desejar. Fui hoje (segunda-feira) almoçar, e resumindo:

Comecei com um croquete de bacalhau com chouriço da Croqueteria, estava bastante bom e tinham uma vasta variedade na oferta. Fiquei fã.

Depois disso veio o prato principal, o bife tártaro. Ora, sendo um amante de tártaros, foi a Tartar-ia que me motivou, em primeiro lugar, a optar por almoçar hoje no Mercado da Ribeira. Sabendo o nome do chef por detrás do espaço em questão, a expectativa não podia ser maior. Mas foi uma desilusão completa. Primeiro o serviço estava completamente desorganizado, e não havia ninguém para ser atendido! Pediram-me para ir dar uma volta e voltar mais tarde, tendo o pedido sido feito. Cheguei, disseram-me que podia sentar-me e que lá iam entretanto. Quis pagar mas estavam atrapalhados, disseram para pagar no final, que confiavam. Dou o benefício da dúvida quanto ao serviço, é o segundo dia e o pessoal ainda não tem a experiência necessária. Sem problemas quanto a isso, percebo. O pior veio depois. A dose do bife tártaro (uma interpretação do clássico) é ridiculamente minúscula, apesar de ter potencial. Optam por colocar umas lascas minúsculas de batata fina à rodela lá pelo meio, ficando tudo numa tigela, sem as habituais batatas fritas a acompanhar que, pelo menos, dariam a ideia de ser uma prato digno de um almoço. Assim não foi. Mas a maior desilusão foi perceber que a carne era triturada e não picada. Percebo que é mais prático, mas na minha opinião, ou se fazem bem as coisas, ou mais vale não fazer. Pelo preço (8.5€), o prato deixou muito a desejar.

Depois disto tudo, e ainda com fome, fui comer um prego à Casa de São Bento. Optei pelo prego clássico, estava muito bom, mas novamente 8.5€. As batatas que pedi para acompanhar estava passadas do ponto, muito escuras e com o sabor que advém desse ponto de fritura que não é o melhor.

Vou voltar, claro, mas para experimentar outros espaços. Quanto ao Tartar-ia e ao Café de São Bento darei o benefício da dúvida (não esquecendo o elevado preço que me fará pensar duas vezes). No que diz respeito ao bife tártaro, pelo menos o de carne, se continuar a ser triturado... não voltarei a provar certamente.

Já agora, se me permite, gostaria de saber a sua opinião (ou de quem fizer a gentileza de responder) sobre um espaço que sirva, em Lisboa ou no Porto, um bom bife tártaro (experimentei ainda recentemente o do Cantinho do Avillez e gostei).

Cumprimentos.
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De Miguel Pires a 19.05.2014 às 19:44

João Faria

obrigado por relatar-nos aqui a sua experiência sobre o Mercado da Ribeira. Partilho da sua tolerância para estes primeiros dias.

Em relação ao bife tártaro, também ouvi sempre que a carne deveria ser picada e não moída. Contudo, segundo a bíblia, Larrousse Gastronomique , na sua versão inglesa: stake tartare is made with minced ground (beef or horse meat , according to the purists) served raw , with a egg yolk and seasoning . Ou seja, tanto referem que a carne é picada (minced) como moída (ground). Talvez alguém que tenha a versão original francesa possa esclarecer melhor o assunto.

Quanto a um local, cá, onde se coma um bom bife tártaro, aconselho vivamente o Talho, do chef Kiko Martins, em Lisboa. Convence até quem não é o maior fã do mundo deste prato, como eu.

Pode ler o que escrevi há pouco tempo sobre o Talho, aqui: http :/ mesamarcada.blogs.sapo.pt um-ano-de-talho-e-com-mais-mar-do-que-548432
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De João Faria a 22.05.2014 às 23:42

Caro Miguel Pires,

Obrigado pela explicação 'histórica/teórica', desconhecia a ambiguidade existente em relação à forma de preparação, pelo menos, e como refere, na versão Inglesa. De qualquer das formas, parece-me consensual que a melhor forma de preparar um bife tártaro é picando-o. Agradeço também a sua sugestão em relação ao O Talho, desde que me encontro a residir em Lisboa ainda não tive oportunidade de visitar esse espaço, mas a curiosidade sempre existiu, agora mais ainda.

Cumprimentos,

João Faria
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De Carlos Alexandre a 20.05.2014 às 00:03

Um bom bife tártaro na brasserie Flo.
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De João Faria a 22.05.2014 às 23:47

Caro Carlos Alexandre, obrigado pela sugestão. Aproveitei para consultar a carta e percebi que o bife tártaro é uma das opções do Menu "Express", o que torna a ideia ainda mais interessante.

Cumprimentos,

João Faria
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De Carlos Alexandre a 23.05.2014 às 08:38

Espero que não desiluda.
Os gostos nem sempre são iguais, nem têm valores absolutos. Mas a matéria prima é de muita qualidade.

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