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Já tinha ouvido falar do Boi-Cavalo, mas confesso que o nome, e algumas das coisas que tinha ouvido, não me tinham despertado particular interesse. Um dia recebi um convite para lá ir. Um período de trabalho complicado, andava exausta. Porque não? Dava para formar a minha própria opinião e era uma boa desculpa para me afastar de exames, trabalhos e teses. E lá fui. Era uma situação diferente do habitual. Vários petiscos iam chegando e iam sendo partilhados  pelos convivas.

Percebes com pão com manteiga de chouriço – uma combinação que resultou muito bem

Moelas com papadums
Pita com barriga de porco, molho barbecue e esparregado

 

E… gostei muito. Gostei das propostas diferentes, muito boas, gostei do conceito, tive vontade de voltar. E uns dias depois voltei, para um jantar "normal".

Variedade de pães com manteiga de toranja e cebolinho, manteiga de chouriço e azeite texturizado

Foie-Gras salteado, espuma de muesli, pickle de cereja do Fundão e cebolo
Polvo da rocha, cabidela (cubinhos de gel), maçã e ar de pepino
Coelho a baixa temperatura, molho de pimentos, salada de caracóis
Torta de laranja, geleia de laranja de Setúbal, crumble de queijo de cabra

 

Devo dizer que há algum tempo que um restaurante não me entusiasmava tanto. O espaço, um antigo talho, é agradável, o serviço simpático, mas longe de ser perfeito, a comida é boa… mas há mais restaurantes assim. O que gostei no Boi-Cavalo foi da atitude, da paixão que senti, do trabalho sério, sem se levarem demasiado a sério.

 

Caracterizando a comida do Boi-Cavalo diria que é muito baseada na tradição, mas é uma cozinha urbana contemporânea, que alia às memórias gastronómicas novos sabores e técnicas, e outras vivências, o que lhe confere sofisticação e personalidade.

 

Há vários tipos de restaurantes. Há restaurantes que pretendem um lugar de topo, onde a margem de risco é curta, onde a exigência em cada detalhe é muita. Há restaurantes que são negócios, podem até ser espaços interessantes, com boa comida, mas que são negócios… Há restaurantes normais, sem história. E há restaurantes com personalidade, imperfeições, em que se correm riscos, com uma cozinha que pode ter falhas, mas é feita com paixão e irreverência, com uma cozinha com personalidade. Foi isso que senti no Boi-Cavalo. Foi disso que gostei, sobretudo porque cada vez mais para mim a comida vale pelas histórias que conta, pelas emoções envolvidas. Este tipo de restaurantes fazem muita falta e têm o seu espaço.

 

Curiosamente são dois Chefes o Hugo Brito e o Pedro Duarte. Não os conheço o suficiente para avaliar o input de cada um. Pode não ser fácil conseguir produzir um trabalho coerente que reflicta duas personalidades, mas quando se consegue, acredito que o resultado pode ser mais rico. Estou curiosa para ver como evolui.

 

Contactos:

Rua do Vigário, 70 B, Lisboa

218 871 653  e  938 752 355

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publicado às 00:43


1 comentário

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De Só entre nós a 11.08.2014 às 12:57

Já não é a primeira crónica que leio sobre o restaurante Boi-Cavalo, mas confesso que a descrição dos pratos ainda não me convenceu a visitá-lo... Talvez um dia passe por lá para conferir.

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