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_MG_1271 copy.jpgÀ primeira garfada, fez-se silêncio na mesa. Notava-se um certo incómodo, com os comensais a procurar encontrar a ligação entre aquele belíssimo tártaro de barriga de atum dos Açores e a Bengal Amber IPA, cerveja especial da Super Bock Selecção 1927. Estava difícil perceber como é que a frescura e a gordura do peixe se conjugava com uma cerveja algo amarga, própria para fazer frente a pratos com especiarias e até picantes, não tivesse sido ela inventada na Índia pelos colonos britânicos. Mas, para alívio de todos, rapidamente o equívoco se desfez: tinha que se misturar o atum com o potente e adstringente molho com maracujá, que levava também sumo de lima e um picante muito adequado.

 

 

_MG_1174 copy.jpg No tártaro de barriga de atum, o molho de maracujá devidamente temperado era essencial para estabelecer a ligação com a Bengal Amber IPA

 

Pronto, tinha passado o susto. Afinal tínhamos acertado ao escolher o jovem chefe Tiago Bonito, de 29 anos, para o segundo desafio de harmonizar quer a Bengal Amber IPA quer nova cerveja da Selecção 1927, Czech Golden Lager, com pratos da sua criação. O primeiro desafio, cujo relato se pode ver neste post, tinha sido a um consagrado chefe do Porto, Pedro Lemos, que também teve a IPA (sigla de Indian Pale Ale) como segunda cerveja. Agora, era a vez de ir para Lisboa, mais precisamente para o Lisboeta, restaurante da magnífica Pousada de Lisboa, inaugurada há pouco mais de um ano pelo Grupo Pestana em pleno Terreiro do Paço.

 

_MG_1085 copy.jpg As cervejas foram muito bem servidas pela equipa de sala do restaurante Lisboeta nos copos que a Unicer criou para a Selecção 1927

 

“Mal provámos a IPA aqui no restaurante, achámos que, além do típico lado amargo, tinha também um pouco de doçura, e começámos logo a pensar em caril, picante, especiarias…A minha primeira ideia foi pombo com cacau e raz el hanout, creio que também iria bem, mas achei menos consensual e, como estamos no Verão, o atum, desde que acompanhado pelos ingredientes certos, funcionaria muito bem” explica Tiago Bonito, o qual, apesar da juventude, já tem um currículo bem recheado, tendo ganho o Chefe Cozinheiro do Ano em 2011, estagiado em restaurantes como o Alínea, em Chicago, ou o D.O.M., em São Paulo, e feito formação com Alain Ducasse. Antes de vir para Lisboa, era chefe executivo do Vilalara Thalassa Resort, no Algarve.

_MG_1235 copy.jpg Tiago Bonito finaliza o segundo prato a ser servido neste almoço na Pousada de Lisboa

 

Presente neste almoço estava Beatriz Carvalho, há 27 anos na Unicer, onde se especializou na harmonização de cervejas com comida, com cursos na Alemanha, Itália e Bélgica, e curso de sommelier desde 2011 . “As IPA são de facto ideais para acompanhar pratos com muitas especiarias e ficou muito bem com este prato. Às vezes, em restaurantes indianos, por exemplo, julga-se que cervejas mais leves e refrescantes são melhores, mas a verdade é que só refrescam, não combatem de verdade esses temperos mais fortes. A IPA, com a sua estrutura e a sua amargura, foi precisamente pensada para lhes fazer frente”, sublinha esta engenheira química nascida em Savona, Itália, de mãe italiana e pai português, mas que veio para cá aos quatro anos de idade.

 

_MG_1276 copy (1).jpg

 A sommelier de cervejas da Unicer, Beatriz Carvalho, quis registar para a posteridade os pratos de Tiago Bonito

 

Na segunda cerveja a ser servida no Lisboeta, a nova Czech Golden Lager, foi logo perceptível a ligação com o prato que Tiago Bonito para ela preparou, salmonete de Setúbal e carabineiro com puré de tupinambo, espargos verdes, trigo sarraceno e ar de fígado de salmonete. “Estas lager de estilo checo são leves e versáteis, mais intensas do que as Superbock normais mas muito equilibradas, combinam bem com mariscos e peixes com sabores mais delicados. São cervejas para momentos de convívio, com pratos que se partilham descontraidamente”, considerou a “sommelier” de cervejas da Unicer.

 

_MG_1030 copy.jpgO segundo prato, onde se destacavam os sabores de mar, combinou na perfeição com a nova Czech Golden Lager, uma cerveja versátil e equilibrada

 

Tiago Bonito também teve menos dúvidas na opção a tomar. “Vi imediatamente que era uma cerveja que iria bem com sabores do mar, uma combinação a que estamos habituados em Portugal. Ainda hesitei entre o pregado e o salmonete, mas pareceu-me que nesta combinação o salmonete funcionava melhor. E podia aproveitar os fígados para dar mais um apontamento ao conjunto, também algo que usamos aqui em Portugal”. Uma óptima ideia do jovem chefe, que está em grande e prometedora forma, efusivamente saudada pelos felizes comensais. E por aqui ficamos no que diz respeito ao Lisboeta. Em breve, virão posts com Luís Américo e Ljubomir Stanisic a mostrarem como responderam a este desafio.

 

Fotos: Paulo Barata  

 

 

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