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Como referimos neste post, as cervejas especiais, bem como a sua ligação à gastronomia, têm sido uma das tendências dos últimos anos. A colaboração com chefes de renome, a inclusão de cervejas na harmonização de menus de degustação ou mesmo em pairings a solo, trouxeram a bebida para um contexto gastronómico diferente, criando uma nova apetência e novos hábitos de consumo para a categoria.

 

 

A Unicer é uma das cervejeiras que tem apostado neste tipo de cervejas, tendo criado, há já algum tempo, a gama Super Bock Selecção 1927. Inicialmente sazonal e apenas disponivel em garrafa de 75 cl, a gama passou a estar disponível de uma forma regular e, também, em garrafa de 33 cl e em barril, à pressão, para o canal Horeca (restaurantes, bares e similares). Em finais de Maio, a juntar às variedades já existentes,  Munich Dunkel, Bavaria Weiss e Bengal Amber IPA, a empresa reforçou a gama com o lançamento da Czech Golden Lager, uma pilsener elaborada com ingredientes nacionais (como o malte pilsen e o lúpulo nugget transmontano) inspirada nas cervejas checas.

 

Nesta sequência, fomos convidados pela Unicer a criar uma acção que se enquadrasse no espírito do blogue e do perfil gastronómico das cervejas, o que nos levou a desafiar quatro chefes de Portugal (dois de Lisboa e dois do Porto) a conceber dois pratos: um para harmonizar com a nova Czech Golden Lager e um segundo com uma das outras três cervejas da gama Selecção 1927. 

 

O primeiro a aceitar o repto foi o chefe Pedro Lemos, que nos recebeu no restaurante com o seu nome, junto à Foz do Douro, no Porto. Como é sabido, em finais de 2014, o lugar conquistou uma estrela Michelin e o galardão veio dar outro fôlego ao negócio. A equipa foi reforçada e o espaço remodelado ganhou um carácter mais distinto e uma decoração mais "limpa", sem que o toque contemporâneo escondesse a essência da traça original da casa edificada no século XIX.  

 

Além do prato para harmonizar com a Czech Golden Lager, o desafio também incluia a criação de uma proposta para acompanhar a Bengal Amber IPA. E começámos precisamente por esta cerveja especial, popularizada pelos colonos ingleses residentes na Índia, no século XIX, por se tratar de um estilo que saciava facilmente a sede das agruras do clima tropical, quente e húmido, da província de Bengala. O tom âmbar, alguma doçura ( mas que termina seca), bem como o amargor - resultante do reforço de lúpulo que permitia à cerveja viajar melhor -, contribuiram para o sucesso da IPA (India Pale Ale), ao ponto de hoje ser um dos estilos favoritos entre apreciadores da nova onda de cervejas especiais.   

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"A equipa não sabia que tínhamos este desafio", começou por nos explicar Pedro Lemos (na foto de cima). "Abrimos as cervejas a meio do servico e cada um começou a dar bitaites". Em relação à Bengal Amber IPA, numa primeira impressão, uns evidenciaram o aspecto mais doce e os aromas a manga, pêssego e nectarinas. Depois, na prova de boca, o trago mais amargo foi a característica mais valorizada. Logo aí começaram a pensar em marisco e caril, uma mistura de especiarias que, na opinião de Lemos, casaria bem com o toque doce que encontraram na cerveja. "Vai ser um caril de lavagante com legumes", sentenciou o chefe da Foz. 
 
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 Caril de lavagante, zamburinhas e vegetais, a proposta de Pedro Lemos para Super Bock Selecção 1927 Bengal Amber IPA
 
 
Na prova dos nove, a elegância entrou numa equação onde não se esperava que fosse tão evidente. O lado picante surgia discreto e prevalecia um toque adocicado, até pelos mariscos em questão - além do lavagante havia ainda zamburinhas, umas pequenas vieiras da Galiza. Entre os legumes, a acelga e a endivia deram um toque vegetal e amargor necessários ao conjunto. Ou seja, tal como na cerveja, doce e amargo foram as notas que se evidênciaram, o que acabou por dar uma harmonização com a bebida quer por associação, quer por contraste. "O prato e a cerveja têm a mesma cor", lembrou  Marta Fraga, da Unicer, presente no almoço. A responsável pelas harmonizações da Casa da Cerveja, destacou ainda "o verdadeiro diálogo" entre prato e a bebida e a "perfeita" ligação entre "as notas doces do lavagante" e as da Bengal Golden IPA.  
 
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Já quanto à Czech Golden Lager, Lemos considerou-a "muito versátil", realçando que tanto se pode acompanhar  "com uns camarões, como com um bife, uma bifana, um cachorro, ou uma francesinha". Por outro lado, o chefe não deixou de destacar a complexidade e um lado mais tostado da cerveja, em comparação, por exemplo, com a Super Bock clássica. 
 
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Porco com gamba do Algarve, pickles e guisadinho de favas para acompanhar Super Bock Selecção 1927 Czech Golden Lager
 
 
O tom estava dado e deixava pistas para o prato que minutos depois chegaria à nossa mesa: porco com gamba do Algarve ("é a sua época, ao contrário das de Espinho", lembrou o chefe), pickles, guisadinho de favas ligeiro, e, como apelidou Lemos um "molho dos tascos" - puxado ao limite do picante e do sal e com um toque perceptível a enchidos. Na mesa, logo foi evidenciado a qualidade da carne e da composição desta proposta contemporânea de sabores rústicos. "Não é bísaro, nem ibérico, é porco branco, de raça comum", revelou o chefe. Já Marta Fraga, de ascendência transmontana, encontrou no prato "sabores da casa, com o chouriço no molho, as favas e coentros". Perante algum espanto, por tal afirmação, dado que os coentros raramente entram a norte, a responsável da Unicer referiu que a sua avó "usava todo o tipo de ervas na cozinha". 
 

_MG_1641 copy.jpg (o senhor de pulover azul, está mesmo a tirar notas e não a enviar sms)

_MG_1724 copy.jpgPedro Lemos em modo relax, enquanto uma "Czech" descia redonda.

 
 
Na próxima semana trazemos a Czech Golden Lager e uma outra da gama Selecção 1927 para Sul. Haverá coentro, salsa, outras ervas ou especiarias nas propostas de Tiago Bonito, do restaurante Lisboeta, da Pousada de Lisboa? Hum... logo se saberá.

 

Fotos: Paulo Barata  

 

 

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