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Duas pérolas destas num só dia é demais!

por Paulina Mata, em 28.08.14
Foto Daqui
"Nous demandons l'interdiction de juger, de mettre des commentaires diffamatoires, des jugements subjectifs sur les personnes ou tout membre des équipes de nos restaurants."

(Exigimos a proibição de julgar, da colocação de comentários difamatórios, de julgamentos subjetivos sobre pessoas ou qualquer membro das equipas de nossos restaurantes).

Da petição "Non aux avis insultants envers les restaurateurs", lançada em França e assinada no momento em que escrevo por 1762 pessoas.

 

"I said that food blogs are to gastronomy what pedophiles are to love." - Fulvio Pierangelini no MAD4

(Achei tão inacreditável que fui confirmar... e parece que disse mesmo isto).

 

Que há muitos chefes que não gostam de blogs de comida toda a gente sabe. Mas chegar a este ponto é demais...e muito triste.

 

Há blogs muito bons e há blogs muito maus. Não fugindo da escrita sobre comida, há artigos sobre gastronomia muito bons na imprensa e há artigos muito maus. Qual é a diferença?

 

Ética... existe (ou não) em todo o lado. Cada caso é um caso...

 

Poder de encaixe para aceitar críticas, é um atributo muito útil na vida. Liberdade de expressão, um direito pelo qual é importante lutar.

 

Porque é que os chefes devem ser protegidos de críticas? Porque é que os "food bloggers" são uma ameaça tão detestável?

 

Inacreditável!

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publicado às 01:29


8 comentários

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De Filipe a 28.08.2014 às 14:28

Surreal!

Mal seria se não pudéssemos dar as nossas opiniões sinceras. Porque é que os Chefs hão-de ser os privilegiados que não recebem críticas?

No nosso blog, não hesitamos em criticar, se tivermos razão para isso, como fiz recentemente na minha análise ao Eleven e ao comportamento do Chef Joachim Koerper.
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De Carlos Alexandre a 28.08.2014 às 18:23

"Nous demandons l'interdiction de juger, de mettre des commentaires diffamatoires, des jugements subjectifs sur les personnes ou tout membre des équipes de nos restaurants."

Por mais que tente que não seja assim, lendo e relendo, entendo sempre o mesmo. Começa-se por pedir a proibição de julgar. Depois, então, de julgar subjetivamente.

Proibição de julgar, nem me passa pela cabeça. Ora então, la folie des grandeurs já ultrapassou o razoável, mostrando que já não basta o vedetismo excessivo, e até mesmo exacerbado, exigindo por outro lado a imunidade que ninguém, numa sociedade democrática, pode sequer sonhar vir a ter.

Nem mesmo a possibilidade de colegas de profissão poderem usar
alguns meios de comunicação diretos para se vingarem ou quererem prejudicar a imagem ou o negócio justifica o fato de alguém vir pedir que não pode ser julgado. Como diz a Paulina, e muito bem, entra aqui o poder de encaixe. Julgamentos justos e injustos. Julgamentos bons e maus. Desta combinação, num mundo perfeito, não deveriam existir julgamentos injustos, bons ou maus.
Mas podem ser injustos voluntariamente ou não. Alguém que não perceba grande coisa de comida pode criticar injustamente, mas de um modo involuntário. Mas também se pode dizer bem de um modo injusto. O amigo que vai lá escrever uma impressão positiva, mesmo que não seja tão positiva. No fundo, proibir julgar é proibir todas as formas de divulgar, bem ou mal, justa ou injustamente, a sua opinião. Impensável.

Vejamos agora a proibição de julgar subjetivamente. Trata-se de um pleonasmo se não me engano. Subjetivamente subentende que está associada a relação com o sujeito. Um julgamento impregnado da perspetiva do sujeito, que é o indivíduo. Ora eu não tenho conhecimento de um julgamento que seja objetivo, visto não ser possível "despir" o indivíduo (o que julga) da sua experiência, vivência, disposição, conhecimentos, etc. Portanto, a meu ver, pedir que não haja julgamento subjetivo é, na sua essência, não saber sequer o que um julgamento, ou ainda não saber o que se estar a pedir.

É claro que ir a um blog, ou outros sítios da internet, formas imediatas de comunicação, escrever algumas coisas tem os seus lados positivos e negativos. Um restaurante tira muitos proveitos quando há muita gente a dizer bem. E para o impulso à abertura, então, nem se fala. Nesta perspetiva, é uma ótima ajuda.
Mas claro que se pode ir dizer mal, sendo justo ou não. E aí há sempre o direito de resposta. Mas haverá a capacidade de argumentar? Com muitas "vedetas", creio que não. Com outras claro que sim.

Mas afinal, porque é que alguém não pode divulgar, que comeu francamente mal num restaurante conceituado (por exemplo)?
É comer e calar? Os mitos não se pode desfazer? A qualidade está todos os dias "top" nesse restaurante? Se tem má impressão é porque não entende nada disso e só pretende difamar?

Por último, lembro que em França, como em Portugal, a difamação
está prevista no código penal e existe pena concreta aplicável nesse caso. Afinal, a democracia pode funcionar. Até mesmo para se fazerem petições nonsense.
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De Paulina Mata a 29.08.2014 às 12:03

Pois... concordo com tudo o que diz.
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De Carlos Moura Carvalho a 30.08.2014 às 19:06

Sinceramente percebo a razão das "pérolas". Muitas e muitas vezes os blogs de comida constituem uma opinião pouco credível. Para além da subjetividade inerente ( que se aceita), são frequentemente pretensiosos, parciais e pouco isentos.
Aceitam refeições pagas, oferecidas pelos locais que visitam, elogiam quem preferem. Idolatram-se e idolatram. Favorecem quem os favorece e os promove.
Não são obrigados a respeitar regras deontológicas e por isso muitas e muitas vezes as suas opiniões são difamatórias.
Há blogs e blogs de comida. Como em tudo. Há qualidade, educação e honestidade intelectual. E falta de tudo isso.
Não me choca uma pérola, como as que refere.
Eu preferiria ignorar. Mas a opção tomada por certos chefs de não estarem para aturar "comentadores" sem nível tem de ser respeitada. É frontal e assumida. É legítima e clara. Não é hipócratica, nem condicionada.
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De Virgílio Gomes a 31.08.2014 às 00:15

Muito bem Paulina. Num tempo moderno não se entendem estas atitudes.
Bjos
Virgílio
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De Filipa Gonçalves a 31.08.2014 às 03:21

Creio que se os bloggers estão a incomodar tanto certamente é porque estão a fazer um bom trabalho.
Só incomoda quem tem importância para incomodar.
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De Filipe a 01.09.2014 às 13:05

Aí é que está.
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De Paulina Mata a 21.09.2014 às 15:11

Um bom post do Jorge Guitián de certa forma relacionado com este assunto:
http://gourmetymerlin.blogspot.pt/2014/09/la-mala-reputacion.html

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