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Eleven abre filial no Rio de Janeiro

por Duarte Calvão, em 31.03.15

 

Os sócios são diferentes dos do restaurante lisboeta, mas o chefe é o mesmo - Joachim Koerper -e o nome também. Se tudo correr como previsto, dentro de poucos meses vai abrir na Zona Sul carioca uma “filial” do Eleven no lugar onde actualmente funciona o Oro, recém-galardoado com uma estrela Michelin, no bairro do Jardim Botânico, do chefe Felipe Bronze. Aliás, este chefe brasileiro comprou as marcas Oro e Pipo (um local mais informal, que funcionava na célebre Rua Dias Ferreira, no Leblon) ao empresário Eurico Carvalho da Cunha, dono dos espaços onde Koerper actualmente está no Rio de Janeiro, o Enotria, na Barra da Tijuca, e o Uno, no Centro da cidade.

 


Passei quase todo o passado mês de Dezembro no Rio de Janeiro e fiquei extremamente decepcionado com a evolução gastronómica da cidade, aonde vou normalmente de dois em dois anos, com as óptimas excepções do Lasai, do chefe Rafael Costa e Silva (ele estará no Peixe em Lisboa e no Sangue na Guelra deste ano), que, apesar de ter aberto há menos de um ano já ganhou uma estrela Michelin, e precisamente do Pipo, uma inteligente e saborosa revisitação da conhecida “comida de boteco”, típica da cidade. Parece que agora o Pipo, que está fechado, vai mudar para um centro comercial. Para já, não se sabe para onde irá morar o Oro, um restaurante muito interessante, onde jantei muito bem há uns três anos, mas espero que Felipe Bronze, que esteve no Peixe em Lisboa 2013, continue o bom trabalho.


Para Joachim Koerper, a mudança de local vai ser importantíssima, já que o Enotria, apesar das boas críticas que recebeu, era demasiado longe da Zona Sul para conseguir atrair o seu público-alvo, assim como o Uno parece mais vocacionado para os almoços de negócios (não abre ao jantar), dado estar numa parte da cidade onde se localizam muitas empresas e escritórios. Se tiver equipa e condições, creio que o Eleven carioca irá destacar-se e a Joachim Koerper parece não faltar vontade de prosseguir uma carreira de cozinheiro que iniciou aos 14 anos de idade.

 

Foto: epicurian-traveler.com

 

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publicado às 09:23


7 comentários

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De teixeira a 02.04.2015 às 11:54

Duarte, em comentários anteriores, manifestei minha inconformidade com a pouca opção de bons restaurantes no Rio de Janeiro, meu domicílio, embora viva mais por cá. Quem apostou em tornar mais, digamos, chique, a "nossa comida de boteco " se deu bem. Porém, o panorama ainda é desanimador. Para comer bem, só se pegar um avião e ir até a cidade de São Paulo. Tive uma ida, não frustrada, à filial carioca do Rubayat , nem tanto pela excelência dos bons bifes grelhados, todavia, porque incrustado no Hipódromo da Gávea, a paisagem é deslumbrante, sem bairrismo. Mas, aviso aos navegantes, cobram preços de Michelin 3 estrelas.
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De Teixeira a 03.04.2015 às 10:06

Duarte, essa semana fui a Paris, por conta de uma exposição no Gran Palais sobre Velásquez. Óptima. Pode ser até que surja em Lisboa o Robalo assado à Velásquez. Jantei, uma das noites, como sempre, no mesmo bistrô que frequento faz mais de 20 anos. A casa é de 1901. Paris ainda transpira cultura.
Esse intróito é para completar o que penso quanto ao quadro, desolador, a meu juízo, da cena gastronómica da cidade do Rio de Janeiro.
Capital até 1960, tínhamos uma cozinha com forte influência portuguesa e éramos o centro difusor da cultura no Brasil. Exemplos de restaurantes, só para mencionar, foram a Confeitaria Colombo, O Timpanas , O Rio Minho, O Adegão Português e, paralelo, alguns redutos de uma boémia , como o Fiorentina, embora sem maior qualidade, na então vibrante Copacabana, logo substituída por Ipanema. Excepção ao Copacabana Palace, produtor dos bons pratos franceses.
Com a ditadura militar, foi possível atribuir-se, sem mais delongas, isto é, sem concorrência, e prenhe de facilidades, a um grupo empresarial, o monopólio da "cultura" do país, especialmente a do Rio de Janeiro, sede da Rede Globo. A emissora apoiou, é claro, fortemente os militares, apeados do poder só após 25 anos.
O Rio, já debilitado, pela perda de caixa de ressonância, com o deslocamento do centro de poder para Brasília, entrou em colapso, do qual nunca mais saiu. O que se tem hoje, gostem ou não os meus conterrâneos, é a ascendência de um único vector para divulgar e impor usos e costumes na cidade, inclusive, o gastronómico: a Rede Globo. De novelas ao futebol, aos programas de auditório, e tudo mais, tem que passar pelo sinal da emissora e virar verdade e "criar" uma pseuda "cultura".
Resumo: entre outros aspectos, as pessoas não vão comer bem. Procuram, os que podem, os oros ", os troisgos " ou a sudbrack (esta uma desconhecida que surge das panelas do Palácio do Planalto, após muitos anos com a credencial de ser cozinheira de um presidente da república). Os clientes querem estar em contacto com as personalidades globais. Atores, actrizes , cantores, apresentadores, noticiaristas etc. Isto é, ver e se, puder, ser visto.
Traço um paralelo grotesco. Se o finado Tavares tinha a mesa de Eça, ou de Pessoa, ou de ..., nós temos um baluarte no Leblon da restauração carioca com a mesa do Roberto Carlos, da Ivete Sangalo , do....
Comer bem, repito, não é relevante, é só um detalhe. O que conta é a exposição para as colunas ditas sociais ou revistas cor de rosa. Tudo isto, agora, regado pela praga das fotos in loco", por conta dos possantes e incómodos Smartfones .
Portanto, vivemos de modismos e seguidas aventuras de alguns cozinheiros passageiros. Daí o crescimento dos botecos chiques, para quem não pode pagar a conta salgada de um restaurante. Quando você voltar, o quadro será o mesmo ou pior. Quem viver, que é o teu caso, verá.
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De Duarte Calvão a 03.04.2015 às 15:05

De facto, Teixeira, é para mim incompreensível que numa cidade que possui um numeroso grupo de pessoas viajadas, cultas e com bons recursos financeiros, que são cobiçadas como clientes por qualquer restaurante do mundo, não haja uma oferta gastronómica à altura. E não me refiro só a restaurantes. Nas lojas e mercados, é quase impossível encontrar peixe decente, queijo decente ou até pão decente. Já nem falo de outros produtos menos comuns. Ou que uma cidade que era conhecida pela cortesia dos seus habitantes esteja agora algo abrutalhada, como se vê pelo serviço em muitos restaurantes. Com honrosas excepções, claro, com particular destaque para os cearenses. Mas, mesmo assim, como sou optimista, acho que é uma fase e que de futuro, os cariocas, também na gastronomia, vão deixar de apenas continuar encantados consigo próprios e com a sua esplêndida cidade e vão resolver estes e outros problemas.
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De Teixeira a 16.04.2015 às 10:07

Duarte é estarrecedor. Leia, se tiver tempo, no site www.oglobo.globo.com , de hoje, que os restaurantes estrelados pelo Guia Michelin no Rio de Janeiro, Oro e Lasai foram autuados, por operação do órgão fiscalizador Procon ), por terem alimentos vencidos em suas despensas.
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De João Faria a 17.04.2015 às 14:35

Deparei-me ontem com essa notícia e fiquei um tanto ou quanto chocado. No caso do Lasai já li as justificações, e não me parecem plausíveis. Se a questão das etiquetas é, de facto, ilusão de facto que todos os restaurantes praticam, a falta de atenção para a substituição das mesmas a tempo e horas mostra desleixo e um descuido inqualificável. E o facto de terem inegavelmente produtos fora do prazo de validade é vergonhoso. Não estamos a falar de questões menores...
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De Teixeira a 18.04.2015 às 13:23

Prezado João Faria, não menos vergonhosa é a explicação do Oro. Se me permite ponderar. Convenhamos que se os hambúrgueres eram de um restaurante, do mesmo proprietário, fechado, se não estou em equívoco, fazia uns 60 dias, o que estavam a fazer no estrelado do Sr. Bronze? À espera de quê? Reforço, com esse acontecimento, que o Guia Michelin não é confiável fora da França e que a gastronomia do Rio de Janeiro, mesmo nos ditos estrelados, está a se tornar caso de saúde pública. Daí o meu conselho de se pegar um avião e ir para a cidade de São Paulo para se comer bem.
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De Teixeira a 20.04.2015 às 11:31

Em contrapartida, a modesta Caldas da Rainha, se medida frente à magnitude do Rio de Janeiro, pode se orgulhar de ter um restaurante, mencionado nesse blog, de comida italiana, onde estive, ontem, domingo 19, para jantar, um primor de elegância, asseio e bons pratos. E, mais uma vez, o casal comeu pelos tais 80 Euros. Com direito a copo de espumante, entradas, pratos, sobremesa etc. Casas de banho impecáveis, salão bem confortável, carta de vinhos completa etc. Pena para mim, que não conduzo, nem os meus humores, ficar a quase 90 quilómetros de nossa casa.

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