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carreBorrego.jpgDentro do prazo previsto, abriu na semana passada o Eleven do Rio de Janeiro que, tal como o original lisboeta, tem a chefiá-lo Joachim Koerper. Falei com ele ao telefone e vi que estava muito contente com estes primeiros dias de funcionamento e com a repercussão mediática que obteve, como aqui se pode ver. Em Junho, tinha estado com Koerper na ilha da Madeira, a convite do lendário hotel Reid’s, onde ele é agora chefe consultor do renovado restaurante William, com a sua fantástica vista sobre a baía do Funchal.

 

 

A minha principal dúvida, tal como a de, calculo, muita gente, é como Joachim Koerper vai ter tempo para se dividir por dois continentes, com uma paragem no meio do Atlântico. “O Eleven Lisboa é a minha casa, mas tenho que dar atenção ao Eleven Rio, principalmente nestes primeiros tempos, e também ao William, embora confie muito no trabalho do Luís Pestana (na foto, em baixo, à esquerda), o chefe executivo do hotel”, explica o chefe germano-lisboeta-carioca-funchalense.

 

JoaquimReids.jpgDevo dizer que tive um óptimo jantar de apresentação do restaurante, agora renovado, que foi baptizado com o primeiro nome de William Reid, o escocês que fundou o hotel em 1890. Apesar de já conhecer a cozinha de Koerper há muitos anos (fiz mesmo um livro com ele, publicado em 2005, com óptimas fotografias de Nuno Correia), confesso que fico sempre um pouco surpreendido com a segurança e a qualidade com que ele elabora novos pratos para novos restaurantes, em novas cidades, com novas equipas, muitas vezes com novos produtos.

 

Não sei como será no novo Eleven Rio, mas a julgar pela experiência que tive no Enotria, o antigo restaurante de Koerper na cidade, parece-me que ele conseguirá tirar todo o partido da realidade em que se move, quer em termos de equipa quer em termos de produtos, dois “obstáculos” muito grandes para quem quer triunfar no Rio de Janeiro.

 

Voltando ao Funchal, este pragmatismo profissional de Koerper ficou bem patente na utilização de produtos locais bem conhecidos pela sua qualidade em pratos como sinfonia de atum em tataki e tártaro (20,50 euros), pargo real meunière (34 euros), leitão confitado com chutney de tomate, maracujá e batata ponte nova (31 euros), soufflé de maracujá (14,5 euros) ou ravioli de banana e gelado de cumaru (designação brasileira da fava tonka). Esta última sobremesa (na foto, em baixo) foi provada e aprovadíssima no jantar de apresentação, mesmo por pessoas que como eu que não apreciam banana cozinhada. Também provado, com êxito igualmente retumbante, o leitão confitado, que aliás tem uma versão no Eleven carioca.

Ravioli_banana.jpg

Mas Joachim Koerper é um chefe que, felizmente, tem os pés bem assentes na cozinha clássica e não dispensa os “grandes produtos”, dando-lhes sempre o seu tratamento pessoal. Por isso, o referido jantar começou com cannelloni de foie gras com chocolate, pipoca e beterraba. Teria dispensado as pipocas, que vinham num pequeno cone de papel, mas acho que na mesa só eu é que não gostei. Absolutamente deslumbrante foi a sopa de agrião com brandade de bacalhau e quase tão bom o prato seguinte, não fosse o peixe estar um pouco “passado” de mais para meu gosto, o salmonete, lulas, caviar de beringela, emulsão de leite de amêndoa fumada. Geralmente, o peixe presente no restaurante funchalense é o excelente rascasso, também conhecido como rocaz, estranhamente ausente de quase todas as mesas portuguesas.

 

Vários outros pratos constam da lista do William e fiquei com vontade de provar vários, a começar pelo gaspacho de tomate e cereja com lagostim (18 euros), o peixe-espada com polenta cremosa, emulsão de presunto pata negra o carré de cordeiro com polvo, tomate confitado, gnocchi de limão e molho de caril (34 euros) - este, de facto, já provei no Eleven Lisboa e é simplesmente sensacional (na foto de abertura do post) -, o tournedos black angus "Rossini" reinventado (39 euros) ou o créme brûlée de queijo fresco e sorvete de tomate arbóreo (14,5 euros).

 

O restaurante apresenta também menus degustação a 74 euros, 98 euros (mais extenso) e ainda um menu de lavagante (160 euros), marisco que fascina Koerper desde sempre (um exemplo, na foto em baixo), que já o apresentava, variando semanalmente, no Girasol, na zona de Alicante, restaurante onde esteve 15 anos antes de vir para o Eleven Lisboa e onde conquistou duas estrelas Michelin.

 

lavagante.jpgJoachim Koerper afirma que foi atraído para o Reid’s pelo renome do hotel e pelo desafio de trabalhar na Madeira, mas considera que foi decisivo o entendimento com Ciriaco Campus, o italiano que dirige o hotel. “O mais importante para mim é encontrar pessoas de quem gosto, como ele e o Luís Pestana, com quem consigo estabelecer boas relações profissionais e pessoais”, afirma. “Renovar o restaurante de um hotel como o Reid’s é uma proposta que encanta qualquer chefe do mundo”.

 

 

 

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publicado às 17:05



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