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Começa hoje no Vila Vita Parc, em Porches, Algarve, o Fine Wines & Food Fair. O evento engloba 4 jantares, uma Kitchen Party com feira de vinhos e gastronomia e vai envolver mais de duas dezenas de chefes convidados, bem como uma série de profissionais ligados aos vinhos e à gastronomia vindos de vários países.

 

 

Os 4 jantares, que se realizam no restaurante Ocean (de Hans Neuner, 2** Michelin) estarão a cargo de chefes todos com 3 estrelas Michelin. Esta 4ªF entrará em acção Jonnie Boer, do  Librije, Zwolle, Holanda (nº29 da lista do World 50 Best Restaurants). Depois, amanhã, 7 de Maio, será a vez de Gert De Mangeleer, do Hertog Jan, Bruges, Bélgica e, na 6ªF, dia 8, Klaus Erfort, do Gaestehaus-Erfort, Saarbrücken, Alemanha. O evento fechará com Jacob-Jan Boerma, do De Leest, Vaassen, Holanda, no domingo dia 10

 

Os jantares com um menu de 5 pratos (mais a habitual parada de amuse bouches) e harmonização de vinhos custa 295 euros, para uma lotação de 30 pessoas. 

 

Já no Sábado, dia 9, terá lugar a Kitchen Party e Feira de Vinhos e Gastronomia e, para este dia especial do evento (com lotação para 300 pessoas - 225 euros/pax), o anfitrião Hans Neuner convidou uma série de chefes de Portugal, como Dieter Koschina, Ricardo Costa, Leonel Pereira, Vincent Farges, Pedro Lemos, Miguel Laffan, Joachim Koerper, Vitor Matos, João Rodrigues, Benoit Sinthon, Rui Paula, Yves Michoux e Raúl Cachola (os dois últimos chefes pasteleiros) e ainda Juan Amador (3***), Karlheinz Hauser (2**), da Alemanha; Roland Trettl (Itália), Gert Mangeleer (***3), Bélgica, e Yoshinori Ishii (Inglaterra), entre outros.

 

Associados ainda ao evento vão estar os produtores de vinhos, Herdade do Grous, Rozès, Barbeito, Soalheiro, Wine & Soul, Quinta do Lemos, Weingut am Nil (Alemanha), Wiengut Tement (Áustria); Juve y Camps (Espanha), Niizawa sake (Japão), Pommery e Chanson Père et Fils (França), entre outros. Haverá ainda para degustar produtos da Cacao di Vine, Iguarias de Excelência, A Queijaria e Joselito. 

 

Para reservas ou informações contactar: events@vilavitaparc.com

 

O Mesa Marcada associa-se ao Vila Vita neste evento e relatará aqui o acontecimento. 

 

 

 

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publicado às 12:45


15 comentários

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De Anónimo a 07.05.2015 às 08:03

Estes eventos já se começam a tornar fechados. Vivem para os próprios especialistas (chefs, críticos, imprensa).
A sensação que tenho é de que os comensais comuns (mesmo os endinheirados) já não estão com paciência para andar a trás das últimas das vedetas da cozinha. O que querem mesmo é ir a um bom restaurante e comer bem. E pronto.
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De João Faria a 08.05.2015 às 02:07

No seguimento do comentário anterior, de facto coloco-me a questão sobre qual a percentagem de "comuns comensais" portugueses (não estando ligados à área da gastronomia/vinhos) amantes da alta-gastronomia, que frequentam este tipo de eventos. Se numa Rota das Estrelas é mais fácil o acesso aos eventos, quer pelo estilo de evento e pelo facto de promover uma melhor comunicação, quer pelas questões geográficas, parece-me que este género de eventos, no Algarve, terá um público distinto. Tentando adivinhar, diria que a percentagem é bastante pequena. Mas possivelmente estarei enganado. Apenas uma divagação.
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De Miguel Pires a 08.05.2015 às 19:21

Não tenho muito o hábito de trocar impressões com quem opina mas não tem a amabilidade de se identificar, mas tudo bem, não fujo ao assunto, sobretudo porque o comentário de João Faria volta ao tema.

Este tipo de eventos, ainda que se tenham replicado, sobretudo, nos últimos anos, existem há muito um pouco por todo o mundo.

Cada um tem as suas especificidades mas partilham algo em comum. Uma boa parte são dirigidos aos clientes (ou potenciais clientes) de um hotel ou de um restaurante de topo, sendo a imprensa um veiculo de comunicação importante para espalhar a mensagem, daí os convites. Não me parece que haja nada de novo ou fora do normal nisto, a não ser que apareceram novos emissores, como os blogues, redes sociais e afins. A propagação da notícia é importante para quem faz o evento e, por sua vez os leitores deste ou daquele meio querem ler sobre o mesmo. Ou seja é aquilo que em economês se refere como uma relação "win-win".

Quanto aos pagantes versus convites, depende do evento, da sua dimensão e do objectivo. Por exemplo nos jantares deste Fine Wines and Food Fair , no Vila Vita , que tenho relatado, a imprensa presente é minima e outras ofertas, apenas uma ou duas mesas para patrocinadores. Ou seja, 60 a 70% são clientes do hotel ou do Ocean, ou vieram de propósito - alguns com reservas feitas há muito tempo, segundo me informaram.

Ao contrário do que se possa pensar há um nicho de pessoas no mundo - ou seja: um número ainda considerável - que quer vir a este tipo de eventos e está disposto a pagar (quase) o que for necessário, nomeadamente a comunidade estrangeira radicada no Algarve, dado que pouca coisa acontece aqui fora da época alta.

Por exemplo estou convencido que amanhã tal como aconteceu há 2 anos quando o Vila Vita fez a primeira kitchen party ", o espaço com capacidade para 300 pessoas vai encher e o número de pessoas que vai pagar superará largamente o número de convidados da casa. O mesmo poderia dizer de algumas etapas da Rota das Estrelas, como a inaugural no Porto Bay , no Funchal, que se tivesse possibilidade venderia o dobro ou o triplo dos lugares. Ou ainda de um projecto como o Sangue na Guelra, que esgota pouco depois de ser anunciado, e que depende bastante da "bilheteira" para cumprir o orçamento. Portanto, mais do que de sensações, é importante conhecer os factos. E pronto.
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De Carlos Alexandre a 08.05.2015 às 21:37

Na continuação da não polémica, mas sem querer criar polémica, deixo aqui um comentário de alguém dos restaurante mais premiados pela Michelin e pelos comentadores:

"Eles (comentadores) vêm aos eventos, e, claro chamam clientes, mas nunca os vi cá virem a pagar a conta."

Não quero dizer que isto esteja certo ou errado, seja verdade ou mentira, seja natural ou forçado. Quem sou eu para opinar nestes sentidos.

Mas enquanto consumidor, há muito que me sinto enganado em relação ao que se pode esperar de restaurante/eventos, quando não vamos ao episódio piloto que fica descrito na imprensa. Como nos últimos anos a experiência tem sido muito amarga, prefiro, cirurgicamente, optar por todos os restaurantes que não participam no tipo de iniciativa descrito neste post.

É como diz o anónimo: o que eu quero é comer bem.
Escolho um bom ambiente, pago o que tenho a pagar, e deixo aos outros o prazer de patrocinar a máquina de fazer dinheiro.

Sei que o que digo é muito aos estilo "enfant terrible", mas exteriorizo o que vai na alma de muita gente.

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De teixeira a 09.05.2015 às 11:04

Aplaudo e aprovo o vosso comentário Carlos Alexandre. Acrescento, porque observo, a prudência de alguns comentadores e críticos em relação a não magoar aos "apóstolos" da gastronomia, mesmo quando a reprimenda do cliente é consistente. Normalmente, o silêncio é a única manifestação. "O que eu quero é comer bem". Até 80 Euros por casal, em Portugal.
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De Carlos Alexandre a 09.05.2015 às 16:43

Caro Teixeira, trata-se mais de um desabafo propriamente dito do que uma crítica.
Sinto melancolia no que toca a comer fora, resultado do excessivo e incompreensível mediatismo à volta do assunto.
Claro que a informação é importante, mas hoje em dia a que nos chega acaba por nos desinformar.
Nada a ver com este blog em concreto, que visito com regularidade, assim como outros, mais ajustados à minha maneira de ser.

Quanto a comer fora por até 80 euros, a dois, sim é possível, mas também tem de haver muito cuidado na seleção. Também tem sido essa a minha postura. Sinceramente nem tanto pelo valor em si, mas sim pela relação preço/satisfação.
Valores acima dos 100 euros, só quando gente comum me transmitem as melhores recomendações.

Deveriam existir algumas regras, a meu ver:
1) o chef de um restaurante que vive do seu nome, deveria estar SEMPRE presente;
2) as refeições de apresentação a "comentadores" deveriam ser rigorosamente representativas da ementa disponível todos os dias;
3) os eventos especiais deveriam ser dirigidos essencialmente ao público em geral, não se focando estrategicamente numa estratégia publicitária;
4) o controle de qualidade, no dia a dia, deveria ser "fiscalizado" por quem está na envolvente do restaurante, de modo a garantir um padrão que nos garanta uma boa experiência;
5) etc.


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De teixeira a 10.05.2015 às 15:04

Novamente plenamente de acordo. Excepto em frequentar outros blogs assemelhados, que, de fato, como você, estariam mais ajustados a minha maneira de escolher ser. Mas, sem ironia, o Mesa Marcada tem grife. Em um desses dias, um comentarista, assíduo, descreveu o périplo que havia feito por restaurantes anglo-saxónicos Um espectáculo de luxo, que somente aqui posso encontrar. Afora, existem os bens urdidos posts dos gerenciadores do espaço. Há um, só para mencionar, para o Atala que me pregou um baita susto. Pensei que era um obituário. Um dia serei expulso por acúmulo de cartões ou vermelho directo . Até lá, a zona de conforto do Miguel e do Duarte contará sempre com o meu olhar atento.
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De João Faria a 09.05.2015 às 17:44

Felizmente que se come bem em muitos espaços por este país fora. Creio que nestes eventos procura-se algo mais, espera-se que nos proporcionem toda uma experiência gastronómica. Muitas vezes só assim se tem a possibilidade de conhecer novos chefs (e suas criações) que de outra forma estariam a várias centenas de quilómetros (e euros) de distância. Felizmente, nem todos os eventos do género custam 'os olhos da cara'.

Não é por serem experiências gastronómicas que a avaliação não deve ocorrer, pelo contrário, talvez deva ser ainda mais rigorosa, tal é a expectativa do comensal. Concordo com o facto de muitos dos nossos críticos limitarem os comentários negativos, o que acontecerá por diversas razões. Recordo ter jantado num (ex-)michelin "badalado" pela crítica... foi uma experiência a não repetir. Por pouco que não saí de lá a escrever no livro de reclamações, tal foi o descaramento que tiveram em me mentir literalmente depois de cometerem vários erros imperdoáveis. A verdade é que nesse mesmo ano perdeu a estrela. Mas bem... este já é um outro tópico.
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De Carlos Alexandre a 09.05.2015 às 21:44

A questão centra-se na falta de experiência gastronómica nestes locais dos eventos, em dias normais. A experiência limita-se a existir nos eventos limitados no tempo e no espaço, que não será a oportunidade disponível ao comensal comum.

O que não quer dizer que não hajam alguns restaurantes estrelados, menos badalados (win-win), e que ainda me possam proporcionar exímias experiências. O que nunca acontece nos que foram objeto de eventos de marketing. Experiência minha, que se calhar sou homem de pouca sorte.
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De João Faria a 09.05.2015 às 01:03

Caro Miguel Pires, obrigado pela sua muito esclarecedora e detalhada resposta. Sendo este um assunto que me interessa até por razões académicas, confesso que comentei já na expectativa de obter uma réplica sua.

Ainda em relação aos públicos deste género de eventos, a minha questão teve origem na diferença de comunicação que existe entre este e outros eventos, como a Rota das Estrelas ou até mesmo o Festival Internacional Gourmet. Neste caso deparei-me com a informação já em cima da data, e apenas através deste seu blog, o que me sugeriu que a necessidade da organização promover este evento na expectativa de cativar novos públicos não será muita. Talvez porque, como disse o Miguel Pires, está mais direccionado para clientes do próprio hotel e do Ocean, espaços que utilizarão os seus próprios canais de comunicação.

Já a Rota das Estrelas, por exemplo, tem um comunicação mais activa. Não me esqueço que foi pela rádio, enquanto conduzia, que fui relembrado da proximidade da data do 1º evento que ocorreu no The Yeatman, creio que em 2011. Foi graças a esse lembrança que não deixei para depois a reserva no jantar.

Ainda bem que a Mesa Marcada está presente. Continuarei deste lado a acompanhar e a desejar ter provado esses belos pratos!



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De Paulina Mata a 10.05.2015 às 22:56

Interessante a conversa! Muitos assuntos… nem sei por onde começar. Se calhar pelo mais simples: o limite de preço para uma refeição. Não tenho, não consigo estabelecer… A bolsa não suportará muitas (infelizmente nem poucas) refeições muito caras. Mas relativamente ao preço que estamos dispostos a pagar, tudo depende do que pretendemos de uma refeição. Passar um bom bocado? Conviver com os amigos? Comer algo agradável? Uma refeição que nos estimule para além dos sentidos? Todas elas têm valores diferentes, que serão determinados pelos nossos interesses.
Muitas das refeições que me deram muito prazer, e com que aprendi muito, foram muito baratas. Por vezes pago valores que em absoluto não são muito caros, mas que de facto o são para o que me oferecem. Refeições mesmo muito caras, aí o objectivo é dar atenção ao que como, perceber o que como, do ponto de vista dos sabores, mas também das mensagens e emoções que me transmitem. Não são refeições para grupos, para conviver, para conversar. Idealmente vou sozinha.
Pois não tenho limites de preços em casos considere que se justifica, posso estar disposta a pagar muito. Mas para se justificar, são necessárias algumas condições. E uma delas é estar interessada em algo mais para além dos sabores. E muitas vezes determinados factos sobre um dado chefe, ou o seu discurso, fazem com que me desinteresse.
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De Carlos Alexandre a 11.05.2015 às 13:51

Boa tarde Paulina.

Retirando o fato de ir sozinho a algumas refeições especiais, já que preciso sempre de alguém (idealmente mais uma pessoa) para usufruir a plenitude do momento, revejo-me a 100%, mas mesmo mesmo a 100% em tudo o disse neste texto.

Talvez tenha processos de seleção diferentes, talvez a proporção entre refeições mais normais e outras seja diferentes, talvez os canais de informação também sejam diferentes. Mas o que descreve é também, na sua essência, a forma como assumo a vivência da gastronomia.

Em relação ao que diz no texto a seguir, a falta de tempo impede-me de me pronunciar agora. Mas que quero "saborear" a sua visão, quero, com calma, e alguma meditação à mistura.
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De João Faria a 12.05.2015 às 16:26

Não poderia estar mais de acordo com a professora Paulina.

No entanto, tal como o autor do comentário que me antecede, destaco a parte em que a professora afirma que, para desfrutar de certas refeições, prefere ir sozinha.

Em Portugal, confesso, tenho algum constrangimento em fazê-lo e, por outro lado, acredito que o tipo de refeições que aqui falamos são mais bem desfrutadas quando se está acompanhado, tendo em conta que "a felicidade só é real quando partilhada", como escreveu Christopher McCandless.

Curiosamente (e facilmente explicável), quando a máscara de "turista" está colocada, as liberdades a que me permito são outras, tendo em conta que existem oportunidades únicas que não se podem perder. Em Portugal, o constrangimento de jantar sozinho nestes restaurantes ainda fala mais alto. Até um dia. O comentário da professora deu-me algum alento.

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De Paulina Mata a 10.05.2015 às 23:15

Entendo o que discutem sobre os "comentadores". De facto sinto-me com um pé de um lado (o dos consumidores) e outro do outro (daquilo a que chamam comentadores). Não vivo disso, mas de vez em quando escrevo. Mas a maior parte do tempo, sou uma consumidora normal. Gosto de escrever ocasionalmente, não gostaria de o fazer para viver. Tenho medo que me tirasse a visão de consumidora (que muito aprecio), que me reduzisse a liberdade, que banalizasse experiências que não gostaria que fossem banalizadas, que a obrigação reduzisse o prazer. Acho que é importante, quando se escreve, ter o pés na terra e a noção da realidade e que é fácil perdê-las, quando sistematicamente não se paga o que se come, quando se banaliza o que não é para ser banalizado.

Gostava de poder escrever sempre sobre refeições que eu própria pagasse. Porque são as refeições de que gosto mais – escolho o local, escolho o que como, pago – e isso dá um valor diferente. Infelizmente não posso. Escrevo indistintamente sobre refeições que pago, e que não pago.
Sobre os convites, nem sempre aceito, não vivo disto e tenho que trabalhar naquilo que me pagam para fazer (e que também gosto muito de fazer). Se são coisas sobre as quais à partida sei que não me interessa escrever, também não aceito. Sobre os que aceito, por vezes escrevo, por vezes não, por vezes escrevo logo, outras demoro muito tempo até escrever. Quando vou, por respeito para quem me convida (restaurante e/ou agência de comunicação – ninguém está a brincar e não me convidam para uma festa) tento analisar tudo o que se passa, avaliar todas as componentes. Por vezes há componentes mais interessantes até do que a comida. Nesses casos são essas que destaco. Por vezes levo muito tempo até encontrar a abordagem a seguir, porque considero que uma descrição de uma refeição é pouco. Tenho que pesquisar mais, encontrar outras componentes.
Os convites, também variam, pode ser para uma mesa grande de convidados (uns comunicadores, outros não tanto), ou para refeições mais “normais”. Também devo dizer que prefiro situações mais próximas de uma refeição normal. Não gosto de grandes grupos, onde há demasiada conversa e por vezes se perde o foco.
Não me sinto obrigada a escrever mas, como disse atrás, ninguém me convidou para uma festa e devo respeito a quem me convida. Mas de facto nem sempre escrevo. Porque às vezes não consigo encontrar componentes que o justifiquem. Ou por outras razões, às vezes até porque não consigo em tempo útil e depois perde a oportunidade (não devia ter ido… mas nem sempre consigo prever)… Uma coisa posso afirmar, não digo nunca aquilo que não senti. Ou seja, não digo que algo foi excelente se não foi. Mas devo dizer que de facto não sou crítica e portanto permito-me viver as refeições com todas as emoções eventualmente envolvidas. Não tenho dúvidas que elas interferem na percepção a refeição. Sei que por vezes as transmito naquilo que escrevo. Sei que elas poderão não ser uma componente na experiência de outra pessoa. Mas não sou crítica, e escrevo porque gosto de partilhar conhecimentos e experiências.
Não digo mal em geral. Mais uma vez, não faço crítica, e sobre más experiências não me apetece escrever. Relativamente às refeições para que sou convidada, raramente são más, pode haver uma ou outra coisa menos boa. Também não se justifica estar a dizer que o prato tinha sal a mais, da próxima não terá possivelmente, basta dizer no restaurante.
Mas é também importante aprender-se a ler o que nos aparece pela frente. É importante sobretudo ter consciência de que se escreve sobre uma refeição. Quantas vezes já foram a um restaurante e foi óptimo (porque de facto foi, ou porque estavam bem dispostos no dia) e quando voltam nada é igual? A mim já me aconteceu muitas vezes. Há tempos pedi um conselho sobre um restaurante onde ir noutra cidade. Deram-me, fui procurar na internet e as referências eram todas muito positivas. Fui e … foi para esquecer. Não correu mal naquele dia – os pratos que comi eram maus, mal concebidos, desinteressantes. Estavam todos enganados? Acho que não, eu se calhar não escolhi bem, se calhar o meu gosto é diferente. Não acredito que haja sempre um complot para enganar o público ou defender chefes.
Isto já vai longo, mas talvez volte. Há mais que discutir...
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De teixeira a 11.05.2015 às 19:06

Prometi a mim mesmo que não mais escreveria. Todavia, a vossa intervenção, lúcida e equilibrada me estimulou. Para felicidade de tantos, me despeço, não da leitura, porém de comentar. Não sem antes, por dever de ofício, resgatar três, que me parecem sintetizar, como é característico aos bons escribas, assertivas do vosso texto:

- "Não vivo disso, mas de vez em quando escrevo";
- "Gostava sempre de escrever sobre refeições que eu próprio pagasse." e
- "Não acredito que haja um complot para enganar o público ou defender chefes".
Parabéns, pela integridade, e, me permita, pela boa fé!
Cumprimentos.

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