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photo 1.JPGNa recente deslocação ao Porto, para os prémios dos Melhores do Ano, da revista Wine, aproveitei para praticar três dos desportos que muito aprecio: palmilhar a cidade a pé, observá-la nos seus detalhes e fazer elevações alternadas com o braço esquerdo - ora utilizando o garfo, ora a colher, o copo, ou até mesmo a própria mão. Neste post deixo algumas considerações sobre 2 restaurantes contemporâneos visitados nesse fim de semana. Noutro post (ou em dois) falarei de um outro restaurante (tradicional) e da ida ao renovado mercado do Bom Sucesso.  

 

#1 Restaurante Astória do Hotel InterContinental Porto

 

photo 4.JPGDepois de um arranque em falso, na parte da restauração, os responsáveis do Hotel InterContinental Porto, situado no reabilitado antigo Palácio das Cardosas, entre os Aliados e São Bento, apostaram no jovem chefe Pedro Sequeira para dar alma e elevar a proposta gastronómica do restaurante Astoria e fugir do  rótulo de "restaurante de hotel" a que muitas vezes são associados os restaurantes das grandes cadeias hoteleiras. Pedro Sequeira é um jovem chef que trabalhou vários anos com Leonel Pereira no Panorama (Hotel Sheraton), em Lisboa, sendo esta a sua primeira experiência à frente de um restaurante. Pelo que vi no almoço em que estive a convite, Sequeira procura fazer uma cozinha com identidade e, embora tenha a preocupação  em ir ao encontro dos clientes (muitos deles do hotel) procura fugir da banalidade de uma certa cozinha internacional indiferenciada (a tal do rótulo).

photo 3.JPG

Do menu de degustação que me apresentou retive um conjunto de pratos bem executados (ou não tivesse tido uma boa escola), com conjugações, em geral, bem conseguidas. Sem puxar demasiado a corda pareceu-me que Sequeira não receia correr alguns riscos - mesmo que aqui ou ali possa acertar ao lado - utilizando mesmo algumas conjugações menos óbvias e um ou outro produto menos visto nas cartas de restaurantes de topo como a truta com carpaccio de choco e puré de aipo bola da foto de cima.

photo 2.JPG

Mas o melhor é que este jovem chef mostrou saber que quando se tem pela frente um produto de excelência, na sua melhor época - como acontece neste momento com o robalo selvagem - é preciso saber tirar partido dele e confeccioná-lo convenientemente (o que não significa escalá-lo e mandá-lo para a grelha, como muitos apregoam). Além disso Pedro Sequeira mostrou saber acompanhá-lo devidamente, com um ligeiro puré de brócolos, espargos glaceados e um leve toque ácido de tomate, acrescentando personalidade ao conjunto (até se perdoa a farinhenta batata roxa que parece estar lá mais pela cor do que pelo sabor). Contudo, o chef tem vários desafios pela frente para levar o Astoria a bom porto, como, por exemplo, o de melhorar o timing entre os pratos, sobretudo, nos dias em que a casa estiver bem composta. Ajuda ter uma equipa de sala esforçada e competente, mas contar apenas com meia dúzia de pessoas na cozinha (em simultâneo, para todo o hotel) obriga a uma grande ginástica, tendo em conta o tipo de cozinha praticada.

 

Contactos: Praça da Liberdade 25, Porto || Tel: (+351) 22 003 5600

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#2 Restaurante Palco - Hotel Teatro 

 

Tal como acontece no Astoria, a uma centena de metros dali, no Hotel Teatro, o lider da cozinha é igualmente um jovem chef (creio que 28 anos): Arnaldo Azevedo. Tal como com Pedro Sequeira, esta é, também, a primeira vez que Azevedo está à frente de um fine dining, depois de ter passado pelo Amadeus, em Almancil (com 1 estrela Michelin até encerrar) e pelo Mesa de Luís Américo, no Porto. Sobre este restaurante Palco recairá a minha crítica do próximo número da Revista Wine (que sairá em Março/Abril), pelo que não me alongo muito. Digo apenas que saí com a mesma boa impressão de há um ano atrás, quando ali estive num jantar de harmonização com vinhos da Madeira. Embora cada um com a sua personalidade, em termos qualitativos, existem algumas semelhanças entre o trabalho desenvolvido por estes dois chefes. Contudo, Arnaldo Azevedo parece-me ter uma vantagem: toda a envolvente mais "cool" do restaurante (à semelhança do hotel) permite-lhe atrair uma clientela mais jovem, informal e (esperemos) aberta a uma cozinha mais ousada. No menu de degustação que experimentei existiram sinais disso mesmo, mas penso que Azevedo tem capacidade para poder ir mais longe. Achei ainda os preços bastante razoáveis, nomeadamente no capítulo dos vinhos. À carta um jantar incluindo bebidas ficará na casa dos 40€, subindo para 55€ e 75€, caso se opte pelo menu de degustação mais curto (5 pratos, 44€) ou mais comprido (7 pratos, 65€).

 

Contactos: Rua Sá da Bandeira 84, Porto | Tel: (+351) 22 040 9620

 

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publicado às 23:30


9 comentários

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De Artur Hermenegildo a 11.02.2014 às 17:29

Falando de chefes jovens, atenção ao Miguel Carvalho,na renovada Casa da Comida.

Jantei lá muito bem a semana passada.
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De teixeira a 11.02.2014 às 19:46

Meu prezado Artur é possível falar de outros tipos de chefes que não jovens? Isto virou regra. Imberbes são alçados, prematuramente, ao "estrelato". Sempre ao abrigo da "vanguarda da degustação de menus", quase sempre povoados de excentricidades e pratos "repaginados"; já escapei, pelas minhas bandas brasileiras, da semana do jiló, do chuchu e até mesmo de um "ceviche de abóbora". Sempre produtos adquiridos por um a dois euros o quilo e vendidos a peso de ouro, prato ou bronze. Esperteza negocial?Basta um curso ali, um estágio acolá e estão prontos. Alguns até se sustentam no ramo à custa do reconhecimento do "iluminismo gastronómico século XXI" de alguns formadores de opinião. Preconceito? Talvez. Ainda bem, só para citar, que ainda existe a "jovem" Tia Alice à frente das panelas. Mas, foram anos de experiência da doce senhora em Fátima para formar a solidez e competência que inspira e transpira o restaurante que dirige com a família. Outros poderia citar. Na verdade, banalizou-se, verbo que peço emprestado a H.Arendt, o conceito de chefe, é minha firme opinião.
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De Artur Hermenegildo a 12.02.2014 às 10:57

É possível, sim. Também é possível falar de automóveis antigos, comentários despropositados e filmes sem idade.

Mas o post do Miguel era sobre chefs jovens, portanto... não sei se está a ver...
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De teixeira a 12.02.2014 às 12:49

O aparente "comentário despropositado" foi publicado por ser o Miguel um democrata. A diversidade, entre outros atributos, a meu juízo, novamente, é um dos componentes do livre pensamento da liberdade de expressão. Como não estou à cata de seguidores, pouco me importa se está a ver ou não. Use-se a moderação, quando couber. Mas, que não aguento mais essa ladainha de jovens chefes, isto é verdade! Nem, por isto, vou deixar de ler o blog e me expressar. E continuar a ser Sporting, apesar de perdermos ontem o derby.
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De Miguel Pires a 12.02.2014 às 14:37

Caro Teixeira, eu entendo o seu comentário. Também já apanhei com alguns excessos de entusiasmo que resultaram mal. Contudo, prefiro um jovem insolente que arrisca, do que outro, que quer ser velho antes de o ser. Saber envelhecer é uma dádiva. Ser velho enquanto novo, é o oposto. Já insistir no disparate (novo ou velho) é burrice. Mas tratemos aqui de assuntos da mesa e deixemos a "generation gap" para os sociólogos :)
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De Artur Hermenegildo a 13.02.2014 às 10:54

O seu comentário era-me dirigido expressamente a mim, e foi apenas por isso que respondi, como me parece evidente. Se fosse um comentário genérico ao post seria diferente.

A minha resposta nada tem a ver portanto com a sua liberdade de expressão, a diversidade, o buraco do ozono ou o clube do Lumiar.
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De teixeira a 13.02.2014 às 16:41

Prezado Artur dou-te toda a razão e me penitencio. Quando redigi a primeira frase do comentário, a invocar o Vosso nome, era no sentido não de crítica a experiência da Casa da Comida, e sim queria me referir ao tema genérico, dos novos chefes. Artur era o vocativo para iniciar o tema, não o destinatário, podes crer. No entanto, não nego, ao rever, agora, que fez todo o sentido a resposta que, merecidamente, recebi. Para piorar, incidi em novo equívoco, ao replicar. Não me falta - todavia - a humildade de apresentar a você sinceras desculpas. Posso gostar de comer e beber bem, e ler a propósito de gastronomia, entretanto, expressar-me a respeito talvez não seja uma boa idéia.
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De Artur Hermenegildo a 14.02.2014 às 12:02

Desculpas aceites e tema encerrado.

Mas "Vosso" assim, com maiúscula, acho que só se aplica aquele ser imaginário a que alguns chamam "Deus". E não, não sou eu. :)
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De teixeira a 14.02.2014 às 16:50

Agradeço a generosidade de ter aceito o pedido de desculpas. Mas, cabe explicar o Vosso, com maiúscula: trata-se de um - não o último, ameaço - simplório erro de digitação. Tanto é assim, que, se der ao trabalho de me privilegiar com nova leitura do comentário, verá que a um vulgar"você" no conteúdo.

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