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 Era suposto sair apenas dentro de semanas mas parece que alguém se antecipou e colocou os resultados online. Refiro-me ao muito aguardado Guia Michelin São Paulo e Rio de Janeiro 2015, cuja revelação está a causar polémica no meio gastronómico local - o que já é um hábito sempre que sai um novo guia e, sobretudo, sempre que a casa francesa se expande para uma nova região (esta é a sua primeira incursão na América Latina).

 

 

A divulgação dos resultados trouxe várias surpresas. Muitos (entre eles eu) falaram que a Michelin não lançaria um guia, numa nova região estratégica, se não fosse para atribuir 3 estrelas pelo menos a um ou dois restaurantes. Mas a verdade é que tal não aconteceu. Mesmo ao nível de 2 estrelas os resultados são parcos, dado que o D.O.M. de Alex Atala é o único restaurante a obter a comenda.

 

Por um lado, se ao destacar o D.O.M. o guia vermelho deixa a indicação de que este está um degrau acima de todos os outros - o que a meu ver me parece correcto -, por outro lado, interpreto esta atribuição, também, como uma alfinetada ao ranking do The World 50 Best Restaurants, onde, nos últimos anos, o restaurante paulistano tem figurado nos primeiros lugares - recorde-se que nas mais recentes edições do guia a terceira estrela continua a ser vetada a lugares como o Noma (n°1 do W50Best) ou o Mugaritz (N°6).

 

É também difícil de dissociar Alex Atala das escolhas dos restaurantes a quem o guia deu uma estrela, dado que o Dalva e Dito é o único de cozinha brasileira não contemporânea (na sua essência) a obter o galardão, naquilo que pode ser interpretado como uma espécie de compensação pelo facto do D.O.M. não ter levado a terceira estrela. E se este o merecia, no caso do Dalva e Dito, parece-me de facto um pouco forçado (a menos que algo tenha mudado muito nos últimos 2 anos, desde a minha última visita a ambos).

 

Quanto aos outros uma estrela que conheço, parecem-me em geral bem: o Maní e o Fasano podiam levar duas (por razões diferentes), mas não me escandaliza terem apenas uma, galardão que também assenta pacificamente no Épice, Attimo, Kinoshita e Jun Sakamoto - estes dois últimos, junto com o Kosushi e o Huto, fazem com que em SP a cota de restaurantes japoneses com estrelas seja de 36%, face ao total (4 em 11).

 

De resto, SP ganha de forma destacada em relação ao Rio de Janeiro: 11 contra 5. Nesta última cidade, não há grandes surpresas. Quer dizer: havia quem apostasse 2 estrelas para os contemporâneos Olympe (de Claude Troisgros) e Roberta Sudbrack, mas parece-me bem vê-los no primeiro patamar junto com os modernos Oro e Lasai (de Rafa Costa e Silva, que estará em Abril no Peixe em Lisboa - e no Sangue na Guelra).

 

Duas últimas notas: uma para referir a ausência de estrelas em SP para restaurantes de fine dining de cozinha brasileira (com excepção do Dalva e Dito, que não é propriamente um fine dining): nem Amadeus de Bela Massano, nem Brasil Agosto de Ana Luisa Trajano, nem Tordesilhas de Mara Sales - só para citar alguns exemplos. Bem ou mal, não deixa de ser uma constatação de que fora de França (do Japão e pouco mais) as cozinhas nacionais dos países ftêm dificuldade em entrar no guia.

 

Uma segunda nota para referir a minha interpretação quanto ao critério utilizado pelo guia. Quando aqui anunciámos que iria ser lançado um Michelin SP e RJ, referi , num comentário, que a generosidade no número de estrelas a atribuir dependeria do critério que definissem: se o mais generoso da edição francesa, ou o mais austero, por exemplo, da edição Espanha e Portugal. Parece-me que prevaleceu o último.

 

Aqui fica a lista dos 16 restaurantes com estrelas do Guia Michelin São Paulo e Rio de Janeiro 2015 ( retirado do site da Revista Menu):

 

2** estrelas: D.O.M (SP)

 

1* estrela: Attimo (SP), Dalva e Dito (SP), Epice (SP), Fasano (SP), Huto (SP), Jun Sakamoto (SP), Kinoshita (SP), Kosushi (SP), Lasai (RJ), Le Pré Catelan (RJ), Maní (SP), Mee (RJ), Olympe (RJ), Oro (RJ), Roberta Sudbrack (RJ), Tuju (SP)

 

Foto: montagem de Rafael Mantesso publicada no Instagram

 

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Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:34


1 comentário

Sem imagem de perfil

De tiago a 20.03.2015 às 18:37

Incompreensivel a ausência do Mocoto, ou do Esquina Mocoto.
Superiores tanto ao Dalva&Vito como ao Epice.

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