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O Pato à Pequim deve ser dos pratos mais emblemáticos da cozinha chinesa, e daqueles que se encontram no menu de tudo o que é restaurante chinês pelo mundo fora, do mauzinho ao muito bom.  Já assisti a todo o processo de confecção deste prato no  Mandarim do Casino do Estoril, provavelmente o melhor restaurante do país para degustar a iguaria. Contudo, nunca tinha visto nada assim, com o aspecto deste, do Yan Toh Heen, em Hong Kong e que roubei (infelizmente apenas as fotos) no Instagram de Little Meg (@little_meg_siu_meg) - uma food globetrotter nativa desse território e que pode ser lida na sua página do Open Rice, o guia gastronómico online essencial para quem visita a Ásia.

 

photo 2.PNG

 

Sobre este prato, Little Meg descreve o seguinte, no comentário que faz numa das fotos:

"Este é o Toh Heen do Hotel InterContinental de Hong Kong, que serve alguma da melhor cozinha cantonesa de topo do território. O seu Pato à Pequim é ao estilo contemporâneo, ou seja: só servem a pele crocante e a carne é um segundo prato. Esta versão é certamente uma das melhores de Pato à Pequim de Hong Kong."

 

photo 1.PNG

 

"Do pato inteiro, à sua pele crocante, passando pelos "faça você mesmo" burritos de pele. Penso que a isto se chama felicidade. E três pessoas partilhando um pato inteiro significa felicidade na sua plenitude".

 

E que comentário posso eu acrescentar? Bom à falta de um avião para Hong Kong...taxi, para o Casino do Estoril, sff! 

 

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publicado às 11:39


10 comentários

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De Susana Novais Santos a 30.03.2014 às 23:53

Miguel, o pato à Pequim não é, obviamente - como o seu nome indica -, um prato emblemático da cozinha cantonense, isto é, da região de Cantão (no sudeste da China). É-o, sim, da cozinha de Pequim.

Já comi, não apenas em Pequim e noutras cidades chinesas, mas também em Hong Kong e Macau, e ainda em várias Chinatowns pelo mundo fora, genuínos patos à Pequim, tão ou mais belos que o ilustrado na foto. Com todo o requinte, tradição e respeito, apresentando os três (ou quatro, conforme a escola) pratos típicos desta refeição, da qual a pele crocante e a carne representam apenas os dois primeiros.
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De Miguel Pires a 31.03.2014 às 01:02

Tens razão, está corrigido. O pato à Pequim não é "obviamente" um prato da cozinha de Cantão. Contudo, a sua popularidade tornou-o um prato nacional, pelo que é natural que um restaurante como este, de cozinha cantonense, em HK, o sirva.
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De Susana Novais Santos a 31.03.2014 às 14:21

Não diria que o pato à Pequim é "popular", mas sim famoso, pelo seu requinte e ritual - e, acima de tudo, pela histórica conotação imperial.

Além disso, não pode dizer-se que a China tem pratos "nacionais", pois não existe uma única cozinha chinesa, que possa ser considerada definidora da gastronomia do país, mas sim um conjunto de diversos estilos de cozinha, oriundos de diferentes regiões da China. Tradicionalmente, existem oito estilos de cozinha chinesa (por ordem alfabética): Anhui, Fujian, Guangdong (Cantão), Hunan, Jiangsu, Shandong, Szechuan (ou Sichuan) e Zhejiang.

Destes oito estilos, apenas alguns (como Guangdong, Fujian e Szechuan) são "razoavelmente" conhecidos fora da China, por serem essas regiões as principais proveniências dos chineses que emigraram para os EUA (inicialmente, Califórnia e, mais tarde, também para a costa leste), Canadá (sobretudo Vancouver) e Austrália (principalmente Sydney e Melbourne). Posteriormente, a sua comida foi difundida por muitos outros países - onde, infelizmente, foi sendo adulterada, adaptada ao gosto local e, como tal, vulgarizada.

A esmagadora maioria dos restaurantes ditos "chineses" em Portugal (e em tantos outros países) de chinês não tem praticamente nada. Os donos e cozinheiros, possivelmente, e pouco mais. Nestes restaurantes, sim, é que há pratos "nacionais", como o ubíquo porco doce e a inevitável galinha com amêndoas, que - lá está - de chineses nada têm.
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De Artur Hermenegildo a 01.04.2014 às 16:28

Cara Susana,

Dado o conhecimento que tem desta gastronomia, gostava de ter a sua opinião sobre o Hong Kong Grande Palácio e o Yum Cha Garden, quer do ponto de vista de qualidade quer de autenticidade.

Agradeço desde já.
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De Susana Novais Santos a 11.04.2014 às 16:18

Caro Artur,

Já tive oportunidade de escrever, noutros sítios, a minha opinião acerca de diversos restaurantes chineses em Portugal.

Não querendo estar a retirar protagonismo ao Mesa Marcada, remeto-o para o meu blog, Neurogourmet, no qual publiquei recentemente dois artigos sobre o Hong Kong e o Yum Cha:

http://neurogourmet.blogspot.pt/
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De teixeira a 11.04.2014 às 17:55

Senhora Susana, embora o convite para conhecer o blog tem sido dirigido ao Artur Hermenegildo, fui até ele para conferir. Porém, além de analfabeto funcional em outras áreas, uma das mais graves é a utilização do mundo virtual. O blog é somente em Inglês mesmo, ou eu é que não encontrei um cantinho com a bandeira portuguesa? Cumprimentos.
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De Susana Novais Santos a 11.04.2014 às 23:47

Boa noite,

Sim, escrevo sempre em inglês no meu blog. Sou bilingue.

Melhores cumprimentos
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De teixeira a 12.04.2014 às 09:16

Senhora Susana obrigado pela gentil resposta. Que grande conforto me proporcionou. Não poderia achar o que não existe. Afinal, não sou tão analfabeto funcional, no mundo virtual! Parabéns, de facto, por ser bilingue. Tomara que os vossos leitores também sejam. Eu, por força do doutoramento, poderia confirmar que seria bilingue. Mas, não o faço, uma vez que a modéstia é a forma mais grave do exibicionismo.
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De Anónimo a 02.04.2014 às 10:13

Uma análise interessante sobre o panorama dos restaurantes chineses em Lisboa: http://miudezas.com/2013/02/21/restaurante-chines-clandestino/
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De Susana Novais Santos a 11.04.2014 às 16:33

Caro Anónimo,

Conhecendo profundamente a genuína cozinha chinesa, após muitos anos de vivência em Macau e várias cidades chinesas, gostaria de manifestar o meu desacordo relativamente ao artigo que refere.

Já estive em ambos os restaurantes referidos (43 e 69). Considero quase insultuosa a forma como o autor descreve o restaurante do número 69. "Sopas derivadas de água de lavar pratos"? "Carne-mistério num invólucro de massa esverdeada"? Parece-me uma opinião não-informada, preconceituosa até.

A minha experiência nesse restaurante foi bastante positiva. Comida genuína, serviço simpático.

Casas de banho? O autor não deve ter nunca estado na China, para tecer tais comentários.

Relativamente às questões de higiene e segurança levantadas, estou certa de que muitos outros restaurantes (os ditos "legais") haverá, tanto portugueses como étnicos, que apresentam qualidade muito inferior. Mas desses ninguém fala. É sempre a "caça" aos chineses e a outros asiáticos. Quase racista, diria.

Aproveito também para explicar que a comunidade macaense não frequenta este tipo de restaurantes (nem come este tipo de comida). Quem os frequenta, para além dos chineses, são os chineses de Macau, que de macaenses nada têm.

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