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Duarte Eira (Salpoente, Aveiro), Leandro Araújo, (São Gabriel, Almancil), Luís Gaspar (Sala de Corte, Lisboa - ao meio na foto), Nicu Iastremschii (Loco, Lisboa - à direita na foto), Nuno Fernandes (O Talho, Lisboa à esquerda na foto) e Ricardo Raimundo (Escola de Hotelaria de Fátima) são os finalistas do Chefe Cozinheiro do Ano 2017 (CCA), cuja derradeira etapa, que irá definir o vencedor, está marcada para dia 5 e 6 de Junho, na na FIL (durante a Alimentaria & Horexpo 2017). 

Para aqui chegarem os concorrentes foram avaliados por alguns dos melhores chefes e formadores nacionais em três etapas regionais que decorreram em Faro, Lisboa e Porto. Tive oportunidade de assistir à etapa de Lisboa e fiquei muito bem impressionado com o nível dos pratos apresentados pelos participantes, sobretudo, quando comparado com uma final nacional que assisti há uns 4/5 anos atrás. Aliás, desconheço a pontuação mas o apuramento deve ter sido bem disputado. É que pelo que foi mostrado, pelo menos mais um dos participantes teria nível para estar nesta final. Gostei de ver propostas com uma modernidade com pés e cabeça sem disvirtuar a tradição e saí com a sensação que já tinha (e que várias pessoas do meio têm falado), de que estamos muito melhor do que estávamos há uns anos atrás. 

 

FotoCCA.png

 

Numa altura em que os concursos se banalizaram nas televisões, importa referir que o CCA é o mais antigo e importante concurso de cozinha para profissionais que se realiza em Portugal. São 27 anos de saudáveis disputas que coroaram nomes como Fausto Airoldi (1990 - na primeira edição), Jerónimo Ferreira (1992), Henrique Mouro (2001), Vitor  Matos (2003), Luís Américo (2004), Henrique Sá Pessoa (2005), João Rodrigues (2007), Tiago Bonito (2011), João Viegas (2015 - na foto de cima), ou Rui Martins (2016). 

 

Um aspecto menos positivo a registar é a ausência de mulheres neste concurso (sinais dos tempos?). Quer na fase final, quer na etapa regional de Lisboa não havia uma única concorrente (desconheço em relação às outras duas etapas). Recordo que o CCA conta no seu histórico com várias vencedoras, todas na primeira década da disputa: Adelaide Fonseca (1991), Adozinda Gonçalves (1993), Celsa Villalobos (1995) e Carla Rodrigues (1999). Ou seja, entre 1990 e 1999, houve equilíbrio com 6 homens e 4 mulheres a ganharem a competição. A partir daí só houve vencedores masculinos. Registo, igualmente, que continua a não haver nenhuma mulher no júri. Hum... acho que há aqui matéria para reflexão. 

 

 

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publicado às 10:32


10 comentários

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De Paulina Mata a 14.05.2017 às 01:40

Além disso as cozinhas da generalidade dos restaurantes que não são de fine dining, sempre foram mantidas por mulheres. O qe excluí questões como horários, força, faltOs proa de vocação, falta de capacidade de sacrifíco...

Os problemas são outros e estão bem identificados.
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De Daniel S. a 16.05.2017 às 18:25

Nos Estados Unidos tem existido uma maior preocupação em abordar estes assuntos, e das minorias em geral. Para além dos já mencionados, ainda hoje li este:

https://www.eater.com/2017/5/12/15630266/dear-white-chefs-stop-talking-start-listening

E quando a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo foi anunciada lembro-me de ler vários artigos sobre estes assuntos na eater, nyt, etc.
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De Anónimo a 17.05.2017 às 23:56

Obrigada Daniel. Gostei muito de ler. Refere aspectos muito pertinentes e importantes.

Estamos longe de resolver estes assuntos, sobretudo porque há a ilusão para muitos de que estão resolvidos. E estão longe de o estar...

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De Daniel S. a 18.05.2017 às 15:09

Já agora, hoje estava a ouvir um podcast (slow melt, sobre a industria de chocolate) e nem por acaso uma das pessoas falou sobre um outro podcast, http://www.racistsandwich.com/ Um pouco afastado, mas trata de assuntos sobre minorias nas cozinhas, incluindo – mas não apenhas – mulheres. Do que já pude ouvir, gostei!

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