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Muito bom, o jantar Origens (Sangue na Guelra), de Leonardo Pereira, que decorreu na semana passada, em Lisboa. Num email anterior aconselhava aos presentes a partir para este jantar de espírito aberto, que refreassem as expectativas e pensassem no momento como uma experiência e não como um jantar num restaurante.

 

 

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De facto, foi isso que se passou: foi uma experiência, uma mostra do conceito que servirá de base ao novo restaurante de Leonardo no Hotel Areias do Seixo, em Santa Cruz (próximo de Torres Vedras), com data de abertura prevista para a última semana de Dezembro. Na verdade, foi mais do que uma  experiência. O menu que Leonardo apresentou foi de grande nível, de sabor e personalidade. Os quatro anos da sua passagem pelo Noma fizeram-se sentir: nas técnicas, ingredientes e conjugações  (ah e hidratos de carbono apenas houve no bom pão de Mário Rolando). A mim, seduzi-me e creio que o mesmo aconteceu com a generalidade dos presentes.  Gosto muito da cozinha nórdica e, o mais interessante, neste caso, é que se viu um ponto de ligação e a intenção em ir ao encontro de uma cozinha mais próxima do eixo atlântico/mediterrâneo. Aliás, no final, em conversa, quando lhe perguntei se não teria sido mais fácil ter ficado por Copenhaga, como outros ex-Noma o fizeram, o chef de Santa Maria da Feira respondeu-me que tinha o desejo de regressar ao nosso país para poder cozinhar com ingredientes locais como o azeite, ou os peixes, por exemplo.  Mas olhemos para os pratos servidos:

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 À chegada fomos presenteados com estes dois snacks: o primeiro (acima), uma tarte fina com beterraba, cebola roxa e uma contrastante flor de azedinha

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O segundo foi uma gulosa e simples composição com cogumelos shitake, miso (feito cá) e um crumble de cogumelos - com um pouco mais de ousadia podia até ter dado uma sobremesa.  

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Depois houve esta curiosa água de berbigão, azeite e flores de capuchinha, que me fez lembrar, embora com uma receita menos desenvolvida, o incrível ceviche de flores que Alex Atala faz no D.O.M.

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 Gostei bastante desta ostra e, sobretudo, das notas caramelizadas do óleo de alga assada. 

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 De seguida tivemos uma aproximação à cozinha lusa, com a raia, molho de pitau (feito com os fígados e ligeiramente avinagrado) e folhas, igualmente, de capuchinha. Belo naco de raia, num óptimo ponto de cozedura e tempero afinado. Era para comer à mão (e de lamber os dedos). 

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 Também feliz esteve esta abóbora grelhada com um bem marcado molho de pinhão e alecrim. Seria mais guloso se usasse uma butternut. Contudo este é outro lado interessante desses acontecimentos, o lado de experimentação. Leonardo quis usar esta abóbora que tem mais fiapos porque gosta da textura e a decisão é muito válida. Tal como ter escolhido a abrótea para o prato abaixo com folhas de couve, couve flor cortada de forma miudinha e um molho de levistio e salsa. Gostei muito do prato embora, a textura mole do peixe não me tivesse enchido as medidas (penso que a textura da abrótea ganha se for arrepiada). 

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 Brilhante este porco ibérico com moleja e vegetais crus. Gostei muito dos contrastes entre cru e cozinhado e entre crocante e macio das molejas. 

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O jantar acabou em beleza com esta sobremesa bem de Outono: gelado de castanha com merengue de dióspiro. Gostei do pormenor ligeiramente avinagrado das "línguas" do dióspiro, uma parte que muitas pessoas costumam descartar. 

 

Foi um bom pronuncio, portanto, este jantar que ainda para mais se encaixou na perfeição no conceito "fora da caixa" idealizado para o Origens, pela dupla do Sangue na Guelra Ana Músico e Paulo Barata.  A expectativa para o que se irá passar no seu novo restaurante, no Hotel Areias do Seixo, aumentou ainda mais.  

 

Mesa Marcada apoia os projectos Origens e Sangue na Guelra

 

 

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publicado às 13:30


2 comentários

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De carlos a 11.12.2014 às 23:58

Se gostaram do pão , isto é apenas uma amostra daquilo que o chef Mário proporciona dentro deste pequeno grande mundo que é o pão...
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De Artur Hermenegildo a 23.03.2015 às 16:13

Na 6ª feira jantei finalmente no Areias do Seixo.

Muito bom. Vale realmente a pena a deslocação para se conhecer um projecto com personalidade e originalidade e, acima de tudo, que é o mais importante, que nos proporciona bons sabores e combinações dos mesmos.

Produto, produto, produto, da terra e do mar - e simplicidade e gosto na conjugação dos ditos.

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