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José Mariano Gago

por Paulina Mata, em 19.04.15

forum02.jpgJosé Mariano Gago faleceu ontem. Tive a sorte de o conhecer. Ontem li algumas das palavras que foram usadas para o descrever "inspirador, sonhador, energético, líder, alguém que teve uma visão para a ciência e a cultura científica do país e, mais do que isso, a pôs em prática". Era isto e muito mais. Hoje acordei a pensar em algumas situações em que estive com ele e em como a minha vida, e a de muitos outros, teria sido diferente sem os seus sonhos concretizados.

 

Colaborei muito com a Ciência Viva (um dos seus sonhos concretizados que muito acarinhava), foi lá que comecei a fazer as actividades "A Cozinha é um Laboratório" em 2001. Numa dessas actividades ele até vestiu o avental! (foto do início do post)

Estas actividades foram uma semente que germinou dando origem a uma variedade de acções de divulgação de ciência que chegaram a muita gente, à participação no ABCiênca na RTP, ao livro “A Cozinha é um Laboratório”, mas mais do que isso, permitiram estabelecer laços com profissionais de cozinha, de forma informal e com o projecto C ao Cubo,  De certa forma foram estas actividades também a origem do mestrado em Ciência Gastronómicas.

Vou partilhar duas situações que recordei hoje. Em 2004 organizámos (Slow Food e a Ciência Viva)  uma série de debates, denominados Conversas Saborosas, no Pavilhão  do Conhecimento. Lembro-me do José Mariano Gago ter ido ao primeiro e no fim ter comentado que falávamos de gastronomia e movimentos gastronómicos de uma forma nova para ele, quase como se fossem movimentos artísticos.

Em 2007 foi organizada a série de debates  Uma questão de Sexo(s) no Pavilhão do Conhecimento, alguns sobre a menor facilidade de acesso de homens ou mulheres a determinadas profissões. Num discutiu-se a situação nas cozinhas e participaram o Fausto Airoldi e a Nini. O José Mariano Gago assistiu muito interessado, fez muitas perguntas, e no final estabeleceu uma comparação entre as carreiras de cientistas e cozinheiros, em particular a importância da internacionalização e do contacto com o trabalho feito noutros países. Concluiu dizendo que ambas as classes profissionais eram privilegiadas por viver tudo isto e tinham o dever de dar algo em troca à sociedade.

Obrigada José Mariano Gago pela forma como sonhou e com isso nos permitiu concretizar sonhos! Nunca esquecerei uma frase que o ouvi dizer no 1º Forum Ciência Viva em 1997 e que tem norteado o meu trabalho e, num contexto mais geral na minha vida: "Experimentar é confrontar o pensamento com a realidade... não basta apenas assistir aos resultados espectaculares de uma ciência, mas acima de tudo apreendê-la, pensá-la e relacioná-la com o real.

 

 

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publicado às 00:19


4 comentários

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De João Teixeira Gomes a 19.04.2015 às 03:35

Paulina, boa iniciativa esta de ter publicado este texto sobre a pessoa que nas últimas décadas mais fez por colocar no mapa a investigação científica portuguesa. Algo que infelizmente está em retrocesso por lamentável falta de visão a longo prazo dos responsáveis pelo investimento nesta área.
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De Paulina Mata a 19.04.2015 às 11:21

É verdade João. O Mariano Gago de facto fez um trabalho fantástico.
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De Carlos Alexandre a 19.04.2015 às 13:59

Embora sem trabalhar diretamente com ele, mas sim no mesmo departamento, via o Mariano como um investigador com alguns trabalhos relevantes mas prefiro dar relevância à postura incontestavelmente condizente com uma seriedade intelectual.
Em muita gente, as convicções ajustam-se muitas vezes a novos contextos, quando se vai para um meio para politizado.
Não foi o caso dele.
Poderia o seu exemplo servir para quem ocupa atualmente cargos na educação e que esqueceu o que dizia antes de os ocuparem.
Paz à sua alma.

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De Artur Hermenegildo a 20.04.2015 às 11:09

Foi meu professor no Técnico, há 30 anos.

Ficou-me a imagem de um excelente professor e de uma pessoa afável.

A sua morte é sem dúvida uma perca para a comunidade científica e para o país.

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