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La Parisienne, um bistrot em Lisboa

por Miguel Pires, em 08.07.14

Com alguma dose de loucura (ou dose e meia) como acontece sempre nas histórias que envolvem grandes mudanças, Olivier Vallancien e a sua mulher Lumir Ardant-Leverd (à direita, na foto de baixo) largaram Paris para abrirem um restaurante em Lisboa. A ideia inicial envolvia a ida para o Panamá, mas acabaram noutro país começado por "P". Vallancien tinha um "salad bar" na capital francesa, como aqueles que se vêm (sobretudo) nos Centros Comerciais, e, à partida, quando decidiram vir para Portugal, após um período de "aclimatização" a Lisboa, seria para replicarem o modelo por cá. Contudo, adepto dos prazeres da mesa, o casal verificou que não havia bistrots em Lisboa. Vai daí lançaram-se na aventura, arranjaram um espaço no Chiado (no Largo Bordalo Pinheiro), fizeram obras e colocaram um anúncio no Facebook (numa página de expatriados) a recrutar um chefe.

É aqui que entra Xavier Charrier (à esquerda na foto de cima), que há uns anos abrira com a sua mulher, portuguesa, uma charcutaria no Linhó. Apesar de ter conquistado uma série de clientes, que se deslocavam propositadamente para comprar os produtos - uns feitos no local, outros importados -, o Linhó não é propriamente Lisboa e Xavier, que chegara a sub chef em França, viu neste anúncio do Facebook a oportunidade de voltar à sua antiga actividade., o que o levou a fechar a charcutaria e a trazer para Lisboa alguma maquinaria onde faz uma boa parte dos enchidos que serve às refeições. 

 

O Le Parisienne reproduz no seu espaço a ideia de um bistrot sem folclores ou uma patine que naturalmente não tem. O espaço é informal, a decoração discreta, mas elegante.Também não há um tableau a anunciar os pratos do dia, como no imaginário parisiense, embora exista prato do dia ao almoço. O menu altera semanalmente e há um cuidado na selecção dos produtos que utilizam na cozinha (chegar e ver um cabaz da Quinta do Poial, deixa logo boa impressão). 

 

No jantar para a imprensa e outros convidados, que decorreu nesta 2F, houve a oportunidade de provar alguns dos pratos e, no computo geral a experiência foi positiva. Nada muito arrojado, como seria de esperar, mas quase tudo bem feito e com sabor: dos enchidos ao bife tártaro (cortado à faca e com um toque de gengibre, a fugir da regra), do foie gras "au torchon" ao filete de robalo com molho de pimenta rosa e legumes bio, passando pelo alho francês com vinagreta e ovo escalfado (foto de cima). Menos bem, as sobremesas: o crème brûlée veio ligeiramente talhado e a massa dos profiteroles um pouco dura (parece que os portugueses gostam assim - uma justificação que soa a desculpa esfarrapada se não tivesse já ouvido Francisco Gomes, um dos nossos melhores chefes pasteleiros, referir que usa uma massa mais dura nos éclairs, por exemplo, porque no Norte preferem assim).

 

bife tártaro

 

No que toca a preços, as entradas variam entre os 7€ e os 12€, os pratos entre os 17€ e os 24€ e as sobremesas entre os 7€ e os 10€. Ao almoço, o prato do dia custa 12€, entrada+prato fica em 15€ e, com sobremesa, 20€. Em termos de vinhos a carta (escrita a giz num quadro) é curta mas não óbvia, oferecendo algumas opções interessantes de rótulos franceses e nacionais. 

 

Há muito me perguntava porque não havia (ou nunca tinha vingado) um bistrot em Lisboa. Por isso é de bom grado que vejo o aparecimento deste La Parisienne na cidade (onde quero voltar para comer o pé de porco recheado). Espero que o entusiasmo não esmoreça e limem as pontas para que o projecto se possa manter com qualidade.     

 

  

Contactos: La Parisienne, Bistrot Français - Largo Rafael Bordalo Pinheiro 18 (Chiado) - Lisboa ; Horário: 2F a Sábado das 12h às 15h30 e das 19h à 00H; Telef: 964 203 947

 

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publicado às 08:27


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Teixeira a 11.11.2014 às 23:36

Guiados por esse blog, fomos ao bistrot . Típico caso onde a simpatia vence as falhas. De início, óptimas entradas: sopa de cebola e ovo coquete. Óptima baqueta com manteiga. Mas, o confit de canard , excelente, esqueceu as batatas assadas e nos trouxeram umas fritas, não avisadas previamente. Detestamos batatas fritas. Posteriormente, com fome, pedimos uma outra perna. Doce sofrimento. Não havia mais nenhuma. Os patos fugiram ao almoço. Um outro excelente: o vinho Huguenote , da Borgonha. Sobremesas sofríveis. Notável atendimento de mesa por uma figura humana lusa. O simpático chefe veio até nós para um diálogo afável e capaz de nos fazer voltar, após o inverno, para um novo jantar. Em tempo: o confit de canard é dos melhores de Paris, aliás, desculpem, de Lisboa.
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De Miguel Pires a 12.11.2014 às 00:23

Caro Teixeira
Obrigado por partilhar connosco as impressões sobre o Le Parisienne . Só tenho pena que não tenha escolhido o pé de porco recheado. Nunca provei aqui mas tenho curiosidade.

cumprimentos
mp

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