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Mesa Marcada no Café Colonial

por Duarte Calvão, em 24.02.17

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Muito agradável o jantar que tive no domingo passado no Café Colonial, o restaurante do novo hotel Memmo Príncipe Real. Pratos de sabores nítidos e estimulantes, bem apresentados (salvo numa excepção), a preços sensatos. Serviço impecável, simpático e bem informado. Ambiente acolhedor, bem mobilado e bem iluminado, com a vantagem da vista sobre a cidade. E até gostei da música ambiente - eu que só ligo a esse aspecto quando ele me incomoda - animada e diferente, no volume certo. Por isso, vou certamente voltar a este belo espaço cuja cozinha está entregue desde a abertura a Vasco Lello, mais um discípulo de Aimé Barroyer, dos tempos em que o chefe francês oficiava no Valle-Flôr, do hotel Pestana Palace, também em Lisboa. Antes do Memmo, Vasco Lello esteve também no Flores, do Hotel Bairro Alto, onde já mostrava muito do que é capaz. Acho que agora deu um passo em frente.

 

 

Talvez devido à aproximação do Peixe em Lisboa (onde Vasco Lello já esteve há dois anos, no tempo do Flores), marquei mesa no falso nome de João Peixoto e julgo que não fui reconhecido, até porque, soube depois, o chefe nesse domingo estava de folga. Estando ciente de que a casa aposta nos cocktails e tendo em conta o tempo quase estival que se vive em Lisboa, comecei com um Julio Besorita, que não conhecia, mas que integrava coisas adoráveis como tequila e mezcal, além de um licor mexicano qualquer coisa Reyes e clara de ovo à moda do pisco sour.

 

Foi ele que acompanhou a "petiscaria entradeira" (fotografia abaixo), como diria o outro, composta por um óptimo taco de sapateira desfiada com maionese de lima, abacate e tomate, fresco por dentro, estaladiço e leve por fora, e espectaculares croquetes de camarão e de rabo de boi, os primeiros com maionese de lima e citronela, os segundos com chutney de abacaxi e malagueta. Tudo com os sabores anunciados, recheios magníficos, texturas ideais. Menos boas as chamuças vegetarianas (com um bom chutney de tamarindo), com o recheio bem temperado, mas a falhar na massa algo molenga.

 

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Estava acompanhado pela minha mulher e perante a nossa indecisão sobre o que escolher, foi-nos sugerido dividir dois pratos (fotografia de abertura). O primeiro já o tinha apreciado no Peixe em Lisboa, tendo robalo como protagonista, e deixou-me muitas saudades, até porque sou muito arrozeiro. Tratava-se agora de uma corvina com carolino à Bulhão Pato - posta na chapa com arroz carolino de lingueirão e berbigão, coentros e limão. À versão que conhecia foram também acrescentados soberbos lingueirões, num ponto excelente, tal como o do peixe. Arroz à altura das minhas boas lembranças, bagos perfeitamente cozidos, envolvidos em sabor a mar. Um prato perfeito para o meu gosto.

 

Mais arriscado o prato seguinte:  pato asiático - pato assado com molho hoisin e noodles com legumes. Gostei muito do pato e achei interessantíssima a ligação com o molho, onde sobressaia o amendoim, mas os noodles...Bem sei que sofro de eurocentrismo e massas para mim são as italianas e espanholas, não percebo bem o actual fascínio por ramens, sobas e afins, mas a verdade é que achei que não só não acompanhavam bem o pato, como estavam algo enjoativas, com os legumes a serem predominantemente variedades coloridas de pimentos. Por outro lado, julgo que num gesto de simpatia decidiram dobrar a dose. Por isso cada um de nós teve direito a uma gigantesca e monótona tigela, impossível de comer até ao fim, esmagadora para a vista.

 

Mas foi uma excepção numa óptima refeição que terminaria com bebinca de Goa com gelado de gengibre caseiro e crocante de ananás (fotografia no fim). Grande final, sobretudo devido ao gelado. De destacar os preços muito razoáveis dos vinhos, embora a lista pudesse ter mais opções. Bebendo um Tapada de Coelheiros branco (22 euros) e sabendo que o cocktail custou 10 euros, a conta final ficou em cerca de 50 euros por pessoa, que considerei muito bem gastos, dado a qualidade do que se comeu e do ambiente em que se estava. Mas gostei sobretudo de ver confirmada a qualidade da cozinha de Vasco Lello nesta nova casa, que entra imediatamente na lista das minhas preferidas em Lisboa.

 

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Fotografias: Cristina Gomes

 

Café Colonial

Hotel Memmo Príncipe Real – Rua D. Pedro V, 56 J, Lisboa, tel. 961 844 248. Aberto todos os dias para almoço e jantar

 

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publicado às 14:00



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