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Miguel Castro e Silva abre Less no Príncipe Real

por Duarte Calvão, em 16.11.15

 O Less vai partilhar o espaço com o bar dos Gin Lovers

 

Um tártaro de carapau que impressionou até chefes com o estatuto de Olivier Roellinger, risotos, como o de limão, extraordinário de leveza e subtileza, bacalhau cozinhado a baixa temperatura, a própria utilização do vácuo, de que foi um dos pioneiros em Portugal, morcelas da Guarda a escandalizarem a “alta cozinha”, o conceito de petiscos portugueses ainda nos tempos do Bull & Bear, no Porto, o restaurante que lhe deu fama, ou, ainda no início dos anos 90, junto com Dirk Niepoort, a organização de algo que então soava estranho: “jantares vínicos”… A vantagem de já se ser “velhote” e ter uma longa e rica carreira é que hoje, aos 54 anos, Miguel Castro e Silva consegue apresentar uma nova carta com a segurança de quem pensa e testa certos pratos há muitos anos. Como aquela que, a partir de amanhã estreia no Less, o novo restaurante do espaço Embaixada, no Príncipe Real, uma das zonas de Lisboa que mais tem “mexido” em termos de restaurantes nos últimos tempos (ver final deste post), que vem substituir o Le Jardin, e que convive com o bar dos sempre dinâmicos Gin Lovers.

 

 Miguel Castro e Silva

 

“Um dos desafios foi realmente encontrar pratos que se adequassem a este espaço, que tem também características de bar. Mas vai ser um restaurante normal, com mesas postas e serviço de mesa, e além do gin temos outras bebidas, incluindo vinhos a copo ou em garrafa”, garante Miguel Castro e Silva ao Mesa Marcada. “A principal diferença é que todos os pratos podem ser partilhados, pelo menos por duas pessoas, a preços que variam entre 6,5 e os 11 euros, fugindo à divisão tradicional de entradas e pratos principais, é mais entre frios e quentes. E com dois ou três pratos faz-se uma refeição”, acrescenta.

 

 Tártaro de corvina e abacate com leite de açafroa

 

Já falámos do pioneirismo dos tártaros de peixe (incluindo de um tão subvalorizado como o carapau) e esta característica da cozinha do chefe vai estar bem patente no Less com um de corvina com abacate, outro de atum com tomate-cereja e ainda outro de salmão com maçã verde. Ou robalo marinado com risoto de limão e ovas de truta ou o risoto de boletus com pancetta crocante. Ou pratos que lembram outras cozinhas como o ravioli de abóbora assada (“ando a aperfeiçoá-lo há mais de dez anos…”, confessa Castro e Silva) ou outro ravioli de porco preto, a lembrar os gyozas orientais. Ou ainda um parmentier trufado com gema de ovo a baixa temperatura e parmesão, umas vieiras com pimenta rosa ou bacalhau fresco com vinho do Porto e miso. Nas sobremesas, mais simplicidade numa mousse de chocolate, tarte de requeijão, sopa de frutos vermelhos ou madalenas.

 

 Ravioli de abóbora assada com amêndoas

 

“Sempre gostei de fazer este tipo de cozinha, que é bastante diferente da do De Castro (o restaurante “familiar” do chefe na Praça das Flores, onde se nota uma componente mais acentuada de ligação às memórias da cozinha portuguesa, outra das características do seu estilo) e já há uns meses que procurava um lugar onde a praticar”, diz Miguel Castro e Silva. “Acho que aqui tenho boas condições de o fazer, com uma equipa de cinco elementos, recuperando receitas em que fui pensando ao longo dos anos, aperfeiçoando umas, criando outras”, conclui.

 

O Less, nome que ocorreu ao chefe a partir da expressão inglesa “less is more”, tem 30 lugares e funciona todos os dias das 12h às 23.30h, com cozinha sempre aberta. Praça do Príncipe Real, 26, tel. 213 471 341.

 

Risoto de boletus com pancetta crocante e shitakes salteados

 

Entretanto, a zona do Príncipe Real e adjacências está em plena efervescência com fechos e aberturas. Como já se disse, fechou o Le Jardin, mas também o Ucharia, na mesma praça. Mais para os lados do Largo do Rato, na Rua da Escola Politécnica, fechou a Rota das Sedas e está anunciada a abertura de um Yakuza, restaurante japonês do grupo de Olivier Costa. Na mesma rua, mas mais para o Príncipe Real, o grupo Multifood (Vitaminas, Honorato, Cais da Pedra, Sala de Corte, Alma, Delidelux) deverá abrir uma pizzeria de “luxo” onde antes estava a pastelaria Poison d’Amour e algo que ainda não se sabe o que será onde antes estava o El Tomate, que fechou em Agosto. Passando a praça, na Rua da Rosa, quase na esquina com a Rua D. Pedro V, abriu há poucos dias o Clandestino, com tacos e ceviches, e, mesmo ao lado, Kiko Martins (O Talho, Cevicheria) tem em obras o espaço do seu novo restaurante. Vamos ver quando estará pronto, mas adivinha-se uma coisa à séria.

 

Fotografias: Jorge Simão

 

 

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publicado às 19:54


9 comentários

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De Carlos Alexandre a 16.11.2015 às 21:14

“Um dos desafios foi realmente encontrar pratos que se adequassem a este espaço, que tem também características de bar. Mas vai ser um restaurante normal, com mesas postas e serviço de mesa, e além do gin temos outras bebidas, incluindo vinhos a copo ou em garrafa”

Em bom português: nada de novo.

“A principal diferença é que todos os pratos podem ser partilhados, pelo menos por duas pessoas, a preços que variam entre 6,5 e os 11 euros, fugindo à divisão tradicional de entradas e pratos principais, é mais entre frios e quentes. E com dois ou três pratos faz-se uma refeição”,

Em bom português: mais petiscos.

Entretanto, a zona do Príncipe Real e adjacências está em plena efervescência com fechos e aberturas. (...) restaurante japonês do grupo de Olivier Costa (...) pizzeria de “luxo” (...) com tacos e ceviches (...)

Em bom português: mais do mesmo.

Começo a ter vergonha de viver em Lisboa. Começo a firmar a convicção que o processo é irreversível, e que caminhamos para o pior do mau a que poderíamos chegar.

Um chef que começou muito bem, no Porto. Uma verdade absoluta: o início do post . Temos agora um cozinheiro que expõe a sua decadência na forma de um projeto vazio em Lisboa, abandonando barcos a afundarem-se (ao Largo).

Um Príncipe Real que se generaliza no pior que o mundo lhe traz sob a forma de comida de treta, plágios baratos com nomes sofisticados. Bom para turista comer ao fim de uma tarde, voltando ao seu país de origem a dizer que, afinal, Lisboa não era nada do que os amigos lhe contaram na seção gastronómica e a muitos lhes lembrava não mais que uma esplanada de Roma, ou Paris, no seu pior.

Descaraterização e abandono de toda uma gastronomia rica e variada de origem nacional que em vez de incorporar, subjugou-se sem qualquer processo de assimilação. Lucro fácil sustido pela pobreza de espírito, de palato e divulgação luxuriosa.

As piores notícias desde Sexta feira à noite.


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De teixeira a 18.11.2015 às 19:37

Carlos Alexandre, com a vossa permissão, endosso todo o comentário. Não o faria melhor, até mesmo porque até de parvo já fui chamado por, de certa forma, entender que a "descaracterização e abandono de toda uma rica e variada de origem nacional", com a ajuda, fortemente ancorada em meios de comunicação, subjugou-se, sim senhor! Disse!
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De Carlos Alexandre a 18.11.2015 às 21:08

Fico feliz por saber que este «enfant terrible» não está só.
Mas também tenho a agradecer a este Blog a seriedade com que atua ao publicar, com a liberdade que lhe cabe, opinião tão incisiva quanto a minha.
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De Alfredo Lacerda a 19.11.2015 às 13:52

Palmas.

Teria todo o gosto em conhecer o Carlos.
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De Carlos Alexandre a 19.11.2015 às 18:47

Obrigado.
Certamente as nossas rotas cruzar-se-ão.
Quem sabe nalgum evento divulgado por estas bandas!
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De Miguel Pires a 01.12.2015 às 21:47

É engraçado ler este comentário depois de ter experimentado este restaurante na semana passada. Acho que antes de demonstrar toda essa sua indignação, deveria lá ir primeiro. Eu fui e digo apenas (e mesmo com um serviço ainda por afinar): quem me dera ter vários restaurantes com pratos "mais do mesmo" interessantes e bem feitos como estes de MCS. Experimente os ravioli de porco preto, por exemplo (e não deixe o caldo no prato, por favor)
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De Anónimo a 01.12.2015 às 22:50

Que bom Miguel!
Fico muito feliz por si!

Pelo meu lado, já tive a dose mais que suficiente da cozinha de MCS nos últimos anos, e não pretendo segui-lo.


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De Carlos Alexandre a 02.12.2015 às 08:12

O comentário anterior é meu.
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De Anónimo a 17.02.2016 às 11:57

Caro Carlos Alexandre, se há coisa que caracteriza o Miguel Castro Silva é precisamente essa identificação e criatividade associadas a "uma gastronomia rica e variada de origem nacional" de que não se desviou nunca. Admitindo que o Carlos tenha alguma vez tido um qualquer contacto com o que este cozinheiro faz ou fez, fiquei a pensar no que é que poderia considerar e apreciar como verdadeiramente "novo" e diferente do "mesmo". Quer ajudar-nos? Só para que eu - e ainda que mais ninguém comigo - não fique a achar que o seu comentário, "em bom português, é mais do mesmo", ou seja, não traz "nada de novo". A Pipi das Meias Altas mastigava cavilhas!! Isto já nos idos Anos 60! (Não sei porque raio o seu comentário me imprimiu esta imagem na cabeça!!!)

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