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Morreu Maria José Macedo

por Duarte Calvão, em 22.05.16

Recebi esta manhã a tristíssima notícia da morte de Maria José Macedo, uma das figuras mais marcantes e positivas que a gastronomia portuguesa teve nas últimas décadas. Na sua Quinta do Poial, em Azeitão, esta antiga economista convertida numa pioneira entusiasta da agricultura biológica cultivou ervas, legumes e frutas que mudaram a cozinha que se fazia em Lisboa através das mãos dos melhores chefes, a começar pelo lendário Helmut Ziebell, então no hotel Ritz, o primeiro que, ainda nos anos 90, acolheu e valorizou o maravilhoso trabalho de Maria José Macedo.

 

 

Fiquei a conhecê-la pessoalmente já no início dos anos 2000, através de outro grande chefe e admirador dela, Joaquim Figueiredo, e desde então vi como se foi tornando cada vez mais imprescindível para os melhores cozinheiros de todas as gerações, de vários pontos do país, com quem desenvolveu relações de cumplicidade que em muito beneficiaram todo sector, servindo inclusive de exemplo para outros produtores de agricultura biológica.

 

Quando, há já cerca de dez anos, abriu o mercado biológico do Príncipe Real aos sábados de manhã, a banca da Quinta do Poial passou logo a ser a primeira que eu visitava e frequentemente encontrava lá a Maria José Macedo, sempre alegre e com o brilho de entusiasmo no olhar que nunca abandonou, mesmo nos momentos mais difíceis. Para mim e para os muitos amigos e admiradores que ela tinha, entre os quais também o Miguel Pires (autor da fotografia acima), o mercado nunca mais vai ser o mesmo sem a sua presença, mas consola-me saber que deixou uma extraordinária e bela obra que certamente vai continuar a inspirar muita gente por muito tempo. O velório de Maria José Macedo realiza-se hoje, a partir das 16h, na Quinta do Conde.

 

Actualização à notícia:

 

 

A pedido da família, informamos que em breve será efectuada uma cerimónia de homenagem à Maria José na própria Quinta do Poial, mais de acordo com a forma como ela viveu a vida e gostaria de ser recordada. É importante também referir que a Quinta do Poial continuará a funcionar e a servir os seus clientes - chefes, restaurantes, utentes do Principe Real, etc -  como sempre o fez até aqui. 

 

 

 

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publicado às 12:23


4 comentários

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De Liz a 23.05.2016 às 11:57



Verdadeira pioneira e sempre com produtos de grande qualidade!
Vários Chefs que o digam!

Tirei várias fotos na sua banca do Mercado Biológico do Príncipe Real. Belos e saborosos produtos!
Lembro umas alcachofras lindas!

Continuará através da sua família e colaboradores. A bem da gastronomia portuguesa!
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De jpmaisp a 27.05.2016 às 10:49

Cruzei-me com esta grande mulher poucas vezes, por causa dos activismos na AGROBIO. Grande homenagem póstuma este texto, vou citar no meu Malfadado blogue.
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De Artur Hermenegildo a 27.05.2016 às 11:09

Só para referir outras facetas importantes da Maria José, lembrava o Jorge Silva Melo no Facebook que a Maria José foi, com ele e creio que outros, fundadora da Abril em Maio.
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De ANA FILGUEIRAS a 29.05.2016 às 22:04

li agora esta tristíssima notícia. Parte no dia em que voltei a Azeitão.Podia ter ido ao velório se soubesse...Sempre admirei a Maria José. Visitava-a mais quando voltei a Portugal e vagueava à descoberta do que não conhecia. A Arrábida sempre foi meu berço, meu lugar de refúgio, meu lugar de encanto. Um dia entrei com o carro por um caminho cheio de feno espalhado pelo vento. De repente vi um lugar com uma estufa. Pensei logo que seria um armazém de bombas de agrotóxicos como vi a acompanhar a bela costa Vicentina. Entrei de "cara feia" preparada para atacar. Surgiu-me a Maria José! "Nosso santo cruzou"..de imediato. Falei-lhe na minha surpresa quando amigos Sul-Africanos colocaram na mesa uma salada cheia de flores. Achei linda mas fui separando as belas flores..Eis que a minha amiga pergunta desapontada "Ana don’t you like flowers"?? Ainda surpresa retorqui " May I eat it??" Of course!!” she laughed.... Contei esta estória à Maria José que logo me disse que ia investigar e talvez viesse a lançar as flores Fê-lo! Nesse dia levei uma belas cenouras com rama que cheiravam às cenouras que eu raspava para a minha avó colocar na sopa e algo mais que não lembro.Tinha uma bela tranquilidade e delicadeza temperada com uma evidente força interior. Sabia que estava doente mas sempre pensamos que o tempo é mais generoso do que de facto é...

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