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Há quem se sinta confortável à sombra do sucesso, há quem crie uma fórmula e a replique e há quem necessite de reinventar frequentemente. Rene Redzepi, do Noma (duas vezes considerado o melhor restaurante do mundo e actual nº3 do W50Best) insere-se neste último grupo.

 

Segundo contou ao New York Times (NYT), o Noma vai-se mudar para um local não muito longe do actual, em Copenhaga, nas proximidades do “estado livre” de Christiania. Num espaço actualmente abandonado (ver foto abaixo) irá nascer uma horta urbana e uma estufa no topo do restaurante. O jornal fala na influência de Dan Barber e do seu Blue Hill at Stone Barns (a propósito: quem tiver a oportunidade de ver a série de documentários Chef’s Table, não deve perder o episódio sobre Barber) e, também, da recente residência do Noma, em Tóquio, como inspiradores neste processo de mudança. Porém, Redzepi refere que, apesar do sucesso e de toda a atenção que têm tido, há algum tempo que vinha a questionar-se sobre o significado de ser um restaurante “local” nórdico e como progredir.

local do futuro Noma_Foto Laerke Posselt para o NY

 Futuro local do novo Noma (foto: Laerke Posselt para o NYT)

 

Mas o chef dinamarquês não pretende mudar apenas de registo e passar a produzir e controlar a maior parte dos produtos que vai servir no novo Noma. Redzepi afirma ainda no artigo do NYT que tem-se igualmente questionado se continua a fazer sentido a ideia de um menu de degustação em que o cliente passa pelas várias etapas tradicionais, dos snacks à carne, terminando com doces e café.

 

Nesse sentido, o Noma planeia igualmente mudar de filosofia, tornando-se ainda mais sazonal. Por exemplo, no Outono, irá focar-se na caça e em ingredientes selvagens de época, como cogumelos e bagas. No Inverno, irá transformar-se em restaurante de produtos do mar e, na Primavera/Verão, o Noma tornar-se-á totalmente vegetariano, a partir da produção da própria horta.

 

Estas mudanças estão previstas apenas para 2017. Para já, em Dezembro (e até Abril) o restaurante e o seu staff irão mudar-se para Sidney, onde trabalharão com produtos australianos (à imagem do que fizeram em Tóquio)

 

Na forja está igualmente a abertura de um segundo restaurante mais acessível em Copenhaga, que será comandado por Kristian Baumann (do Noma). Recorde-se que Redzepi é um dos raros chefes de topo que não possui um segundo restaurante ou outros negócios ligados à restauração.

 

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Para quem gosta de menorizar a importância do chef dinamarquês e da cozinha nórdica, dizendo que é tudo um truque de marketing pago pelo governo local, deixo parte do último parágrafo do artigo: “O Noma foi pioneiro nas abordagens que fez com fermentações, colecta de ingredientes selvagens (foraging) e até mesmo na utilização de insectos na cozinha”. Nota: não confundir “pioneiro na abordagem” com ter sido o primeiro a fazê-lo.

 

Foto de entrada: Murdo MacLeod para o Observer Food Monthly

 

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Noma - a cozinha muito especial do "melhor restaurante do mundo"

 

 

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publicado às 13:45


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