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Notas breves

por Duarte Calvão, em 08.10.15

"Jantaradas". A hora, 20.30h, não é muito feliz, tanto mais que nessa altura joga a Selecção Nacional, mas quem não gosta de futebol ou quem, como eu, acha que já estamos qualificados para o Campeonato Europeu, tem como opção ir até à FNAC do Chiado para assistir ao lançamento do “Jantaradas” (Ed. Casa das Letras), novo livro do chefe Kiko Martins, de O Talho e da Cevicheria, que tem apresentação de Maria de Lourdes Modesto. São 80 receitas para fazer em casa, com muitas influências de países inesperados, não fosse o autor um autêntico globetrotter, como aliás mostrou na sua obra anterior “Comer o Mundo”.

 

 

Novo restaurante de Vítor Areias. Também hoje abre o restaurante Estória, que fica no Palácio do Marquês de Pombal,na Cruz Quebrada, um projecto próprio do chefe Vítor Areias, que ficou conhecido pela sua passagem pelo Assinatura, em Lisboa, que entretanto encerrou, tendo já estagiado no Noma e no Mugaritz. Actualmente, é formador de cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril. Vítor Areias promete uma cozinha contemporânea inspirada na tradição portuguesa, com grande atenção aos produtos sazonais. Abre só para jantar, excepto aos sábados, quando também há almoços, fechando aos domingos e segundas-feiras. Tel, 21 1304406, Ver www.estoria.com.

 

 

O guia de João Paulo Martins. Voltando aos livros, desta vez sobre vinhos, de destacar o recém-lançado “Vinhos de Portugal” (Ed. Oficina do Livro), a 22ª edição do guia anual assinado por João Paulo Martins, o mais influente crítico que temos nessa área. Um valente calhamaço, que este ano apresenta como novidade um capítulo especial dedicado a vinhos que custam menos de 4 euros. E, como habitual, a lista dos “melhores”, que sempre desperta uma agradável polémica. Pelo menos para os leitores…

 

Fotografia: Portugal Resident 

 

Conhecer a cozinha algarvia. Igualmente recente é o “Algarve Mediterrânico – Tradição, Produtos e Cozinhas” (Ed. Tinta da China, também em inglês), um encontro feliz entre Maria Manuel Valagão, uma conhecida especialista em gastronomia e alimentação, o chefe Bertílio Gomes, do Chapitô, em Lisboa, e do fotógrafo Vasco Célio. São três autores com raízes na região e todos eles muito bons no que fazem. É um livro que vai muito além de simples receitas, com muito para ler sobre a cozinha e a paisagem alimentar algarvia. Para saber mais sobre uma região de cuja riqueza gastronómica nem sempre suspeitamos, tão maltratada tem sido pelo lado menos positivo do turismo.

 

Bertílio Gomes sempre em forma. Por falar em Bertílio Gomes, nunca é demais chamar a atenção para o seu trabalho.Tive no seu Chapitô um óptimo jantar, numa sala repleta de turistas estrangeiros, muitos deles atraídos pela soberba vista, tanto mais que era noite de “Super Lua”. Bertílio Gomes, que só soube que eu tinha andado por lá quando lhe liguei, com muitos elogios, uns dias depois, parece ter como opção fazer discretamente o seu trabalho, com casa cheia todas as noites, sem se importar muito com críticos e gastrónomos locais, que apreciam a sua cozinha desde os tempos do saudoso Vírgula. Claro que cada um sabe da sua vida, mas não deixo de ter pena que não se acompanhe mais de perto a carreira deste chefe, sem dúvida um dos mais talentosos da sua geração.

 


Restaurantes para turistas?  Ainda bem. O êxito do Chapitô leva-me a uma breve nota sobre a importância do turismo para os restaurantes que dele podem tirar um partido muitas vezes fundamental para a sua sobrevivência, Sempre que em Portugal se falava de restaurantes que tinham nos turistas a sua maior clientela, era sempre com algum desprezo, Não vejo porquê. Se formos aos melhores restaurantes de Paris, Londres ou Nova Iorque, acharemos normal que 90%, ou mais, dos seus clientes sejam estrangeiros, mas por aqui parece que isso é um defeito. Ora nada mais normal do que, por exemplo, cidades com a capacidade de atracção turística que Lisboa e Porto têm vindo a demonstrar nos últimos anos, tenham nos clientes estrangeiros grande parte da sua clientela, Desde que o façam com dignidade, só pode ser bom que esses restaurantes os saibam servir e proporcionar-lhes maiores e melhores conhecimentos sobre a nossa cozinha.

 

 

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publicado às 10:51


6 comentários

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De Anónimo a 09.10.2015 às 13:04

Cem por cento de acordo relativamente aos restaurantes receberem e prosperarem á base de clientes turistas.
É uma questão de economia de escala. Portugal simplesmente não tem cidadãos em quantidade e com capacidade suficientes para garantir a o investimento em boas casas restaurativas bem como para a sua evolução.
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De Artur Hermenegildo a 09.10.2015 às 15:10

O U Chiado é um excelente exemplo de um restaurante dedicado ao segmento de turistas e que serve comida de muito boa qualidade.
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De André Miguel a 10.10.2015 às 12:35

Desde que não façam como na minha terra natal onde recebem toda a gente com "Buenos dias", acho perfeito que os nossos restaurantes sejam frequentados por cada vez mais turistas.
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De Carlos Alexandre a 12.10.2015 às 21:10

«Restaurantes para turistas? Ainda bem.»
Será que tem plenamente consciência do que afirma?

Antes de mais, o que é um restaurante para turistas, na sua definição?
Escreveu: «restaurantes que tinham nos turistas a sua maior clientela».
Vejamos.
Se a maior parte da clientela é composta por turistas, significa que os indígenas não vão. Ou por falta de dinheiro, de gosto, ou por falta de qualidade.

Analisemos os três casos mais um.

Falta de dinheiro, não me venham com essa. Vejam restaurantes como o Porto de Santa Maria, outras cervejarias e marisqueiras, de matéria prima de excelência e preços exacerbados, de casa cheia com 80%, ou mais, de clientes portuguesa.

É caro, mas há rotação suficiente para portugueses.

Falta de gosto? Vejam-se os restaurantes estrelados e afins (chefs televisivos). Têm estado a perder praticamente todos os clientes nacionais. Pelos exageros nos preço que não são acompanhados pela oferta na qualidade/criatividade. Alguns aumentaram mais de 100% em cerca de 4 anos, reduzindo ou mantendo, em geral, a sua oferta. Afastam o cliente nacional. Ganham o turista que, já que cá está, está disponível para gastar mais uns dinheirinhos, para experimentar, para levar boas recordações. Se calhar uma boa parte não o faz regressando ao país. Deixa estes restaurantes do seu país para turistas.
Mas férias, são férias.

É caro, e os portugueses desistiram.

Falta de qualidade? Ora aí está. É a esmagadora maioria. No seu post refere a «dignidade». Muito, muito, muito raramente a encontra em restaurantes para turistas, segundo a sua definição.
Pratos completamente descaraterizados , mal confecionados , com matéria prima de refugo, a preços dos países de lá fora, para cima, e se possível a colocar couverts que ninguém consumiu, já que nem sabem que não são obrigados a pagar... uma vergonha nacional que se repete lá fora e que abomino quando saio de Portugal. O lixo do lixo, esta restauração para turistas.

Aqui, a comida é tão má que os portugueses nem passam lá perto.

Depois há os que são bons, e os portugueses vão muito e os turistas também. Mas segundo a sua definição deixam de ser restaurante para turistas. São bastantes, em geral familiares, honestos, embora não sejam parvos e gostem de dinheirinho. Mas oferecem e mantêm a qualidade. É justo.

Aqui, vão todos.

Afinal, o que têm de bom os restaurantes para turistas? Quando é que o turista e o país/empreendedores saem simultaneamente a ganhar?

E uma coisa é certa: quando saio do país, fujo dos restaurantes para turistas. Porque, se não servem para quem lá mora, não servem para mim. Mais nada.




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De Duarte Calvão a 13.10.2015 às 10:13

Julguei ser evidente, através de um subtítulo provocatório, que estava a tentar contrastar a maneira como se encara o tipo de "restaurante para turistas" tradicional, que evidentemente nem eu nem ninguém com um mínimo de gosto aprecia (não vale a pena perder tempo com essa discussão banal), com outros restaurantes de qualidade que têm turistas entre a maioria dos seus clientes e que, por preconceito, continuam a ser mal vistos por muitos gastrónomos em Portugal. O que queria dizer é que qualquer restaurante, do mais simples ao mais criativo, que esteja situado numa zona turística ou potencialmente turística deve contar com os turistas como clientes e saber como atrai-los sem perder a dignidade.
Creio que no seu comentário fica a ideia de que se os turistas vão é porque os portugueses não vão. Entre as razões que adianta para justificar tal facto, há uma que me parece das mais importantes. Vou dar um exemplo bem conhecido, o Belcanto, que, segundo José Avillez, tem hoje cerca de 80% a 90% de clientes estrangeiros. É claro que para um português, nomeadamente os que moram em Lisboa, restaurantes como o Belcanto são para ir uma ou duas vezes por ano. São "experiências" e não restaurantes para ir com frequência. E isso acontece em Lisboa, em Barcelona, em Paris, em Londres, em Nova Iorque. Logo, os turistas assumem uma importância fundamental para a boa saúde financeira desse tipo de restaurantes, mesmo em cidades onde a clientela local é maior, goza de melhores condições de vida e tem maior cultura gastronómica. Por fim, quanto a preços praticados pelos restaurantes é coisa em que não me meto, deixo o mercado funcionar. O que para uns é barato para outros é caro e vice-versa, relações qualidade/preço são sempre subjectivas, etc. Só lhe lembro que nos últimos anos houve diversos factores de custo que passaram a pesar mais nas contas dos restaurantes, principalmente o IVA a 23%, a factura electrónica obrigatória (sim, havia muita evasão fiscal e até projectos que se baseavam nisso) e a nova Lei das Rendas.
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De João Faria a 13.10.2015 às 16:33

Eu até diria que restaurantes como o Belcanto são restaurantes para ir de anos a anos. O preço é subjectivo como diz, mas inegavelmente que é variável a ter em conta pela maioria das pessoas. No entanto, para além disso, como também afirma, é mais do que um jantar ou almoço, é uma experiência. Se calhar há quem veja representações de Hamlet mais do que uma vez por ano, mas a grande maioria é capaz de ir rodando por outras obras de Shakespeare.

O mesmo acontece lá fora. Qual a percentagem de dinamarqueses a almoçar no Noma? No dia em que tive oportunidade de visitar o restaurante não vi nenhum.

No entanto, o Duarte afirma que: "Sempre que em Portugal se falava de restaurantes que tinham nos turistas a sua maior clientela, era sempre com algum desprezo, Não vejo porquê. Se formos aos melhores restaurantes de Paris, Londres ou Nova Iorque, acharemos normal que 90%, ou mais, dos seus clientes sejam estrangeiros, mas por aqui parece que isso é um defeito."

Exceptuando a alta cozinha, muitos restaurantes nas zonas turísticas, frequentados na sua grande maioria por turistas, têm pouca qualidade e são caros comparativamente com outros espaços, ou seja, apresentam uma relação qualidade-preço abaixo da média. Basta ter como exemplo a maioria dos restaurantes da Rua Augusta. Acredito que essa é a principal razão para que os "restaurantes de turistas" sejam mal vistos. Mas, claro, como em tudo, há excepções.

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