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PeraManca2011.jpgSerá que eu daria 150 euros por uma garrafa de Pêra-Manca 2011? Ou mesmo mais, bastante mais, sabendo que nas lojas o preço deste prestigiado tinto alentejano aumenta rapidamente. Estava a pensar nisso quando o provei ontem durante o lançamento que a Fundação Eugénio de Almeida (doravante FEA) promoveu na sua histórica Adega da Cartuxa, em Évora, para a Comunicação Social. Estávamos a almoçar, já tínhamos bebido outros vinhos do produtor, e o vinho soube-me muitíssimo bem, com uma “frescura” - como foi evidenciado pelo enólogo Pedro Baptista – inesperada para um vinho com 15% de álcool, de uma terra conhecida por vinhos algo pesados e ainda relativamente recente, apesar de ter sido deixado em 18 meses em tonéis de carvalho francês e depois em garrafa, antes de ser posto agora no mercado. E 2011 foi um ano excepcional, para alguns o melhor das últimas décadas, um pouco por todo o país.

 

 

Já vou responder à pergunta inicial, mas antes deve ser realçado que o Pêra-Manca 2011, além de um preço que sobe 50% em relação à colheita anterior, de 2010, comercializada com um preço de referência de 100 euros, tem como novidade vir com um “selo de autenticidade”, uma fita na base do gargalo com um holograma e um código único que pode ser validado no site da FEA. Algo de inovador em Portugal, desenvolvido em conjunto com a Casa da Moeda, para prevenir as muitas falsificações de que o Pêra-Manca tem sido alvo, segundo informação da ASAE, cujo destino têm sido sobretudo dois dos principais mercados deste tinto alentejano, Angola e Brasil.

 

Na apresentação, o Director Comercial da FEA, José Mateus Ginó, explicou que a fundação não tem noção exacta de quantas são as contrafacções, mas terão sido em número suficiente para justificar o investimento neste sistema de segurança. Mas terá sido por isso que o vinho aumentou tanto de preço? O mesmo responsável diz que não, trata-se antes de garantir à FEA uma maior margem no preço final a que o Pêra-Manca é por vezes vendido, beneficiando sobretudo os comerciantes. Ao que parece, estes não estão a “retaliar” e o vinho continua a ser cobiçado como de costume. E há menos garrafas da colheita de 2011 do que é habitual, pouco mais do que 30 mil.

 

Vamos ver como o mercado reage, porque é aí que se vê se um vinho é “caro” ou não. É claro que os críticos de vinho (algo que, como é óbvio, nunca fui nem nunca serei) terão que ter o preço em conta quando fazem as suas avaliações e recomendações, mas, em última análise, se há quem dê um certo montante por um vinho, não vejo razões para que o produtor o baixe. Claro que o contrário também deveria ocorrer, baixar o preço se o vinho não tiver saída, porém é algo que nem sempre acontece.

 

Mas eu daria ou não os tais 150 euros pela garrafa? Daria sim senhor. Para uma ocasião especial, evidentemente, provavelmente numa “compra de impulso”, que são sempre as melhores. Não só pelo vinho em si, mas também pela simpatia que tenho pelo produtor, o qual, desde que a Fundação foi criada (no magnífico ano de 1963, por acaso aquele em que eu também nasci…), tem desenvolvido um extraordinário trabalho social e de preservação do património histórico de Évora, inicialmente pela mão do conde de Vilalva, Vasco Maria Eugénio de Almeida (1913-1975), e que em muito contribuiu para que esta cidade alentejana tenha sido declarada Património da Humanidade pela Unesco.

 

Aliás, esta apresentação teve início justamente na sede da FEA , o belíssimo Paço dos Condes de Basto (na foto), em pleno centro histórico de Évora, cuja visita guiada recomendo vivamente. Fomos depois à moderna adega do Monte Pinheiros, onde são feitos os vinhos da FEA (actualmente,  a Adega da Cartuxa é só utilizada para estágio dos vinhos), e que vai ter já na próxima vindima, se tudo correr como previsto, uma “irmã” ainda maior, que está em construção mesmo ali ao lado, para os vinhos mais correntes.

 

Uma prova de como o vinho, que actualmente representa cerca de 80% das receitas da Fundação (o azeite, que inclui a conhecida marca Cartuxa, contribui já com uns 10%), foi uma aposta certeiríssima, quando a FEA por aí enveredou nos anos 80. O objectivo é aumentar a produção, também com o plantio de novas vinhas, que hoje já ocupam 600 hectares. Uma história de êxito que vale a pena conhecer, mesmo que achemos que o Pêra-Manca um pouco caro de mais…

 

 

 

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publicado às 18:22



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