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High Life BA Nuno Mendes e José Avillez 1.jpg

Já se sabia que Nuno Mendes tinha andado por Lisboa na companhia de José Avillez, para um artigo na High Life, a revista de bordo da British Airways. O que só agora ficámos a saber é que esse artigo foi escolhido para capa da revista, o que terá certamente uma enorme repercussão, dado o alcance da publicação (falam-me em 3 milhões de leitores, só na versão em papel ou tablet - de onde tirei esta imagem).

 

High Life BA Nuno Mendes e José Avillez 2.jpg

O tom do artigo é bastante elogioso quer para a cidade quer para os chefes portugueses (a jornalista chega mesmo a chamar “génio” a Nuno Mendes e que Avillez fala como um poeta). E, por sua vez, estes também não economizam nas palavras para elogiar, quer a cozinha portuguesa, quer à cidade, por onde andaram depois parando em vários lugares: Café Lisboa, Mercado da Ribeira, Sol e Pesca e, com direito a grande destaque (com várias fotos), a Taberna da Rua das Flores, de André Magalhães. Referências ainda a outros restaurantes de José Avillez, bem como aos Pastéis de Belém (como não poderia deixar de ser), Cervejaria Ramiro, Jesus é Goês e Gambrinus. 

High Life BA Nuno Mendes_José Avillez_Taberna Rua

O artigo pode ser descarregado para tablet, ou lido aqui na versão online

 

 

 

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publicado às 12:50


1 comentário

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De Pedro Pereira a 09.06.2015 às 00:19

Caro Miguel Pires,
Espero um dia ter o privilégio de provar as criações de Nuno Mendes, que é indiscutivelmente um dos nomes cimeiros da moderna cena gastronómica de inspiração lusa, e um grande nome da moderna gastronomia internacional. Mas devo dizer que algumas das afirmações que ele faz no artigo da revista da British Airways aqui referido me suscitam alguma reserva. Desde logo concordo plenamente com ele quando afirma que ‘We have so much history to tell through our food’ ; no entanto, parece-me que a visão que ele transmite dessa história é lamentavelmente unidirecional: é como se os portugueses tivessem uma cozinha já completamente formada quando partiram para os quatro cantos do mundo, e tivessem apenas levado coisas e modos de fazer, e nada tivessem trazido de regresso. Além de pouco credível, essa visão é empobrecedora, pois ignora o que o nosso património gastronómico deve a outras culturas, e cria barreiras culturais ao aprofundamento desse património: não seria incrivelmente entusiasmante (re)inventar pratos que contassem essas histórias, das técnicas e ingredientes que levámos, mas também das técnicas e receitas que em solo português foi possível criar a partir de ingredientes trazidos de longe e de perto?
Outra visão que se me afigura como problemática é a de que a gastronomia portuguesa é superior à espanhola. É verdade que num espaço pequeno Portugal exibe uma diversidade incrível de ingredientes, cozinhas, estilos e modos de comer. Mas por alguma razão é a gastronomia espanhola que é líder mundial, não a portuguesa. Souberam os espanhóis fazer algo com a sua cozinha que nós ainda não fomos capazes. Parece-me que um grande passo nessa direção seria deixarmos de experimentar ansiedade em relação a conquistas alheias, pois temos de facto património suficiente para irmos aonde a criatividade e a ambição ousarem ir. Outro passo seria fazer algo que os espanhóis também já fazem: dar mais crédito às culturas com as quais contactámos historicamente, e fazer brilhar no prato os produtos que desses contactos se tornaram não só acessíveis como em alguns casos omnipresentes. É inegável que uma corrente de renovação atravessa as cozinhas profissionais em Portugal; mas até ao momento (e descontando algumas exceções--e notavelmente a iniciativa do "sangue na Guelra") parece que se trata apenas de adaptar técnicas internacionais a produtos nacionais, ou, no fundo, levar a cozinha tradicional portuguesa àquilo que se crê ser o gosto internacional dominante. Mas para se ir mais longe será preciso criar aqui algo que outros em outras paragens se sintam obrigados a reproduzir e fazer seu. Não sei o que isso será, mas sinto que ainda não foi feito. A experiência mais cosmopolita a que as dificuldades do momento obrigam os chefes aspirantes a obter em viagens por restaurantes emblemáticos promete; mas só quando forem os outros a quererem em grandes números trabalhar em cozinhas portuguesas as coisas adquirirão outra dimensão. Por exemplo, quando for alguém de outras paragens a recordar a cozinha revolucionária de José Avillez em vez de ser este último a recordar a experiência do El Bulli, algo terá de facto mudado.

Não me admiraria nada que Nuno Mendes venha a ser um dos líderes (ou pelo menos um grande embaixador) nesse processo; mas parece-me que será difícil ter êxito enquanto se achar que tudo levámos para todo o lado e nada trouxemos. A sua própria própria história pessoal desmente essa versão das coisas, e estou certo de que Nuno Mendes sabe o quanto Portugal permanece invisível na cena internacional.

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