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O novo Claro de sempre

por Miguel Pires, em 30.06.16

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O Claro está de cara lavada e a renovação trouxe-lhe a elegância discreta que lhe faltava. Há novas cadeiras, novas loiças e uma renovação geral do interior. O que não mudou foi a vista fantástica para a foz do Tejo, com o Bugio à espreita - sobretudo para quem vem de dia – e a delicadeza da cozinha elegante (mesmo nos sabores mais puxados) e intemporal do Vítor Claro. Sim, nunca escondi que sou um adepto da sua forma de criar, de confeccionar, da sua tranquilidade (e o que ela passa para os pratos), dos seus caldos leves e da sua forma de se inspirar nos clássicos, seja numa bochecha de novilho à General Wellington, num salmão fumado na casa com sumo de salada Waldorf e remoulade de aipo – duas variações sobre uma mesma receita ou produto por si já anteriormente abordados - ou na azevia delicia, inspirado num clássico da Linha de Cascais.

 

Além destes novos pratos que (excepto as bochechas) tivemos a oportunidade de experimentar, num encontro que Vítor Claro marcou com a imprensa, não pôde faltar a sua clássica interpretação do bacalhau à Conde da Guarda, de gosto muito, um bem puxado caldo oriental de choco da costa, ou um saborosíssimo borrego escalfado e caldo de berbigão ou ainda de um lavagante de grande delicadeza.

 

Além das novidades referentes ao restaurante o encontro serviu igualmente para Claro apresentar os vinhos que produz na região de Portalegre (Alentejo), o Dominó e o Foxtrot. Gosto cada vez mais do perfil deste tipo de vinhos, pouco concentrados na cor, frescos, finos, elegantes (mesmo com um toque rústico) e menos alcoólicos. Fogem ao estereótipo dos alentejanos carregados e por isso podem não ser para o gosto médio. Porém, não é nada que chateie o Vítor, que nunca vez nada para o gosto médio (a não ser a sua “sportinguite” aguda, mas essa dou de barato).

 

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Voltando ao restaurante, uma última palavra para a presença do jovem chefe de sala e escanção Thomas Domingues, que passou por lugares como o Belcanto, Vila Joya e Per Se. A inconsistência no serviço e, por vezes, também na cozinha, associada a uma sala um pouco tristonha sempre foram os aspectos que me levaram a levantar algumas questões no passado em relação a este lugar. Por isso, fico satisfeito com o indício de mudança que esta nova fase me deixou.

 

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salmão fumado na casa com sumo de salada Waldorf e remoulade de aipo

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essência de lavagante

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azevia delicia

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caldo oriental de choco da costa

 

 

Contactos: Avenida Marginal, Curva dos Pinheiros, Hotel Solar Palmeiras (tem estacionamento). Tel: (+351) 21 441 42 31; email: restaurante@restauranteclaro.com. Horário: 12.30h -14.30h / 19.30 – 22h

 

 

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publicado às 12:12


4 comentários

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De José Tomaz de Mello Breyner a 30.06.2016 às 15:14

Lembro-me como se fosse hoje do Vitor ter ido fazer o seu primeiro estágio de cozinha para a Quinta Patino da qual eu era Director. Lembro-me também de lhe dizer no final do Estágio que ele ia longe pois tinha muito talento, gostava do que fazia e era criativo

E confirmou-se, o Vitor foi longe e imagino que ainda irá mais longe, pois para mim é um dos nossos melhores Chefes

Um abraço ao Vitor, e espero que continues a dar-te bem aí por esses lados.

Abraço
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De teixeira a 01.07.2016 às 14:37

Normalmente azedo em relação aos ilusionistas, em recente comentário isentei, o Vitor Claro de pertencer ao grupo de Houdinis Com razão, por conta da experiência positiva que, infelizmente uma só vez tive o prazer, de jantar sob a batuta harmoniosa desse cozinheiro. Fico feliz que tenha evoluído no que diz respeito a infra-estrutura. Sem escapar ao cerne do post , penso, entre a penca de idiossincrasias gastronómicas que cultivo, é não apreciar restaurantes em hotel. Normalmente, são salas de pequeno-almoço que se transformam ao almoço ou ao jantar. Portanto, se o hotel tem uma salão cativo para o restaurante, aí nada a opor. Dou um exemplo concreto. Fui jantar no restaurante Flores do Bairro animado por críticas positivas. O chefe não estava e fomos, ao que nos foi informado, servidos pelo subchefe da cozinha. Uma espécie de vice-primeiro ministro. A refeição não foi das mais saborosas, todavia um óptimo e simpático escanção, diminuiu a anemia de sabores dos pratos pedidos. Entretanto, o ambiente ao redor, e aí minha birra, é que forma um quadro desolador para um bom jantar. Ao nosso lado, um casal de turistas, exaustos, queria uma chá com torradas e uma água gasosa safra 2011. Em outra mesa, um animado grupo de nórdicos, bebia a cerveja nossa de cada dia, com a liberdade de estar fora de casa, isto é com alaridos desafinados. Todos hóspedes. Estávamos, em verdade, em uma pastelaria, uma cervejaria e, em minoria absoluta, um casal maduro num jantar frustrado. Aliás, quando estivemos no Vitor Claro, éramos poucos, ou somente dois no restaurante, e, em frente a nós, o grupo animado de pessoas na piscina, separados por um parede de vidro. O mesmo alarido etc. Fujo, então, de restaurantes de hotel. Abro uma das excepções para o Vitor Claro.
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De João Faria a 03.07.2016 às 23:58

Caro Teixeira,

Entro no offtopic que levantou apenas para dar o meu ligeiro contributo. Em vários almoços/jantares por diversos restaurantes de hotel (com e sem as afamadas estrelas) nenhuma foi semelhante. Estes locais costumam ter espaços mais informais onde servem refeições ligeiras e bebidas, complementado com (pelo menos) uma sala dedicada exclusivamente às duas principais refeições - almoço e jantar.

Aliás, assim mesmo foi no Flores do Bairro. Quando por lá almocei a sala pareceu-me estar exclusivamente dedicada às refeições. Pelo que sei têm outro espaço para bar/cafetaria, daí estranhar a sua experiência. Melhor sorte terá numa próxima certamente.

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De teixeira a 04.07.2016 às 13:46

João Faria obrigado pela gentileza das tuas observações. De fato, ao almoço, os espaços em hotéis ficam muito mais fieis às refeições ligeiras, isto é, menu-executivo, especialmente em locais centrais. Já tive oportunidade de conhecer no hotel do Flores do Bairro, em tempos idos, penso, se não estou em equívoco, que fica no terraço onde estão disponíveis drinques e petiscos. No jantar é que restaurantes de hotéis, excepto os com espaço definido, é que pode haver uma certa desigualdade de propósitos entre os comensais. Por sinal, desde a água safra 2011 a cerveja dos companheiros da noite, foram metáforas, tiradas da realidade ao redor, até mesmo porque não exerço vigilância sobre o que se come na mesa ao lado.

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