Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




photo.JPG

Depois do congresso de San Sebastian, vim a Colónia, na Alemanha, para participar no festival de gastronomia Chef-Sache. Para já estou muito bem impressionado com a organização (da revista alemã Port-Culinaire) que reuniu num espaço cuidado e relativamente pequeno - quando comparado com o dos grandes festivais - um grupo de produtores e importadores de grande qualidade, quer de vinho, quer de comida.

  

Como é normal neste tipo de eventos a parte das apresentações dos chefs convidados é um dos pontos altos do festival e por aqui estão alguns dos melhores do mundo, incluindo locais, consagrados e emergentes. Quique Dacosta, Eneko Atxa, Joachim Wissler, Mauro Colagreco, Virgilio Martinez ou Kobe Desramaults são alguns dos nomes presentes. Este último - chef belga do restaurante In De Wulf e um dos mais recentes wonder boys da cozinha mundial - acaba de fazer a sua apresentação perante uma audiência de mais de mil pessoas. Quando me deparo com um ambiente destes fico estupefacto com as fracas assistências que vi por cá, este ano, quer nas apresentações do Peixe em Lisboa, quer nas do Congresso dos Cozinheiros. Será que os nossos chefes de cozinha já viram tudo e não têm nada de novo para conhecer? E os alunos das escolas de cozinha/hotelaria? E a restante comunidade gastronómica (se é que assim se pode chamar)?

 

Algo vai mal no 'reino'. E não é no da Dinamarca

 

 

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:57


6 comentários

Sem imagem de perfil

De Carlos Alexandre a 27.10.2014 às 20:58

Excelente repto, cuja discussão, impossível num blog, por opinativo de modo demasiado mediato, espero ver seriamente tratada por quem disso possa ter a iniciativa.
A questão que o Miguel aborda, envolvendo uma constatação de pouca participação, pode ser muito mais do que parece.
Sem imagem de perfil

De Nuno Vasto a 27.10.2014 às 23:47

É um problema transversal, em vários ramos de actividade (para não dizer quase todos) em Portugal.
Por aqui, regra geral, a curiosidade profissional, a vontade de debater, reflectir e evoluir profissionalmente, só existem quando há um benefício directo associado (nem que seja para efeitos de currículo) ... ou quando está presente uma forte componente de entretenimento.
Algo vai mal, claro!
Imagem de perfil

De Miguel Pires a 28.10.2014 às 10:46

Ontem, no último dia, quando cheguei às 10 H o auditório estava novamente cheio, desta vez para ver/ouvir o Chef alemão mais famoso, o Joachim Wissler. Contudo, da parte da tarde, quando Quique Dacosta subiu ao palco, a sala estava abarrotar aí com umas 1200/1300 pessoas. Só mais um pormenor: a entrada custava 120€ para 2 dias, e não 3 ou 5€. E por aqui não há muitos convites. Há é mesmo interesse.
Sem imagem de perfil

De Rodrigo Meneses a 28.10.2014 às 12:12

É a mais pura das verdades Miguel. Por vezes parece que a comunidade simplesmente não quer saber. Muitas vezes me recordo dos eventos dos publicitários que estavam sempre cheios. Pessoas que gostam de aprender e descobrir coisas novas. Pela cozinha não encontro o mesmo entusiasmo. Eu acredito que são este tipo de eventos que nos podem fazer crescer. Faço questão de estar sempre presente no que se vai fazendo por cá. É importante para a união da classe e acima de tudo para mostrar aquilo em que se acredita.

Muito boa questão Miguel. :)
Sem imagem de perfil

De Inês Mendes a 28.10.2014 às 12:27

Acho que também se pode ver a questão de outra maneira: Somos muito pouco receptivos a novos talentos, ou a pretendentes a ter talento - e os congressos ou encontros de cozinheiros parecem ser direccionados para os grandes nomes (que são meia-dúzia por isso não enchem auditórios).
Há uma certa sobranceria em relação a ajudantes, aprendizes, meros cozinheiros que não tenham o título de chef e que se queiram destacar e aprender. Não sei porquê mas são vistos como profissionais menores (ou ameaças?).
Diria que é uma questão cultural porque somos assim noutras coisas e, como tal, não nos podemos comparar com o que se passa nos outros países porque eles têm uma atitude diferente nos mais diversos sectores.
Se ganhamos alguma coisa em ser assim, pedantes? Muito provavelmente não, mas era preciso evoluirmos como nação para isto ser diferente.
Imagem de perfil

De Paulina Mata a 07.11.2014 às 00:20

Inês Mendes, por caso não concordo consigo. Este ano foi o 10º Congresso dos Cozinheiros e se vir o programa ( http://www.e-gosto.com/cnc/index.php?conteudo=Programa ) vê que há nomes conhecidos, mas muitos nomes novos também. Dos 10 congressos devo ter estado em pelo menos 7 e as participações têm variado e há sempre preocupação de chamar cozinheiros mais jovens.

O Peixe em Lisboa vai na 5ªa edição. Estive em todas e acho que tem dado a oportunidade de assistir a apresentações muito, muito interessante e variadas e também tem dado a oportunidade de novos cozinheiros apresentarem os seus trabalhos.

Não concordo de todo com o que diz.

O problema para o qual o Miguel, com muita razão, chama a atenção neste post é grave. Na minha opinião, ou a atitude muda mesmo, ou não vamos a lado nenhum. E só espero qyue quem organiza cá estes eventos não se canse...

Comentar post



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

PUB


Os autores

Duarte Calvão (perfil)
Miguel Pires (perfil)

Porquê?

Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

Siga-nos no facebook


Mesa Marcada no Twitter


Confira os premiados e as listas...



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Pub





Calendário

Outubro 2014

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031

Comentários recentes

  • Miguel Pires

    Oops, já corrigido. Agradeço o reparo.

  • Martinho Cruz

    Tudo bem. Vega “Cecília” é que me ultrapassa.....

  • Anónimo

    Esta é uma boa notícia para esta altura do Natal.....

  • Duarte Calvão

    Acho, João Faria, que coloca a questão nos termos ...

  • João Faria

    É verdade que, infelizmente, a mudança ocorrida na...