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Depois de nos últimos anos o título de melhor restaurante do mundo, da lista do The World 50 Best Restaurants, ter andado entre Girona e Copenhaga, este ano, tão cobiçado prémio, anunciado esta noite numa cerimónia que decorreu em Nova Iorque, foi para Itália, para a Osteria Francescana, em Modena. Numa lista com várias surpresas - novas entradas, subidas e quedas abruptas - o vencedor acabou por não espantar ninguém dada classificação alcançada em anos anteriores (2º em 2015 e 3° em 2014).

 

 

Ao receber o prémio, e depois de agradecer à equipa e à sua mulher, Laura (figura central na sua carreira), Massimo Bottura fez um discurso bem ao seu estilo, referindo que "o principal ingrediente para o futuro é a cultura" uma vez que "a cultura traz conhecimento e abre consciências" e, segundo o chefe italiano, "desse estado de consciencia até ao sentido de responsabilidade o passo é muito curto". Este preâmbulo serviu para logo de seguida deixar um apelo à audiência (composta em boa parte por chefes de cozinha): "convido todos vocês aqui presentes para trabalharem comigo no novo refeitório (restaurante popular) que vou abrir no Rio de Janeiro, no bairro da Lapa". 

 

Em termos gerais, a Espanha voltou a destacar-se com 7 restaurantes na lista, 3 dos quais no top 10. Ainda assim a colheita deste ano ficou algo assombrada pela perda do lugar cimeiro que pertencia ao El Celler de Can Roca (que agora é segundo) e, em menor escala, também, pelas descidas, igualmente, do Mugaritz (1 posição), Arzak (4 posições), Quique Dacosta (10 posições). Do outro lado, sinais positivos para as escaladas na lista do Asador Etxebarri, Azurmendi e Tickets. 

 

Já os Estados Unidos colocam 6 restaurantes na lista, com o Eleven Madison Park a aproximar-se cada vez mais do topo, enquanto França volta a ter um restaurante no top 10, o Mirazur, de Mauro Colagreco, que passa de 11º para 6º. Subidas surpreendentes tiveram ainda o Maido (Lima, Peru) que teve a maior subida no ranking e o Clove Club, Londres, Inglaterra que protagonizou a maior entrada na lista. Por fim, de destacar ainda o excelente comportamento de restaurantes de países  América Latina como o México, Peru, (Central, em Lima, voltou ficar no no 4º lugar) e Chile, ou da Europa, como Itália ou a Dinamarca. Já o brasileiro D.O.M., de Alex Atala, voltou este ano a descer e saiu do top 10, ainda assim num honroso 11º lugar. Confira abaixo a lista completa: 

 

1 Osteria Francescana - Modena, Itália (2)

2 El Celler de Can Roca - Girona, Espanha (1)

3 Eleven Madison Park - NY, EUA (5)

4 Central - Lima, Peru (4)

5 Noma - Copenhaga, Dinamarca (3)

6 Mirazur - Menton, França (11)

7 Mugaritz - San Sebastián (6)

8 Narisawa - Tóquio, Japão (8)

9 Steirereck Viena, Austria(15)

10 Asador Etxebarri - Atxondo, Espanha(13)

11 DOM - São Paulo, Brasil (9)

12 Quintonil - México (35)

13 Maido - Lima, Peru (44) Maior subida

14 The Ledbury (20)

15 Alinea - Chicago, EUA (26)

16 Azurmendi - Larrabetzu, Espanha (19)

17 Piazza Duomo - Alba, Itália (27)

18 White Rabbit - Moscovo (23)

19 Arpège Paris, França (12)

20 Amber Hong Kong (38)

21 Arzak, San Sebastian (17)

22 Test Kitchen, Cape Town África do Sul(28)

23 Gaggan - Banguecoque, Tailândia (10)

24 Le Bernardin NY, EUA(18)

25 Pujol, Cidade do México, México (16)

26 The Clove Club, Londres, Inglaterra (entrada mais alta)

27 Saison - San Francisco, EUA (nova entrada)

28 Geranium, Copenhaga, Dinamarca (re-entrada)

29 Tickets - Barcelona, Espanha (42)

30 Astrid y Gastón, Lima, Peru (14)

31 Nihonryori RyuGin, Tóquio, Japão (29)

32 Andre - Singapura (46)

33 Attica (32)

34 Tim Raue - Alemanha (reentrada)

35 Vendôme - Bergisch, Alemanha (30)

36 Borago - Santiago, Chile (42)

37 Nahm, Banguecoque, Tailândia (22)

38 De Librije Holanda (reentrada)

39 Le Calandre, Rubano, Itália (34)

40 Relae, Copenhaga (45)

41 Fäviken - Järpen, Suécia (25)

42 Ultraviolet - Shangai, China (24)

43 Biko - México. (37)

44 Estela - NYC (novo)

45 Dinner - Londres, Inglaterra (7)

46 Combal.Zero, Tivoli Itália (reentrada) 

47 Schloss Schauenstein, Suiça (48)

48 Blue Hill at Stone Barns (49)

49 Quique Dacosta - Denia, Espanha (39)

50 Septime - Paris, França

  

Foram ainda atribuídos os seguintes prémios especiais:

 

Lifetime Achievement (Carreira): Alain Passard

Art of Hospitality: Eleven Madison Park

Chef's Choice/Escolha dos Chefes: Joan Roca

Melhor Chefe Pasteleiro: Pierre Hermé

Melhor Chef Mulher: Dominique Crenn

 

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publicado às 03:40


10 comentários

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De teixeira a 14.06.2016 às 09:02

São sete os restaurantes espanhóis destacados. Ainda bem que a Espanha é aqui ao lado. O panorama dos restaurantes portugueses, especialmente os lisboetas, fica claro, é pobre. Fico feliz que tenha no primeiro lugar um cozinheiro não ilusionista. Quem sabe o restaurante popular que o Massimo pretende abrir no "bairro" da Lapa no Rio de Janeiro consiga um Palito de Ouro! Felizmente, para a óptima gastronomia lusa, restam, para conservadores convictos como eu, que pagamos o que comemos, os estabelecimentos tradicionais, para se ter um bom jantar, inclusive nas tascas. Fico, também, feliz que o Atala tenha caído mais uma posição. Que caia mais na próxima. Ele e outros Houdinis!
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De Miguel Pires a 14.06.2016 às 10:33

Não resistiu, não é?

Deixe-me só recordar que, usando a sua expressão favorita, se o Atala é um Houdini (curiosidade: qual foi a última vez no D.O.M.?) o Bottura é o rei dos Houdinis. Ele é o chef que ousou questionar a tradição (“Porque insistimos em repetir os erros das nossas avós uma e outra vez?”) no país mais difícil para o fazer. E, imagine, hoje é adorado.
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De teixeira a 14.06.2016 às 20:03

Ilusionistas são os Houdinis. Avillez, Henrique Sá Pessoa, Vitor Claro, o chefe do Ferrugem e o próprio Massimo, são diferentes. E gosto deles. São evolucionistas. A diferença é enorme. Tinha ideia de voltar ao DOM, do Atala, porém, depois de que o Houdini paulista degolou uma galinha, ao vivo, em um evento com outros chefes, repensei o retorno. Não estava presente a esse congresso ou simpósio. Só li a respeito.
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De Consciência do Sr. Teixeira a 14.06.2016 às 11:41

Está mais que comprovado que nunca foi a Modena ao Restaurante do Massimo.
Devia era ter vergonha na cara (queria dizer na escrita, desculpe) por falar do que não sabe, mas não fique triste, é apenas mais um que fala do que não sabe. Fizesse você metade do que os "Houdinis" portugueses fazem por este país e éramos todos mais felizes e ricos. Como isso não acontece, somos apenas mais tristes e pobres, e assim se passa mais um dia. A sorte é que hoje joga a Seleção de Futebol... até eles (alguns) têm de ir para fora para conseguirem ser os melhores do mundo.
E não percam amanhã outro jogo importante para a fase de grupos

Houninis Vs Velhos do Restelo

(ouvi dizer que estes velhos do Restelo andam em baixo de forma, ainda bem que andam por lá os Croissants do Careca, sempre são mais doces e não enganam ninguém).
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De Miguel Pires a 14.06.2016 às 11:57

Vamos ter calma. Para fazer uma entrada à Bruno Alves, era mais simpático ela vir devidamente assinada. Prometo que não puxo do cartão vermelho.
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De teixeira a 14.06.2016 às 20:09

Sempre que vou a Fátima, minha oração principal é para que a quantidade de ignorantes prepotentes diminua no mundo. A Virgem, segredou-me que é matéria complicada. Que o Filho tenta, todavia parece que sem muito sucesso.
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De Duartecalf a 14.06.2016 às 12:38

Hehehe , o que para aqui vai e o post é só informativo, o que seria se tivesse opinião!

Jantei na Osteria em 2013 e gostei muito, Massimo parece ter uma abordagem muito própria, transpõe bem para o prato a (que parecer ser a) sua personalidade. O parmesão em 5 texturas e idades é na minha opinião o prato mais genial que comi.

Quanto aos outros 49, já tive a sorte de conhecer 3 deles, mas não tenho a lata de classificar a justiça da sua classificação, quando só os visitei uma vez e aos outros nenhuma.

Estive no Tim Raue há uns dias e parece-me que é uma entrada nova (no top50 ) e não reentrada. Esteve entre os 51-100 nos dois anos anteriores. Não garanto, mas acho que foi isso.
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De Adriano a 15.06.2016 às 11:37

Bom dia,

É preciso compreender que Houdini está para o ilusionismo e o escapismo como o Pélé para o futebol ou a Amália para o fado. Ainda hoje 50 ou mais % das ilusões que se praticam por esse mundo fora foram criadas pelo mestre Houdini.

Apesar de não querer ser "desmancha prazeres" e muito admirar o trabalho realizado por José Avilez ou Henrique Sá Pessoa acho exagerada a comparação. São os dois efectivamente excelentes mas ainda a meio das suas carreiras e em plena força criativa, é cedo e presunçoso tais comparações.

O houdini da cozinha só pode ser o Escofier ou talvez o Carême.
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De Artur Hermenegildo a 17.06.2016 às 11:35

Daqui conheço 5, visitados todos apenas uma vez e nos últimos 5 anos.

Mugaritz (2014), Ledbury (2011), Piazza Duomo (2013), Arzak (2014) e Séptime (2012, quando ainda pouca gente falava nele).
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De João Faria a 17.06.2016 às 20:18

Não previa a subida de Massimo Bottura a nº1. A refeição que por lá tive o ano passado foi muito boa, mas não foi perfeita, talvez pela dose elevadíssima de expectativas. E neste caso, para se ser nº1, tem de haver perfeição em tudo... e isso não existiu, de longe.

Mesmo assim, simpatizo bastante com o chef. Acho que apresenta uma postura que deve ser elogiada e fomentada... já para não falar na dimensão criativa - nesse âmbito é um génio muito particular.

Dito isto, e depois de ver a felicidade que denotava nas dezenas de fotografias que por aí circulam, só consigo ficar feliz por esta carismática personagem da cozinha alta cozinha contemporânea.

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