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Este domingo a RTP2 passou o documentário da BBC, "Comer insectos poderá salvar o mundo?" de Stefan Green. O programa é muito interessante, didáctico, divertido e saboroso. Bom, saboroso, se nos conseguirmos abstrair de certos aspectos culturais.

 

Ao longo de cerca de uma hora, num tom leve e de espírito aberto, o autor leva-nos pelo Tailândia e o Camboja, onde certos insectos não só são muito apreciados entre os locais, como são igualmente um motor de desenvolvimento na economia local, e, também, uma fonte proteica importante (muitas vezes a única) numa região com grandes problemas de subnutrição.

 

O documentário, que pode ser visto na íntegra abaixo, tem momentos muito engraçados. Num desses momentos, Stefan Green ajuda a servir um almoço de insectos fritos numa escola, perante um bando de miúdos de olhar ansioso, como se de uma piza se tratasse. No final todos saem para o exterior atraídos por um vendedor de gelados. Que dizer, todos menos dois, que preferem repetir mais uma dose de insectos crocantes.

 

Não vou dizer que me deliciei o tempo todo. Na verdade, houve mesmo momentos em que senti uma certa repulsa. Porém, no final, até fiquei com (alguma) vontade de experimentar os muito apreciados e valorizados ovos de formiga, desde que não tenha que os ir apanhar (vejam no documentário, porquê).

 

Neste trabalho, o autor fala dos benefícios destes alimentos, não só só em termos nutricionais, mas também em termos ambientais e económicos, uma vez que a sua colecta protege as plantações e a criação é uma prática sustentável (exige muito pouca energia) ao alcance de qualquer país sem recursos, dado não requerer grande tecnologia ou investimento.

 

Contudo, o principal problema para que haja uma maior expansão dos insectos enquanto alimento humano - apesar de já fazer parte da dieta de uma boa parte da população mundial - estará, certamente, relacionada com questões culturais e preconceitos.

 

Porque é que nos deliciamos com um caracol, ou um camarão e não com um grilo ou um gafanhoto? Bom, enquanto pensam na resposta e vêem o documentário, vou aqui comer uns chupa chupas, volto já.

 

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publicado às 11:06


3 comentários

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De Lis a 14.04.2014 às 12:27

Caro Miguel

Este seu "post" vem fazer-me decidir comprar uma caixinha de insetos /vermes(?) crocantes , que tem estado na minha mira gastronómica. "Descobri-a "numa loja do Oeiras Park , a Glood, das poucas na zona de Lisboa, que tem o "mint sauce", que procurava e é ótimo com costeletinhas de borrego.
O interesse pela gastronomia e a prática culinária em geral, incluindo a experimentação de produtos de outras paragens, anima o nosso círculo familiar e de amigos.
Contudo ainda não consegui vencer a estranheza do uso de insetos na alimentação, mas vou começar hoje pela compra da dita caixinha.
Darei notícias depois.
Visitar o "Mesa Marcada" é imprescindível!

Outro assunto: Somos fãs do Peixe em Lisboa e lá estivemos na 5ªf (grupo de 5). Gostámos imenso das melhorias relativamente aos restaurantes. A venda de produtos também melhorou (a propósito saberão dar-me a indicação de uma banca onde havia fracos de , Coelho de vilão, perdiz..... em que estava a senhora muito simpática, que confeccionava estas iguarias e as dava a provar?).

Salientamos , pela qualidade e apresentação os restaurantes Bica do Sapato (divinal o éclair), Assinatura (degustação de entradas), Arola, Umai. As 2 sobremesas de Vítor Sobral eram boas.

Não gostei da cabeça de xara (?) do Avillez (fatia de torresmo fininho sem alma) nem da sopa de peixe e marisco do Ribamar.
Conhecemos e gostamos muito da de santola do Nobre, mas ansiava provar a do Ribamar, que não sabia que tinha tanto caril -nenhuma indicação é dada - a ponto de sufocar os outros sabores. E gosto de caril (de caranguejo à moçambicana, de camarão.......).

E "last but not the least"o que se passou com o Chef Lionel Rigolet na demonstração? Duas estrelas? A panela do caldo na mesa, a lentidão, nenhum rasgo assinalável........e a sala a esvaziar-se.
A nossa tristeza foi ainda maior porque queríamos ir à sessão de Miguel Laffan, mas não pudemos nesse sábado. Soubemos que foi ótima e teve provas.
Do ano passado recordo as muito boas sessões de Alexandre Silva (c/ oferta do cheirinho a chocolate e de Hans Neuer.

Mais uma vez parabéns por estarem ligados ao Peixe em Lisboa! Muito boa iniciativa.

Saudações a todos


Maria Lisete Madureira V.Costa
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De blackened a 15.04.2014 às 00:32

Também vi e gostei :) Quer dizer, gostei do documentário, não propriamente da ideia que tratava, eheh :p
Serem os insectos os potenciais salvadores do mundo é interessante, no entanto, um tanto falacioso. A fome existe não pela falta de alimento, mas pela má distribuição do mesmo. Sim, somos assim tão hipócritas.
Sem imagem de perfil

De Lis a 15.04.2014 às 14:57


Permita-me os autores do post e do 2º comentário o seguinte:

Tem razão Blackened quando fala da desigual distribuição de alimentos no mundo, como principal causa de fome, mas podemos, desde que haja Paz, através de verdadeiros projetos para o desenvolvimento, dinamizar as comunidades locais para uma agricultura sustentável, de que beneficiem essas comunidades diretamente e, indiretamente , através da venda desses mesmos produtos. Os insetos e vermes pelo conteúdo proteico são também uma hipótese a considerar. Assim , não só se combaterá um preconceito , como podemos ajudar a que estes produtos, sendo consumidos em maior escala, contribuam para uma maior ajuda aos mais pobres.
Temos o privilégio de conhecer e ajudar um verdadeiro projeto para o desenvolvimento em Inharrime-Moçambique- uma obra fantástica, que partindo de um terreno e um trator , em cerca de 7 anos , criou uma dinâmica extraordinária a nível agrícola , educativo , habitacional e de promoção de emprego nas comunidades locais. Estão no facebook e no blog amigosinharrime.blogspot.com . O local onde se insere é lindíssimo -não há praias como as moçambicanas! :( - e aceitam voluntários.

Uma boa semana!



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