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A alimentação é o tema escolhido por Itália para a Expo Milão 2015 que se realiza entre 1 de Maio e 31 de Outubro deste ano. A escolha do tema parece natural, para um país fortíssimo neste sector, quer em termos económicos, quer em termos culturais.

 

 

Apesar das revindicações existentes em relação à importância das áreas ligadas ao sector, a presença portuguesa na exposição foi monesprezada. Segundo noticia do Público, desta segunda-feira, o governo português resolveu ser um dos raros países europeus a primar pela ausência.

 

Numa altura em que por cá tanto se fala de alimentação, gastronomia, vinho, dieta mediterrânea, dos produtos fantásticos que temos ou das exportações em alta do sector agrícola, a notícia é incompreensível. Parece que a decisão foi sendo empurrada com a barriga e coube à Ministra da Agricultura Assunção Cristas a decisão final. A justificação dada pela ministra ao jornal, prende-e com “os custos de ter um pavilhão próprio, estimado entre seis a oito milhões de euros e de outros substanciais investimentos a uma necessária produção, dinamização e manutenção de um pavilhão durante seis meses”.

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A decisão parece ser polémica mesmo dentro do governo, já para não falar junto de entidades do sector. Por exemplo, o presidente da CAP Luís Mira lamenta a oportunidade dizendo: “Esta seria uma grande oportunidade para mostrar ao mundo o potencial da nossa produção agrícola, principalmente nos sectores do azeite e do vinho, ou seja, alimentos essenciais da dieta mediterrânica, que hoje em dia são dois sectores de topo mesmo a nível mundial”. Como refere o editorial do Jornal, "participam países que não são propriamente ricos, como o Togo, o Burundi, o Gabão, o Gana, mas que acham importante participar. Da Europa, estarão praticamente todos os países, à excepção dos nórdicos; e da CPLP, onde Portugal gosta de se insinuar, irão todos excepto Timor-Leste (até ontem não constava da lista oficial da Expo 2015) e, claro, Portugal. Mas sempre retemos 8 milhões nos cofres. A troco de uma figura triste".

 

O curioso é que o estado português acaba de socorrer a AIP - Associação Industrial Portuense ao "nacionalizar" o centro de exposições Europarque, assumindo junto da banca (como fiador) 30 milhões de euros da dívida que esta entidade patronal privada alegou não ter condições de pagar à banca. Também é curioso que Portugal tenha participado na Expo 2010 de Shanghai (com enorme sucesso) com a ajuda de investimento privado, mas que neste caso nem refira se houve essa tentativa ou não. Resumindo mais do que uma opção económica, esta decisão é uma opção política. De negligência política, digo eu.

 

 

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publicado às 00:28


3 comentários

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De Francisco Cunha a 26.02.2015 às 23:16

Bela intervenção. Assino por baixo.
Francisco B. Cunha
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De Cruz a 02.03.2015 às 20:36

Há uma coisa que não entendi bem nesta história.

Participar numa exposição universal, de forma minimamente séria e profissional, exige tempo e investimento, se não for só para gastar dinheiro à toa e encher os bolsos de alguns...

Uns bons anos de planeamento no mínimo. Ora, a exposição começa já no próximo dia 1 de Maio, pelo que a decisão de não participar já deve ter sido tomada há muito.
Provavelmente seria algo a decidir por alturas em que Portugal entrou em pré-bancarrota, caiu um governo e o país teve que ser resgatado por instituições internacionais.
Se se calhar nesses conturbados meses, a prioridade a nível de decisão e recursos estaria bem longe de feiras.. digo eu...

E chegados aqui, deixo a pergunta. Porque é exactamente agora (ou só agora) que o assunto vem à baila ?
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De Miguel Pires a 03.03.2015 às 09:23

A decisão não terá sido assim há tanto tempo, mas sim há um ano, segundo me informaram na semana passada.

De facto, lamento que a notícia só tenha sido dada agora e não nessa altura, quando ainda poderia ser revogável (na verdade a primeira referência, segundo pesquisa rápida no Goole , foi da Rádio Universidade de Coimbra, em Dezembro último).

Igualmente estranho é o facto de, além do Público, nenhum outro órgão de comunicação generalista ter pegado no assunto devidamente.
O novo Observador, que muito se tem destacado por aprofundar certos temas, dedica-lhe uma mísera a parcial súmula da notícia do Público e o Correio da Manhã ainda menos do que isso. Além destes, nada de nada. Porém, ontem, no Sisab , estava lá a paróquia toda: meio governo a falar da importância vital para o país do sector agro industrial e as televisões a debitarem esses e outros soundbytes da ilustre comitiva ("ah este vinho é bom"; "que belo presunto!")

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