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Prémios para que vos quero

por Mesa Marcada, em 15.01.17

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Quando se pergunta a um chefe de cozinha qual o signicado de receber prémios, quase de certeza que a resposta será que é importante, mas que não deve ser esse o foco do trabalho, não deve ser um objectivo por si só. No entanto, logo de seguida, haverá palavras de valorização do “reconhecimento” que os prémios podem implicar, quer para os próprios chefes distinguidos quer, sobretudo, como motivação para as equipas que lideram nos seus restaurantes. Foi esse o teor geral das respostas que obtivemos de cinco chefes que ouvimos para este artigo, todos eles já bastante premiados, inclusive nos 10 Preferidos do Mesa Marcada, cujos vencedores de 2016 vão ser conhecidos já na próxima segunda-feira.

 

Para José Avillez, que tem vencido nos últimos quatro anos nas categorias de “Chefe” e “Restaurante”, com o Belcanto, “há prémios de tipo diferente. Uns têm mais repercussão internacional, como as estrelas Michelin ou os 50 Melhores do Mundo, que ajudam directamente o negócio, outros valem mais pelo reconhecimento do nosso trabalho, por mostrarem que estamos na direcção certa”. O chefe português mais conhecido além-fronteiras, com duas estrelas Michelin no Belcanto, considera ainda que “tanto uns como outros são muito importantes, embora não trabalhemos a pensar neles, mas sim em tentar fazer melhor no dia a dia”.

 

O outro chefe português com duas estrelas Michelin é Ricardo Costa, do e Yeatman, também ele e o seu restaurante presenças constantes nas listas dos 10 Preferidos do Mesa Marcada ao longo dos anos. “Os prémios são importantes para nós, mas também é importante serem credíveis, serem atribuídos por pessoas independentes e qualificadas”, sublinha.

 

Mas será que é fácil conseguir separar uns prémios dos outros? Ricardo Costa acha que sim. “Mesmo entre a minha equipa, vejo que as reacções são diferentes, dependendo do prémio que nos dão. Uns vão constar certamente dos seus currículos outros talvez não”.

 

Continuemos agora a nossa ronda pelos chefes falando com Henrique Sá Pessoa, que viu o seu Alma, aberto há cerca de um ano, receber em Novembro a primeira estrela Michelin. Nos prémios Mesa Marcada de 2015, o Alma tinha sido precisamente eleito como Restaurante Novo do Ano pelo painel de jurados. “É claro que as estrelas Michelin são as estrelas Michelin, são incomparáveis em qualquer lugar do mundo, mas eu dou muita importância a ser reconhecido pelos meus pares e por pessoas que considero aptas para classificar a minha cozinha”, afirma. “Por isso, avaliações de painéis de jurados como o dos prémios Mesa Marcada são bons incentivos ao nosso trabalho, até porque o método de votação é absolutamente transparente”.

 

Henrique Sá Pessoa realça ainda outras características deste tipo de prémios atribuídos por painéis de jurados, nomeadamente a de serem mais ecléticos nas escolhas, não se concentrando só nos chamados restaurantes de alta cozinha. “Como é normal, muita gente vai mais vezes num ano a restaurantes informais do que aos do chamado fine dining e que queiram votar neles”. Por isso, pode acontecer que alguns incluam nas suas escolhas restaurantes que nem sempre estão presentes em listas de “melhores do ano” ou de outro tipo de distinções.

 

Voltamos a José Avillez que sobre o tema de quem são as pessoas que atribuem os prémios também destaca a independência como um factor essencial, bem como a capacidade de avaliar o trabalho dos chefes. “O blogue Mesa Marcada é a grande referência digital na gastronomia portuguesa e isso reflecte-se no painel de jurados. Por isso, ter ganho vários anos seguidos tem tido um grande significado para mim. Fico até um pouco constrangido, porque acho que há vários chefes a fazerem excelente trabalho em Portugal, mas nem eu nem ninguém pode determinar o sentido de voto dos jurados”.

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Vamos agora saber a opinião do responsável por um restaurante bem diferente dos já citados, André Magalhães, da Taberna da Rua das Flores (na foto de cima), eleito pelo painel para o prémio Mesa Diária, que distingue os estabelecimentos que apresentam melhor qualidade André Magalhães, cujo restaurante é um caso único de êxito, não só por um permanente afluxo de clientes mas também por ser elogiado pelos mais reputados críticos nacionais e estrangeiros, realça outro aspecto do prémio que a sua Taberna tem conquis- tado: “não podemos escolher os nossos clientes pela nacionalidade e ainda por cima estamos localiza- dos no Chiado, ou seja, temos uma afluência crescente de turistas. Por isso, como o painel do Mesa Marcada é constituído por portugueses ou residentes em Portugal, sermos distinguidos mostra que continuamos em sintonia com o publico português. E isso para nós é muito importante”, sublinha.

 

Por fim, fomos ouvir João Rodrigues, que no ano passado teve uma grande subida nos 10 Chefes Preferidos assim como o restaurante onde trabalha, o Feitoria, no hotel Altis Belém. “Os prémios são importantes, mostram a receptividade dos clientes ao nosso trabalho, para verificar se consideram que estamos a fazer bem. Mas esse não deve ser o foco principal, porque temos que nos concentrar no nosso caminho. Se houver prémios, óptimo, se não vierem ou se demorarem, temos que prosseguir no dia a dia”.

 

O chefe do Feitoria (uma estrela Michelin) destaca a representatividade e credibilidade do painel Mesa Marcada. “São pessoas influentes, que participam, que conhecem . Depois, votam como votam, ninguém pode controlar isso. Não se trata de declarar qual ‘o melhor restaurante’, porque acho que isso não existe, mas sim os preferidos de um conjunto de pessoas. Temos que respeitar essas opiniões. Não devemos andar contra a maioria”, conclui.

 

 

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publicado às 12:24



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