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Rui Silvestre disse ao Mesa Marcada que "estava a rezar" quando ouviu o nome do restaurante onde trabalha, o Bon Bon, no Carvoeiro, ser anunciado como o único português a conquistar uma estrela no Guia Michelin Portugal e Espanha 2016, que acaba de ser divulgado no Parador dos Reis Católicos, em Santiago de Compostela. Já Miguel Laffan, a quem tive de dar a triste notícia da perda da estrela do L' And, em Montemor-o-Novo (ele tinha-me pedido para o fazer quando soubesse), teve um momento de silêncio ao telefone, via-se que, apesar de estar à espera, o golpe foi duro. Por fim, Miguel Rocha Vieira, cuja perda de estrela na Fortaleza do Guincho era uma hipótese bastante provável, visto ele só ter entrado recentemente a substituir o antigo chefe Vincent Farges, confessou também ao Mesa Marcada que a notícia que lhe dávamos ao telefone era um "alívio".

 

O Bon Bon foi a surpresa portuguesa da noite para mim e creio que para muita gente que acompanha o sector. Rui Silvestre, nascido há 29 anos no Valongo, foi para lá há cerca de ano e meio, quando a casa mudou de gerência, depois de ter trabalhado em restaurantes de topo em França e na Suíça, com uma passagem pelo Costes, em Budapeste, precisamente no período em Miguel Rocha Vieira esteve de volta a Portugal, no Ritz Four Seasons Lisboa. O facto de constituir família e de ter um filho para nascer pesou na decisão de regressar de Rui Silvestre."Fazemos um pouco o que nos apetece, mas damos muito valor ao peixes e mariscos algarvios", explica o chefe do Bon Bon, que neste momento está em obras, incluindo na cozinha, tendo reabertura prevista para 7 de Fevereiro. "Já me tinham dito que era possível, o convite para vir aqui a Santiago de Compostela também ajudou, mas só quando tive a confirmação anunciada no palco é que acreditei. É uma grande alegria".

 

De alegrias vamos para a tristeza de Miguel Laffan, que, após o silêncio se recompôs e explicou que, de facto, "as coisas não correram bem no último ano, estive muito ausente e não houve consistência". No entanto, o chefe do L'And não se deixa abater e promete que vai voltar ao anteriores standards, que lhe valeram a estrela há dois anos, e começar já a lutar por a reconquistar. Por fim, o alívio de Miguel Rocha Vieira ao manter a estrela. "É um primeiro passo que cumprimos. Vamos agora iniciar uma nova etapa, renovando a carta, virando uma página". Ele admite que o facto da Michelin, que atribuiu em 2010 ao Costes a primeira estrela da história da Hungria, terá contribuído, mas revela que os inspectores estiveram na Fortaleza do Guincho já com ele como chefe. "Aliás, no dia em que eu fui a Madrid apresentar-me na Michelin eles mandaram um inspector ao restaurante, só soube depois. Pois é, eles fazem destas coisas, temos que estar preparados...".

 

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publicado às 20:25


9 comentários

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De Carlos Alexandre a 25.11.2015 às 21:58

Pena não haver uma segunda estrela para o Yeatman.

Perda da estrela do L'and, perfeitamente compreensível. Nunca compreendi, foi a atribuição da primeira estrela.

Bon Bon, não conheço, não me pronuncio. Mas fico com vontade.

Não compreendo como o Eleven mantém a estrela.
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De Artur Hermenegildo a 26.11.2015 às 12:44

Pelo que percebi do post dele no FB, o Miguel Laffan fez conscientemente opções este ano na sua vida pessoal e profissional que acarretavam à partida o risco desta perca.

Como cliente e observador externo destas "coisas", acho estranho que alguém que consegue tão jovem um objectivo que muitos perseguem toda a vida opte por correr esse risco, e pode ter consequências futuras. Mas, claro, do ponto de vista pessoal, cada um sabe de si. Ele terá achado que havia outras prioridades. Mas as oportunidades nem sempre surgem duas vezes...
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De Só entre nós - he a 26.11.2015 às 16:17

Também não compreendi...
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De Miguel Laffan a 26.11.2015 às 18:42


Caro Artur pode parecer estranho mas eu tive as minhas razões e acredite em mim bem fundamentadas, não havia hipótese de outra opção na altura.

Mas posso garantir que com estrela ou sem estrela seremos uma opção muito valida para uma viagem gastronómica fantástica.

Quanto ao resto não vou responder porque nunca seria proactivo a resposta.

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De Carlos Alexandre a 26.11.2015 às 21:33

Boa noite Miguel.

Aprecio o modo simples e honesto como enfrenta a situação.
Já nos cruzámos e conversámos. Gostei de si.

Mas não entendo o que se passa atualmente.
Não sendo do meio, não entendo.
Será que uma pessoa não se pode dedicar apenas a um projeto e ser muito bom no que faz, apostando tudo e tirando daí mais valias?
É necessário andar a correr de um lado para o outro a apanhar tudo e mais alguma coisa de modo a aproveitar as pseudo )oportunidades?
Estou nos quarentas, mas sou do tempo e da cultura em que, o desejo de sermos muito bons numa área leva-nos a concentrar no que fazemos, com exclusividade e com tempo.
E acredite que o tempo paga-nos com juros incluídos.
Está a ver Einstein ou Newton a trabalharem em várias universidades em simultâneo, género turbo-professores-investigadores ?

O que se começa e não se aprofunda, muitos fazem o mesmo. A arte de sermos únicos consiste em passar do superficial. Irmos para além do óbvio e distinguirmo-nos a longo prazo, investindo tudo num projeto de vida, e não de dois anos.

Não conheço (quase) nenhum mediatizado em Portugal, que siga este paradigma.



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De André Miguel a 27.11.2015 às 11:37

Caro Miguel,

Permita-me a sinceridade, mas tenho a sensação que V. Exa. julga que o Alentejo não lhe dá o mediatismo que deseja e daí ter-se multiplicado noutros projectos.
Posso estar enganado...
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De Gonçalo Queiroz a 27.11.2015 às 15:28

Caros senhores,

Não quero vir aqui armado em advogado do Miguel Laffan, mas acho que fazem criticas muito negativas e é muito injusto falar-se assim, com o trabalho feito pelo Miguel Laffan até agora.

E sem querer aprofundar muito a questão, apenas vos digo que o Miguel Laffan foi o primeiro a trazer esta distinção para o Alentejo, numa cidade, que nem se quer é capital de distrito!
Não estamos a falar de Lisboa ou Porto, não estamos a falar da região do Algarve que é tão desenvolvido turisticamente, é o Alentejo!
Logo, acho que se devia de ver quão é difícil fazer um trabalho deste nível no interior do país, e em vez de criticar dizer ao Miguel que para o ano contam com ele, para ter a estrela novamente!

Fico por aqui...


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De André Miguel a 27.11.2015 às 19:52

Desculpe, mas a primeira estrela Michelin no Alentejo foi para o Restaurante A Bolota, na aldeia de Terrugem, Elvas, nos idos 1992 e 1993.
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De Gonçalo Queiroz a 27.11.2015 às 22:00

Caro André,
Foi um lapso meu, agradeço a informação. Mas que não deixa de me dar razão e demonstrar a dificuldade que é fazer-se um bom trabalho no Alentejo.

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