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Ricos, pobres, opções e preconceitos

por Miguel Pires, em 30.01.15

Violetta.jpg

"Come-se, e bem, por toda a Lisboa, e nem se fala pelo interior, um casal, com um vinho respeitável, por 80 Euros. Mas, os elitistas, não se conformam. Querem vender a imagem de um país de ricos. Onde se come, por 200 a 300 Euros em nome da nova gastronomia lusa."

 

Tomei a liberdade de pegar neste artigo do nosso leitor Teixeira, com quem gosto sempre de  "trocar umas bolas" na caixa de comentários. Ele discorda e protesta com muitas das minhas opções e opiniões (sobretudo se incluem as palavras "modernidade" ou "contemporâneo" :), mas fá-lo de forma civilizada e muitas vezes até dá a mão à palmatória quando eu contra-argumento. Não é com esse objectivo (o da palmatória) que repesco a frase do inicio deste post, retirada do seu último comentário. A mesma serve apenas para ilustrar uma série de opiniões preconceituosas que oiço amiúde - e que tenho dificuldades em compreender - em relação ao que uma pessoa pode ou não pode gastar num restaurante. Isto levou-me a um exercício (à falta de um termo melhor uso este) que gostava que me acompanhassem...

 

. Um casal de classe média, com dois filhos, gasta 300 ou 400€ para ir ver a Violetta e a mãe justifica o esforço financeiro, perante as câmaras de televisão, com um: "mas eles merecem".  Se a mesma família fosse interpelada à porta do Belcanto, caia o Carmo e a Trindade.

 

. Um individuo ganha 1000€/mês e gasta 500€ para acompanhar o seu clube de futebol à Rússia regressando logo após o jogo. Toda a gente acha normal. Se uma pessoa diz que foi a Copenhaga de propósito para jantar no Noma e regressou no dia seguinte, ui... temos um elitista ainda por cima excêntrico. 

 

. Um fulano com uns sapatos de 200€ a comer uns petiscos por 15€ é normal. Já outro que não liga nada ao que calça, preferindo gastar metade desse valor num restaurante, não é tão aceitável.

 

No fundo o que eu quero dizer com estes exemplos é que é natural um restaurante de preço elevado ser frequentado, sobretudo, por pessoas com poder económico. Porém, também nada há de anormal que muitas pessoas da classe média o frequente. É  tudo uma questão de opções e não tanto de alguém a querer passar a imagem de um país de ricos. Pelo menos esta é a minha convicção. 

 

 

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publicado às 12:51


24 comentários

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De Só entre nós - he a 30.01.2015 às 14:26

100% de acordo, Miguel Pires. Porém, é pena que nem todos pensem assim, e que se tenha de omitir que se foi jantar ao Belcanto, porque a conta chegou aos €400, ou porque no Azurmendi ultrapassou os €300... Se dissesse que tinha ido à final da Champions League e pagasse o mesmo, já não havia problema nenhum.

Não há dúvida que são opções, e não entendo qual é o drama se, em vez de ir jantar a restaurantes "normais", decido ir poupando esse dinheiro para depois ir a um "Michelin"... O dinheiro final gasto é o mesmo, só muda porque em vez de ter ido 10 vezes a um restaurante, só fui uma vez.

Abraço
http://soentrenos.blogs.sapo.pt
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De teixeira a 30.01.2015 às 15:56

Miguel comecemos pela palmatória. Excedi-me, no calor da argumentação, com a frase: "Querem vender a imagem de país de ricos". Penitência! Cada uma gasta o seu dinheiro como melhor lhe aprouver. Passei pela fase dos restaurantes ditos luxuosos ou caros e deles não sinto saudades. Não volto mais. Prefiro os tais de 80 a 100 Euros. Às vezes até ultrapasso, por conta de minha segunda paixão: os tintos. Violeta para mim é uma flor. Ir a uma final, o Sporting não me ajuda. Copenhaga proporcionou a minha mulher e eu dois óptimos jantares. Nenhum no Noma . Sapatos uso os confortáveis abaixo de 200 Euros. Faço 70 anos daqui a alguns meses. Vou comemorar, se o coração não falhar, num excelente restaurante de amigos e com amigos. Um dos que se come bem por 80 Euros em Lisboa. Já chego a sonhar com o arroz de pato e o presunto, e o vinho e o calor da amizade que vai pairar no ar. Minha mulher sempre leva um casaquinho para os lugares mais luxuosos. São tão frios às vezes. E, em alguns deles, quando chego em casa parece que não comi! Portanto, como diria Woody Allen , ser feliz à volta da terceira idade e não ter refluxo depois do jantar. Só nos caros é que se consegue essa bênção
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De Anónimo a 30.01.2015 às 17:01

Plenamente de acordo. Mas o excerto que serve de pretexto ao artigo do Miguel Pires deve ser relevado. Há, em Portugal, uma vanguarda gastronómca que importa defender, divulgar e promover, atendo à seriedade e qualidade do trabalho que vem realizando. Porém, existe depois uma imensa floresta de outros espaços longe do mediatismo e dos holofotes lisboetas, que fazem um trabalho honesto, desafiador e em alguns casos de autêntica resistência, baseado na boa qualidade e seleção dos produtos e nos preços mais acessíveis, que dão consistência à imagem global de boa cozinha que hoje se faz por cá. E é esta diversidade que, a meu ver, deve ser elogiada.
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De Mesa Marcada a 30.01.2015 às 19:03

É verdade, existem muitos outros espaços que merecem ser falados e que estando fora dos grandes centros sofrem mais com isso, sem dúvida.
Contudo, vivendo os autores em Lisboa e fazendo cá uma boa parte da sua vida acaba por ser inevitável que se dediquem mais à cidade. É claro que não perdemos uma oportunidade de falar sobre outros locais que visitamos fora de Lisboa, sempre que achamos oportuno.
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De Manuel Rodrigues a 30.01.2015 às 18:29

Como fã da área gastronómica sigo este blog com alguma assiduidade, mas nunca comentei, mas de facto achei por bem neste post deixar a minha opinião.

A questão de valores pagos e citando....

". Um casal de classe média, com dois filhos, gasta 300 ou 400€ para ir ver a Violetta e a mãe justifica o esforço financeiro, perante as câmaras de televisão, com um: "mas eles merecem". Se a mesma família fosse interpelada à porta do Belcanto, caia o Carmo e a Trindade.

. Um individuo ganha 1000€/mês e gasta 500€ para acompanhar o seu clube de futebol à Rússia regressando logo após o jogo. Toda a gente acha normal. Se uma pessoa diz que foi a Copenhaga de propósito para jantar no Noma e regressou no dia seguinte, ui... temos um elitista ainda por cima excêntrico.

. Um fulano com uns sapatos de 200€ a comer uns petiscos por 15€ é normal. Já outro que não liga nada ao que calça, preferindo gastar metade desse valor num restaurante, não é tão aceitável."

o q se paga ou nao só depende da carteira e da vontade de cada um dos seus gostos pessoais e daquele q cada um valoriza, no entanto sabebos q muitas vezes as pessoas fazem gastos acima das suas posses em detrimento das suas familias e isso não e assim tao aceitavel do ponto de vista social seja em q vertente for.

na questao dos valores pagos em restaurantes com ou sem estrelas, tem se vindo a verificar, um grande crescimento desses mesmos valores pagos seja por moda seja por outra razão social, será justificável esse aumento, qdo eu acho que esse crescimento de preço é inversamente proporcional ao tamanho das porções servidas, e muitas vezes de qualidade duvidável.

Sera justificativo esses valores qdo temos um pais em crise onde já temos população a passar fome?

onde a saude e uma verdadeira anedota....

e a educaçao enfim

Cumprimentos

Manuel Rodrigues

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De Mesa Marcada a 30.01.2015 às 19:20

Caro Manuel

Sempre houve, há e haverá quem viva acima das suas possibilidades (coisa que não aprovo). Contudo, que culpa têm os restaurantes? ou melhor: que culpa têm de diferente em relação a outras fontes de determinados bens de consumo)?

Vai-me desculpar mas eu não entro nessa do país pobre ou da crise, por mais que seja sensível (e sou) a ambas as questões. Tem noção de que muitos dos restaurantes de topo são importantes para a economia local por comprarem muito dos seus produtos a produtores locais (pagando em geral acima da média - de forma a garantirem um produto de qualidade? E as receitas que os turistas deixam nas regiões que visitam por causa de certos restaurantes (veja-se o País Basco, por exemplo, ou até mesmo e Lisboa.

Quanto às porções que têm diminuído proporcionalmente ao preço, não partilho dessa opinião, mas aceito-a. Na verdade o que acho mesmo escandaloso é a comida que as pessoas desperdiçam por causa "do bonito" do prato cheio.
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De Jorge Santos a 30.01.2015 às 18:55

Caro Miguel
Sem dúvida que os seus argumentos são sensatos. Eu acrescentava ainda que gastar 150€ para ver Keith Jarret ao vivo ou 200€ para ver um concerto de Arvo Part são igualmente opções de ocasiões únicas do belo e do bom gosto, neste caso na música. Mas também compreendo os que dizem que não dão tanto dinheiro para serem surpreendidos na gastronomia, na música, na pintura, ... e que ver o Benfica na Champions ou a Riahanna em Barcelona ... é que é ! Cabe-nos a todos influenciar (democratizar) os gostos, as experiências e o conhecimento dos bons produtos, das fantásticas criações de quem tem tanto talento.
Abraço, JS
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De Carlos Alexandre a 30.01.2015 às 19:49

Vou comentando o post e os comentários, de modo avulso.
Em relação à crise, claro que ela existe e é bem sentida por toda a população. Mas as consequências não são as mesmas para todos e continua a existir uma pequena parte da população com o privilégio de poder gastar muito dinheiro todos os dias. E esta, na sua maioria, não vai a restaurantes de topo, por muitas razões que não interessa aqui desenvolver.
Costumo ver a frequentar estes restaurantes, uma classe média endinheirada, o que não quer dizer que tenham muito, num misto de apreciadores de boas sensações gastronómicas, com o sentimento de já ter marcado presença naquele restaurante e agora pensar no próximo. Mais um "check".
Mas sobretudo estrangeiros. Nas minhas últimas visitas a grandes restaurantes portugueses é raro haver mais de 30 a 40% de portugueses. Para não dizer, em certos dias, menos de 10%. Portanto, isto mostra que a parte da população disponível para gastar esse dinheiro também não será assim tão grande.
Quanto à relação qualidade preço. O tamanho das doses não é minimamente indicativo.
De facto, a relação entre o custo de um perfume e o seu preço de venda não é real. Pode ser multiplicado por 100. Um relógio a custo de 750 euros chega ao cliente a 10000 com a maior facilidade. O luxo custa muito, e não se discute. Pagar muito por uma pequena dose, se for um prato de luxo, no sentido gastronómico, e não obrigatoriamente no sentido dos ingredientes, será normal. Há que compensar a criatividade e o privilégio de comer algum único.
Para mim, nestes restaurantes, pretendo é muita qualidade, muita (boa) surpresa e sair com a sensação de ter havido uma experiência, no sentido mais amplo do vocábulo.

O meu problema está apenas numa coisa: há uns anos frequentava-os e saia de lá praticamente sempre satisfeito ou deslumbrado. Atualmente, sinto que a moda dos gourmets transformou os restaurantes de topo em locais industrializados, mecanizados, demasiado na moda, com estrelas de cozinhas a roçarem o pavoneamento. E isto matou-me o prazer, e só nalguns restaurante muito caros, mas pouco frequentados mato a nostalgia dos bons velhos tempos, de há muito poucos anos.

Só que em vez de ir 3 ou 4 vezes por mês, vou de dois em dois meses, e ponderando muito bem o local. Já nem pelo custo. Mas sim pela avaliação da garantia do prazer que vou ter.
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De João Faria a 30.01.2015 às 20:18

Não podia está mais de acordo. Como jovem quase a chegar aos trinta, novamente estudante e trabalhador há muitos anos, com um rendimento de acordo com a média (para alguém da minha idade!), vivo muito longe do dito luxo. Fujo profundamente - quer pela carteira pouco recheada, quer inclusive pelo "estilo" próprio (e esta palavra também me dá comichão... mas é a única forma de me fazer entender) - à tipologia de público destes restaurantes, sinto isso. Mas sou um amante da dita "alta-gastronomia". Gosto de arte, e olho para esta área como se disso se tratasse. Dito isto, há várias formas de aproveitar este tipo de restaurantes - e já aqui falei disto em comentários a outros posts - como os menus de almoço. Em Inglaterra há restaurantes 3* onde se almoça por 45 libras. Em Portugal, o The Yeatman serve, já com um copo de vinho, um menu de 5 pratos por 45€! Não é barato, mas é uma alternativa aos mais de 120€ que seriam habituais. E esta prática é recorrente em grande parte dos restaurantes estrelados pelo mundo, de Portugal ao Japão.

Por existir esse preconceito de que o Miguel fala aprendi uma lição quando, por inocência e entusiasmo, comentei mais aprofundadamente a minha ida ao Noma, com pessoas que me rodeiam. Não o farei mais, para evitar que pensem que não tenho "mais nada que fazer ao dinheiro" ou que "ando a viver bem". Tudo ao ponto deste "pobre" aqui chegar mesmo a questionar-se se fazia sentido... Mas só até começarem os planos para a próxima viajem gastronómica.
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De Anónimo a 30.01.2015 às 23:39

Cada um tem o direito de ir onde quer, não há que criticar o que cada pessoa gasta seja onde for. Dizer que um restaurante é "caro" é relativo...quanto muito será pouco acessível, no Algarve chegamos a pagar no verão pelo robalo (selvagem, claro) 43€ por Kg, depois do peixe arranjado, filetado e tirando as espinhas, esse valor quase que duplica, quanto será que devemos cobrar por uma dose??
Será que os clientes hoje em dia têm noção do que implica ter um restaurante nos dias de hoje, pagar 23% de iva, pagar ordenados, fornecedores, segurança social...etc.etc.etc. Quem não estiver disposto a pagar os tais 300€ por casal para uma refeição tem sempre hipótese de ir a um restaurante em que os preços sejam mais acessíveis e as doses mais generosas, há espaço para todos...para o restaurante gastronômico e para a tasca "Zé Manel" não vamos criticar quem tem um mercedes só porque não conseguimos passar do fiat uno, se há gente que acha injusto os preços que os restaurantes praticam por causa da situação financeira do País, espero que essas pessoas não façam compras em lojas do grupo sonae, para não enriquecer mais o tio Belmiro, mas que façam as suas compras na mercearia do bairro, que ajudem os pequenos produtores e assim sucessivamente.
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De NSR a 31.01.2015 às 22:57

Apenas uma correcção, quem PAGA o IVA é o cliente. O restaurante cobra o IVA pelo Estado, ou seja serve de intermediário entre o cliente e o Estado.

Agora o restaurante, e penso que era isso que queria dizer, pode ter dificuldade em arranjar clientela devido ao IVA elevado.

Mas quem paga o IVA são os clientes, se os houver. SEMPRE!
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De Anónimo a 01.02.2015 às 14:24

No tais "300€" de conta o iva está incluido, o imposto do produto bruto é de 6%, mas o da revenda é de 23%...isso dificulta um bocado as coisas, há gente que nem sempre tem essa percepção, sendo que quando saem do restaurante não se queixam do iva, mas sim dos preços que naquele espaço são praticados.
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De teixeira a 31.01.2015 às 14:00

Miguel, êmbolo do post , feita a penitência pelo excesso cometido, não resisto a apimentar o debate com um novo ingrediente, que vai para o mesmo tacho dos teus "modernidade e contemporâneo". "Há em Portugal uma vanguarda gastronómica ." Será mesmo? Contextualizado em que panorama? Europeu ou luso? Mas, dessa avant-garde " eu simpatizei. "Pratica-se com trabalho honesto...", embora honestidade não seja qualidade, é obrigação, e "nos preços mais, que acessíveis, que dão consistência à imagem global de boa cozinha que hoje se faz por cá." Isto é o próprio Nirvana! O paraíso que busco. Pedirei a lanterna de Diógenes para encontrar esse Xanadu! É a reacção positiva as ementas de menu degustação de pratos que são servidos, com bulas faladas por empertigados serviçais, nos luxuosos e caros restaurantes, os tais que não me dão refluxo, uma vez que parodiando o poeta Neruda sempre concluo: "Confesso que não comi". Abraços.
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De Virgílio Gomes a 31.01.2015 às 17:12

Muito bem Miguel. Um abraço
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De Duartecalf a 02.02.2015 às 12:26

Não acrescento muito ao que já foi dito, centro-me apenas em dois aspetos: o preconceito e do "público" dos restaurantes estrelados.

Embora só há pouco tempo me interesse por cozinha de autor e por restaurantes de chefs conhecidos (há que reconhecer que atraem) sinto mais preconceito com o que lá como do que com o que pago. É sempre inevitável, sobretudo vendo as fotografias, os comentários sobre as porções, ou mesmo sobre a estranheza de alguns ingredientes. "Mas gostas de nouvelle cuisine? Não ficas com fome?!".

Quanto aos frequentadores, das poucas vezes que vou a esses estrelados, raramente vejo pessoas que me pareçam ser (muito) ricas. Ou vejo estrangeiros (não tantos assim, oiço muito português nas outras mesas) ou vejo pessoas de classe média que decidem naquele dia gastar um pouco mais para uma experiência diferente - independentemente dos motivos por que o fazem.

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