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Sangue na Guelra vítima do seu próprio sucesso

por Miguel Pires, em 06.04.15

Cartaz Sangue na Guelra 2015.jpg 

Conheço vários produtores de eventos que gostariam de ter o problema com que se depararam a Ana Músico e o Paulo Barata da Amouse Bouche: mal começou a saber-se o cartaz dos jantares do Sangue na Guelra e já eram mais os pedidos de reserva do que os lugares disponíveis.

 

 

E o que é que o Sangue na Guelra tem de tão especial?

 

Basicamente é um dos raros eventos gastronómicos mundiais que convoca uma série de chefes emergentes (essencialmente "números 2" com grande potencial, mas também "números 1" recentes) de alguns dos melhores restaurantes do mundo. Esta particularidade associada ao sucesso das edições anteriores, deu uma projecção ao evento, quer internamente, quer no exterior, com alguns dos principais divulgadores (e participantes de anos anteriores) a acarinhar e a divulgar o projecto, tanto em revistas e sites de gastronomia como nas redes sociais.

 

E, depois, quem participa já sabe que não vai ser parte, apenas, de um jantar especial mas sim, de um acontecimento. Até porque a dupla organizadora não descura nos detalhes. A começar pelos vinhos (espumantes da Bairrada em peso, mas não só) que serão apresentados pelos escanções Rodolfo Tristão, João Chambel e Nuno Oliveira; e com um novo motivo de interesse: a presença de ceramistas que estão a criar e a produzir loiças para cada chefe, dos pratos principais, aos de sobremesa, passando pelas chávenas do café. No fundo ‘um serviço Sangue na Guelra 2015', que poderá ser adquirido no local. São eles: Helena Brízido (Cascais), Cátia Pessoa (Caulino Ceramics, Lisboa), André Rocha (Studio Steam228, Caldas da Rainha), Lima e Xana (A Barraca dos Oleiros, Molelos), Irmãos Lourosa (Atelier Arteantiga, Molelos) e António Marques (Olaria Moderna, Molelos).  criaram .

 

Os Jantares dos emergentes

 

Quanto ao cartaz, se no ano passado o elenco dos dois jantares do evento era fortíssimo, o deste ano não fica atrás.

 

No dia 12 de Abril o menu será da responsabilidade de, entre outros chefes, Oswaldo Oliva e Rafa Costa e Silva dois ex importantes "braços direitos" de Andoni Aduriz no Mugaritz (2* Michelin, 6º lugar do W50Best), sendo que o último (que também tem apresentação individual marcada para o Peixe em Lisboa) é a mais recente sensação no Brasil, onde o seu restaurante Lasai (no Rio de Janeiro), com pouco mais de um ano de existência acaba de alcançar a primeira estrela Michelin. Mas neste dia haverá ainda Ricardo Chaneton - o nº 2 de Mauro Colagreco no Mirazur, em Menton, no Sul de França (2* Michelin, e melhor restaurante francês classificado no The World 50th Best Restaurants, onde ocupa o 11º lugar)  - e Márcio Baltasar, pasteleiro do Areias do Seixo, em Santa Cruz, um dos restaurantes do nosso país que mais vai dar que falar nos próximos tempos. 

 

Já na 2ªF, 13 de Abril, será a vez de entrar em cena (ou melhor, de a preparar), William Smith, Sous-chef Geranium, Copenhaga, Dinamarca (2* Michelin, 42º lugar W50Best), Sebastian Meyers – Head chef Chiltern Firehouse, de Nuno Mendes, Londres, Frederico Ribeiro – Sous-chef do Per Se, em Nova Iorque (3* Michelin, 30º lugar W50Best) e Américo dos Santos, chef de pastelaria do Belcanto, Lisboa (2* Michelin). Neste elenco temos um William Smith do Geranium, que vem de uma escola nórdica muito assente no produto e no rigor técnico - este último factor acaba por o separar (até certo ponto) dos nórdicos da escola Noma. Recorde-se que a figura principal do restaurante Rasmus Kafoed foi o único chef até hoje a alcançar os 3 lugares do pódio, em edições diferentes do Bocuse d'Or. Penso que fará bem a ponte com o português Frederico Ribeiro, que no ano passado apresentou no Congresso dos Cozinheiros uma galinha de cabidela "Per Se style". O restaurante nova-iorquino de Thomas Keller é um dos expoentes máximos da cozinha norte americana de raiz francesa e é conhecido por dar bastante liberdade aos seus chefes para criar (dentro das regras definidas pelo seu chefe principal). 

 

Aliás este é sempre um dos  maiores desafios e curiosidades do Sangue na Guelra: saber quais os chefes disponíveis para arriscar e aqueles que seguirão mais à risca o figurino dos seus restaurantes. O menor risco poderá até ser uma vantagem para os comensais. Por exemplo, em 2014, quem teve no jantar de dia 6, acabou por poder apreciar pelo menos dois pratos do Celler de Can Roca (apresentados pelos sub-chefs Nacho Baucells e Hernan Luchetti - na foto abaixo) - considerado na altura o melhor restaurante do mundo, segundo a lista do W50 Best. 

SangueNaGuelra2014Day01-8877.jpg

 

Como referi no inicio os jantares do Sangue na Guelra - que se realizam novamente na 1300 Taberna, de Nuno Barros, na Lx Factory, Lisboa - já estão esgotados. Contudo, não seria a primeira vez que alguém falhava pelo que aconselhamos os interessados a tentarem reservar através do email : reservas@sanguenaguelra.com.

 

Simpósio com o Nordic Lab, produtores de ingredientes únicos, Vincent Farges, Leonardo Pereira...

 

Mas o Sangue na Guelra não se esgota nos dois jantares. Pelo contrário. No Sábado, inserido na programação do Peixe em Lisboa, a equipa organiza um simpósio no auditório principal com um  programa que promete. Ora vejam: 

 

14h30 – 17h30 Apresentações

Graça Saraiva– Ervas Finas, Vila Real. Um jardim de flores e ervas finas único num parque protegido de Portugal.

Ann Kenny e Jean Paul Brigand – Lugar do Olhar Feliz, Alentejo. O maior pomar de citrinos da Europa.

Chef Vincent Farges – Fortaleza do Guincho, 1* Michelin. Um especialista em citrinos.

Avelino Ormonde – Produtor de vegetais autóctones da Ilha Terceira, Açores

Chef Leonardo Pereira – Areias do Seixo, Santa Cruz.

Nordic Food Lab – Noma, Copenhaga, Dinamarca. Investigação científica em gastronomia.

 

18h00-20h00 Showcooking dos chefs. Tema: Ostra

 

Os chefes que participam nos jantares do Sangue na Guelra vão subir ao palco para cozinhar e falar sobre ostras  - num país como o nosso que produz mais do que consome. 

 

Portanto, jantares esgotados e uma tarde de sábado (simpósio) bem preenchida, é o que prometem os organizadores do Sangue na Guelra, num programa satélite que muito enriquece a programação do Peixe em Lisboa. 

 

O Mesa Marcada associa-se (de novo) ao Sangue na Guelra, como media partner. 

 

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publicado às 19:18



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