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Sucesso na Guelra

por Miguel Pires, em 05.06.16

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Todos os anos vislumbro nas expressões do Paulo Barata e da Ana Músico, organizadores do Sangue na Guelra, um misto de sentimentos contraditórios. Nos meses que antecedem o evento tanto oiço empolgados falarem dos chefes que convidaram (e que de pronto disseram sim), como os encontro à beira de um estado de nervos com os diversos obstáculos que a empreitada sempre traz. Se por um lado sentem o apoio de uma comunidade gastronómica local e internacional de culto que colabora, estimula e divulga o evento - de chefes, produtores, bloggers a jornalistas da àrea. Por outro lado, há toda uma logística complexa (quando se quer fazer as coisas bem e com nível) e uma batalha para conseguir as verbas necessárias para repetir a dose, ano após ano. Por isso, não é de estranhar quando os vemos agradecer a todas as pessoas envolvidas, e, também, ao patrocinador principal, (Água do Luso Com Gás), sem os quais "este acontecimento não existiria", como frisou Paulo Barata no discurso de abertura do evento.

 

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 (foto: Miguel Pires)

Todos este preâmbulo para dizer que é fundamental que o empenho e o entusiasmo não esmoreça e que mais apoios surjam, até para que se possa ir além dos jantares e trazer de novo a parte do simpósio aberto a um público alargado. Contudo, mesmo que seja apenas actual modelo de jantares especiais a existir, que assim seja, porque ninguém dará o seu tempo (e/ou dinheiro) como perdido. 

 

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Estive no primeiro dos três jantares e visitei os bastidores durante dois dos três dias do Sangue na Guelra e posso dizer, que além de um jantar muito especial, pleno de propostas estimulantes, fiquei convencido que o intercâmbio entre cozinheiros e pessoal de sala de várias partes do mundo terá consequências muito positivas  para os profissionais envolvidos, e seus restaurantes - já para não falar da repercussão dos artigos sobre a cidade publicados pelos vários jornalistas internacionais presentes. Foram vários os chefes que tiraram férias ou usaram as suas folgas para virem dar assistência na cozinha aos seus colegas que faziam parte do cartaz deste ano. Vi por lá o Manuel Maldonado da Ostraria (a propósito, aproveitem este Verão e dêem um salto ao último piso do Hotel do Chiado, em Lisboa, que o Manuel e a sua equipa prepara, umas ostras à maneira), O Luís Barradas, agora na Quinta do Tagus, em Almada,  o Pedro Pena Bastos, do Esporão, o Nuno Barros, da Taberna 1300 (onde decorreu o jantar), o Leonardo Pereira e o Leandro Carreira (que veio Londres), o Milton Anes, do Arola Penha Longa - que veio ajudar o seu colega Diogo Lopes, responsável pelas sobremesas -, entre outros.  

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Neste primeiro dia apresentaram-se a jogo o espanhol Alberto Montes, do  Atrio, (2 ** Michelin, Espanha), James Lowe, do  Lyle´s, (1* Michelin), Inglaterra, o autraliano Alisdair Brooke Taylor, do In De Wulf, (1* Michelin, Bélgica)

e o Chef de Pastelaria Diogo Lopes, do Penha Longa, Sintra. Foi um jantar de grande nível com um óptimo e tudo a decorrer num timing correcto. Não houve um único prato aborrecido, nem um tiro ao lado. James Lowe é um verdadeiro craque, que merece toda a atenção que tem tido pelo trabalho desenvolvido no seu restaurante de East London e Alisdair Brooke Taylor segue-lhe os espaços num estilo semelhante. Num registo ligeiramente diferente surpreendeu-me muito (porque não tinha grandes referências), o espanhol Alberto Montes que apresentou um belíssimo ceviche de corvina, maracujá e abóbora e um carabineiro com molho de jerez oloroso e merengue de tomate. Também Diogo Lopes esteve bem com a sua "sardinha e arraial" (muito boa a compota de pimento).
 
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  (foto: Miguel Pires)
 
Choco cru com ovas de choco embrulhadas em folhas de batata doce e salmonete curado com nêsperas, dois snacks verdadeiramente vencedores de James Lowe, logo a abrir.  (foto: Miguel Pires).
 
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Ostras, sumo de couve grelhada, favas, cação curado e levístico de Alberto Montes.

SG16_20160522_GONCALO VILLAVERDE_0102.JPGVegetais grelhados, codium e flor de cebolinho de Alisdair Brook-Taylor.

 SG16_20160522_GONCALO VILLAVERDE_0113.JPGRaia e molho do seu fígado embrulhado em folha de azeda também de Alisdair Brook-Taylor. 

SG16_20160522_GONCALO VILLAVERDE_0117.JPGO carabineiro do Ramiro desconstruído por Alberto Montes. Pornográgico!

 

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"sardinha e arraial"  de Diogo Lopes, uma sobremesa inspirada nos santos populares (adorei a compota de pimento!). 

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Alisdair  e os seus 3 segundos como estrela de TV SG16_20160522_GONCALO VILLAVERDE_0129.JPG

Houve café Delta (lote São Tomé) filtrado

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 Para o ano há mais. Euforia e angústias. Para nosso deleite.

 

Fotos: Gonçalo Villaverde (excepto as assinaladas)

 

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