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No restaurante onde janto, no Meco, um casal e um amigo sentam-se na mesa ao lado da minha. “Queríamos um Catarina”, ordena aquele que parece ser o expert do grupo. Quando lhe colocam os copos à frente agita-se e num sobressalto exclama com ar de Einstein em vias de gritar Eureka: “espere Mário, espere! É que liguei para cá esta tarde a pedir para colocarem umas flutes no frigorífico”. Dois minutos depois lá chegaram os três flutes embaciados para regozijo da mesa. Parece-me inclusive ter ouvido um "bravo!", mas não estou certo. Recordo-me no entanto que quando ouvi alguém da mesma mesa dizer "parece que agora há um gin tónico que leva uvas", pedi a conta, paguei e sai.  

 

Moral da história: de que adianta dizer num restaurante que os flutes não fazem sentido para um vinho branco se não só há empresas (de Vinho Verde) a promoverem-no assim, como ‘experts’ que ligam antecipadamente a solicitar que os coloquem no frio? 

 

P.S. esta história teve o patrocínio de meia garrafa de Muralhas fria em flute à temperatura ambiente 

 

 

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publicado às 22:16

Afinal o Algarve é espanhol?

por Rui Falcão, em 22.11.10

 

Não, não se trata de um qualquer sentir iberista algarvio, de um potencial movimento integrista com Espanha, mas antes de um azeite descoberto em São Paulo, no mercado municipal de São Paulo, no meio das muitas bancas que oferecem desde as frutas mais exóticas à carne de crocodilo, passando pelos produtos portugueses genuínos, tal como este azeite português, de marca Algarve, que, apesar da péssima fotografia tirada com o telemóvel, indica que é “produzido com as melhores azeitonas do mediterrâneo, prensadas a frio, ao melhor estilo português”. O único senão é que, revirada a garrafa, se descobre, em letras bem pequenas no contra rótulo, a indicação de que o azeite provém de Espanha, do império andaluz Acesur, um dos maiores grupos mundiais da indústria do azeite…

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publicado às 09:25

Perversão ou decadência?

por Rui Falcão, em 23.06.10

 

Não vos parece perverso, ou mesmo grotesco, que a oliveira, uma árvore longeva e que sobrevive rotineiramente para se transformar numa árvore centenária ou milenar, acabe por morrer de exaustão após dez a quinze anos de serventia num olival superintensivo?

Não estaremos nós a degradar a natureza quando esgotamos uma árvore milenar em pouco mais de uma década?

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publicado às 01:35

Histórias exemplares IV

por Duarte Calvão, em 19.07.09
Uma publicitária lamenta-se da dificuldade em conseguir ir ao El Bulli e de como gostaria de fazê-lo. Sugiro-lhe outros restaurantes espanhóis em que a cozinha de vanguarda é bem apresentada (Celler de Can Roca, El Poblet, etc) e onde é mais fácil arranjar mesa. Não parece muito interessada. "Eu assim ao restaurante mais diferente a que já fui foi a um em Paris onde era tudo às escuras e os empregados eram cegos", informa-me. "Também é uma experiência sensorial muito interessante. Nem me lembro do que comi, mas, realmente, aquilo é muito difícil de acertar".

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publicado às 12:34

Histórias Exemplares III

por Miguel Pires, em 06.07.09
Um jovem com memória de minhoca janta relaxadamente num restaurante de luxo, no Funchal. Já no final da refeição, e depois de acabar o Madeira que estava a beber, chama a empregada e diz-lhe: "A sua colega foi muito pouco generosa. Pode servir-me mais um pouco?". Ao que a empregada responde: "olhe, a minha colega era eu e servi-lhe a medida correcta".
Moral da história: se não consegue fixar a cara da empregada que o serve, começe a tomar comprimidos ou então solicite que deixe a garrafa na mesa.

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publicado às 13:24

Histórias exemplares II

por Duarte Calvão, em 24.06.09

Num almoço para qual fui convidado calhei numa mesa onde um gastrónomo encetou uma conversa comigo, falando de alguns restaurantes de renome internacional aos quais já tinha ido, exibindo até uma certa intimidade com alguns chefes. A certa altura, vem a pergunta inevitável:
- O que acha da Michelin em Portugal?
- Acho que as estrelas, daquilo que conheço, está bem atribuídas. Acho é que deveria haver outros restaurantes que também as deveriam ter - digo eu, recorrendo à resposta que costumo usar.
- E o que acha do Eleven?
- É um bom exemplo de uma estrela que está bem atribuída.
- Pois eu não acho nada. Um dia fui lá com o X [e a pessoa em questão, que estava também na mesa, assentiu, confirmando por antecipação a história que viria a ouvir], para o lançamento do livro do Y. Como chegámos um pouco mais cedo, pedimos um copo de vinho. E sabe o que o empregado nos respondeu? Que tinha ordens para só servir o vinho quando o Sr. Y chegasse...Acha que um restaurante com um serviço destes merece uma estrela?
De nada adiantou eu explicar que, apesar de não concordar com a atitude do empregado (ou de quem lhe terá dado a ordem), não me parecia razão suficiente para a retirada da estrela, que estas são atribuídas em função da cozinha e não do serviço ou da decoração (informação que pareceu surpreender o meu interlocutor), que a situação se tinha passado no andar superior, onde o Eleven organiza as refeições para grupos, e não na sala do restaurante...nada fazia demovê-lo, sempre com o assentimento do seu amigo X, de que o único restaurante com uma estrela Michelin de Lisboa deveria ser punido, quiçá fechado, por não lhe ter servido um copo de vinho quando ele queria.
Moral da história: noutros países e noutras cidades, ter restaurantes com estrelas Michelin é motivo de orgulho, sobretudo entre os seus gastrónomos. Em Espanha, por exemplo, às vezes com um exagero que também não quero para cá, se um restaurante tem "só" uma estrela, dizem logo que merece duas ou até três e queixam-se do "francesismo" dos inspectores que não reconhecem a qualidade da cozinha que se faz no seu país.
Em Lisboa, desde que recebeu a estrela, o Eleven, em vez de ser saudado, começou logo a ser visto com desconfiança, numa atitude típica do género: "olha, o que é que eles são mais que os outros?". Para isto não ficar demasiado longo, nem vou enumerar a quantidade de críticas (geralmente relacionadas com o serviço) que ouvi, como se ter uma estrela Michelin fosse ter três, ou como se fosse obrigado a ser um restaurante perfeito, onde cada refeição tivesse que nos levar ao sétimo céu. Como a grande maioria dessas pessoas não aplica o mesmo grau de exigência quando vai a outros restaurantes, quer em Portugal quer no estrangeiro, só posso concluir que gostamos de punir quem tem êxito, quem ousa se destacar da mediocridade geral. Parece que não ficamos descansados enquanto não formos um país em que a sua principal cidade não tem nenhuma estrela Michelin.
Declaração de interesses: há uns anos, escrevi um livro sobre "A cozinha de Joachim Koerper" e fiquei amigo deste admirável profissional, cuja vinda para Lisboa devia ser acarinhada por todos nós.

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publicado às 10:14

Histórias exemplares I

por Duarte Calvão, em 16.06.09
Um conhecido gestor português, ainda novo, rico, sofisticado e viajado, revelou a um não menos conhecido gastrónomo:
- A minha mulher e eu adoramos trufas brancas. Já não passamos sem elas.
- Ah sim? E onde é que as costumam encontrar? São tão raras...
- No Olivier. Ele tem todo o ano e vamos lá quase todas as semanas. Estamos viciados naquele aroma..., confessou o gestor, com ar cúmplice.


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publicado às 13:24


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Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

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Comentários recentes

  • Miguel Pires

    Oops, já corrigido. Agradeço o reparo.

  • Martinho Cruz

    Tudo bem. Vega “Cecília” é que me ultrapassa.....

  • Anónimo

    Esta é uma boa notícia para esta altura do Natal.....

  • Duarte Calvão

    Acho, João Faria, que coloca a questão nos termos ...

  • João Faria

    É verdade que, infelizmente, a mudança ocorrida na...