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Doçaria Japonesa em palato conventual

por Miguel Pires, em 13.12.09

Nesta viagem de 3 semanas entre Tóquio e Quioto pude confirmar algo que de que já desconfiava: a doçaria japonesa não faz o meu género. O frustrante é que todo o detalhe e cuidado posto na apresentação (como podem verificar nas fotos abaixo) torna a compra irresistível. Mas quase sempre a cada degustação uma nova desilusão. Sabores demasiado subtis para um palato que cresceu guloso de doces à base de (muitos) ovos e (muito) açúcar e que embora hoje prefira algo mais subtil não se satisfaz com tanta subtileza. 

 

 Apenas de observar e provar (i.e. sem grande pesquisa) constatei que os principais doces que se encontram nestas duas cidades têm em comum determinados elementos: chá verde, feijão azuki, castanha e batata doce - quase sempre como recheio sob uma camada de massa de arroz quase crua. Para alem deste tipo de doces encontra-se muito o baumkuchen (de origem alemã), a Castela (que segundo consta foi deixado pelos portugueses e que é uma derivação do nosso pão de ló) e também a doçaria francesa: tanto a mais popular (nas "boulangeries" que se encontram em muitos sítios) como a mais sofisticada (nas cadeias de luxo: Lenôtre, maison du chocolat, entre outras).

A sobremesa como final de refeição não faz parte dos hábitos locais daí a grande maioria dos restaurantes não ter, ou quando têm se dever mais a uma influência ocidental e para satisfação destes do que a um desejo próprio (excepção para uma geleia sólida de fruta que é tradição no final das refeições kaiseki).

O facto de não comerem doces de sobremesa não quer dizer que os japoneses não os apreciem. De todo. Há lojas repletas de clientes que parecem ourivesarias; há filas para comprar e levar baumkuchen; e, entre as 15h e as 18h é difícil arranjar mesa nas principais casas de chá onde um menu de chá+doce pode custar mais do que o de almoço.

Como referia no inicio é bem provável a um ocidental demasiado formatado pela doçaria conventual (e derivados) sentir algum desapontamento no palato, mas é muito difícil resistir-lhe. É que os olhos também comem.

 

 pastelaria? ourivesaria? em Quioto

 

 

geleia sólida de dióspiro no final da refeição no Kikunoi em Quioto

 

fila na Nenrya bakery em Ginza (Tóquio), para comprar isto...

         

 

 

baumkuchen

 

 

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publicado às 11:01

Obcecados por comida II (Tóquio, Japão)

por Miguel Pires, em 10.12.09

 

 

 

 

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publicado às 17:38

Obcecados por comida

por Miguel Pires, em 07.12.09

Os japoneses são obcecados por comida, não no sentido da "comezaina" mas sim no sentido de fazer e servir bem e de apresentar de forma impecável. Em duas semanas que levo de Japão, primeiro em Tóquio, seguido de Quioto e agora de regresso à capital, comi quase sempre muito bem. Supermercados, lojas de conveniência,   foodhalls das principais estações de transportes publicos (bem como de centro comerciais ou de armazéns), bancas de mercado,   pequenos restaurantes de noodles, ou de sushi,  restaurantes mais sofisticados, ou até mesmo, num dia de desespero, num bar de tapas galegas, foram os vários locais onde comi desde o mais básico prato de soba, ao invariável sushi, passando por tempuras, sukyakis, entre muitas outras iguarias, até chegar ao topo,  a experiência única de uma refeição kaiseki, no Kikunoi, do chefe Yoshihiro Murata (um dos mais reputados restaurantes de Quioto, a quem a  Michelin atribuiu 3 estrelas no recente Guia de  Quioto e Osaka).

Por vezes escolhe-se baseado na intuição, visto em muitos dos casos o menu só existir em japonês. Outras vezes aponta-se para as fotografias e reza-se para que os 2000 ienes sejam de um menu de almoço e não apenas de uma entrada. É impossível não nos lembrarmos, a todo o momento, do filme Lost in Translation de Sofia Copolla, mas mesmo quando nos perdemos na tradução nunca deixamos de nos entender. É que os japoneses são obcecados por comida mas antes disso são obcecados por servir bem.

 

Uma curiosidade: no pequeno bairro de Gion, em Quioto, existem mais restaurantes com estrelas Michelin do que em Portugal e, arriscaria, Espanha inteira. Muitos não têm mais do que 10 lugares e são raros os que ultrapassam os 40 lugares. Em nenhum vi à porta qualquer alusão à sua condição de "estrelados".

 

Depois de ter deixado aqui, em post anteriores, fotos do mercado de Tsukiji (o maior mercado de peixe do mundo), vou fazer alguns posts com fotos que possam traduzir melhor algo do que refiro acima.

 

 

08.20h: pequeno almoço junto ao mercado do peixe de Tsukiji

 

"Italian sashimi", mercado de Quioto

 

cavala (?) fumada

 

 

 

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publicado às 14:15

Aqui há Peixe (Tóquio - II)

por Miguel Pires, em 27.11.09

mercado do peixe de Tsukiji, em Tóquio (cont.)

 

 

 

 

 

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publicado às 04:17


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