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Foto: João Ferraz

 

Teria muito a recomendar de Lima, onde estive há pouco e comi tão bem. Já elogiei nesse post aqui no Mesa Marcada o Central e o Osso, mas fiquei devendo detalhes.... que eventualmente virão, prometo.

 

Também poderia listar para vocês os lugares que mais me impressionaram em Nova York, onde esteve agorinha nosso valoroso Miguel Pires, pulando de mesa em mesa.

 

Que dizer então de São Paulo, minha cidade, onde vivo testando restaurantes? Outas mil dicas para dar.

 

Mas prefiro falar, hoje, de um lugar onde ainda não fui. Quase fui uma vez, quase fui outra vez, levada por amigos que são habitués, mas.... acabou não dando certo.

 

Que erro.

 

O Minato Izakaya é dos lugares mais interessantes a surgirem em cena em São Paulo em muitos anos. Um izakaya – o que significa um bar onde bebe-se saquê e cerveja mas se pode também comer pratos descomplicados e reconfortantes como espetinhos de frango, tofu empanado em caldo, barriga de porco, etc.

 

Antes que vejam jogar pedras – como pode ela elogiar um lugar que não conhece?! – esclareço que quero elogiar o dono mais do que o lugar.

 


O co-proprietário Sergio Kubo no Minato Izakaya.....    Foto: João Ferraz

 

 

Passei uma hora falando com Fábio Koyama pelo telefone e aconteceu o que acontece a cada vez que entrevisto alguém muito, muuuuuito dedicado ao seu ofício: fiquei impressionada, senti-me pequena perto dos grandes sacrifícios que ele fez para chegar aonde chegou.

 

Tive essa sensação ao passar dois dias no indescritível Fäviken, na Suécia, para onde quero voltar assim que a agenda e o orçamento permitirem. Minha longa conversa com o chef-proprietário Magnus Nilsson – jovem, porém mais focado e dedicado e sábio do que a maioria de seus contemporâneos – me fez sentir-me grata por ter a profissão que tenho. Arriscando soar piegas, foi emocionante, muito inspirador.

 

Tenho também essa sensação em certas conversas com os chefs brasileiros Alberto Landgraf (Epice) e Alex Atala (D.O.M.), outros obcecados, no melhor sentido da palavra. Ou Ferran Adrià, o obcecado dos obcecados, com quem posso passar uma madrugada debatendo história da gastronomia (como aconteceu há pouco, em Lima - ele deixou de ser restaurateur mas nem por isso ficou menos intenso).

 

A ver se me explico: para se criar um lugar que se diferencia dos outros, e ser reconhecido por isso, não dá para ser um cara normal. O jornalista que investiga, entrevista, pesquisa, aprende que o chef em questão não chegou ali por acaso. Tem um quê de louco obcecado. Deu o sangue, fez muito nos bastidores e sacrificou muito de seu tempo pessoal para fazer o restaurante ser o que é. E sua cabeça não pára.

 

Às vezes, no meu trabalho, descubro mais um desses. Fábio Koyama, que já passou por inúmeros restaurantes paulistanos, a maioria japoneses, morou cinco anos no Japão para aprender onde mais se aprende. Sem dinheiro, teve que trabalhar meio período em uma fábrica para pagar o aluguel. No outro meio período aprendia mais sobre seu ofício, em restaurantes relativamente simples de Tóquio. Mal sobrava tempo para dormir ou ver sua filha.

 

De volta ao Brasil, investiu o pouco que tinha em um imóvel em quarteirão desprestigiado da rua Pinheiros, perto do perigoso Largo da Batata (assaltos frequentes). Ele mesmo desenhou o lugar, e com o sócio Sergio Kubo fez boa parte do trabalho com suas próprias mãos. Arquiteto ou decorador, nem pensar.

 

 


Do canto esq., em sentido horário: Fábio Koyama, Júlio Raw, Paulo Yoller, Sergio Kubo e Meguru Baba, no Minato. Foto: João Ferraz

 

 

 

 

Abriram em maio. Desde então, ganharam prestigioso prêmio do jornal Estado de São Paulo (Prêmio Paladar) além de muitos outros.

 

O prêmio maior, no entanto, é a casa cheia. E tem estado casa vez mais cheia, a ponto de resolverem abrir uma filial nos Jardins, outro bairro paulistano.

 

A comida não é unanimidade. Tenho dois amigos que acham ótima e um outro amigo, muito exigente e entendido de Japão, que insiste que é muito fraca. Mas francamente, acho que ninguém vai lá querendo uma experiência gourmet, mas sim uma noite muito divertida.

 

Recomendo sem titubear, mas por outro lado... é o tipo do lugar de que falo com medo de estragar....

 

Para ler mais sobre restaurantes japoneses de São Paulo, um post na Folha de São Paulo sobre meus favoritos.

 

 

 

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publicado às 13:03


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