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Tascas por quem sabe

por Duarte Calvão, em 07.03.16

GTLX_creditoGoncaloFSantos.jpgAdoramos dizer que é nelas que se come bem, comida patriótica e “honesta” (seja lá o que isso for), a preços miraculosos, doses generosas que dão para “dois ou três”, empregados castiços que já são amigos, cozinheiras que já são pessoas de família, onde se perdoam toalhas e guardanapos de papel, travessas de inox, copos (no mínimo) inadequados, talheres idem, iluminações desastrosas, ruídos, desconforto, alumínios, publicidade invasiva de gelados e refrigerantes. Mas a verdade é que todos parecem ter a sua tasca favorita, todos fazem periodicamente descobertas fantásticas, todos se sentem em casa nelas.

 

 

Este retrato caricatural e injusto serve para apresentar a primeira obra de Tiago Pais, um dos nossos melhores jornalistas na área da gastronomia, com um estilo muito próprio que dispensa “press releases”, assinando actualmente óptimos artigos sobre restaurantes no Observador, depois de ter passado seis anos na Time Out. Ele andou um ano a pesquisar tascas lisboetas, ou seja, a comer nelas, seleccionou cinco dezenas, concedeu “Palitos d’Ouro” às suas sete preferidas, e escreveu pequenos textos sobre cada uma das 50 , destacando pratos do dia e especialidades, incluindo moradas e horários e ainda um mapa destacável com a localização das eleitas. Tudo ajudado por belas fotografias de Gonçalo F. Santos e grafismo de Luís Levy Lima, numa edição da Zest.

 

Nasceu assim o guia “As 50 Melhores Tascas de Lisboa”, que será lançado às 18h desta quarta-feira no Zé da Mouraria (Rua João do Outeiro, 24), uma das tascas que conquistou o Palito d’Ouro. Eu sei quais foram as outras seis, mas não digo, quem quiser que compre o guia, O qual, aliás, é baratíssimo para a informação que oferece, capaz de proporcionar grandes poupanças nos capítulos da alimentação e do entretenimento, custando apenas 11 euros. Trata-se portanto de obra muito útil, que aliás terá em breve edição em inglês, já que os turistas que visitam a cidade parecem ainda mais atraídos pelas tascas do que nós. Sendo eu bastante ignorante na matéria desde os meus 20 anos (onde eles já vão…) não deixarei de recorrer a esta orientação de alguém a quem, como Tiago Pais afirma corajosamente na apresentação da sua obra, “nada dá mais prazer do que entrar numa casa simples, com azulejos gastos e copos baços, pedir o prato do dia e acabar a roer os ossos, lamber os dedos e a molhar o pão, não necessariamente por esta ordem".

 

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publicado às 17:10


5 comentários

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De teixeira a 12.04.2016 às 09:41

Surpreendido por um problema de saúde, que me fará perder os ingressos para a Casa da Música, no dia 14, e o Arroz de Lavagante recomendado pelo sempre inteligente e perspicaz Carlos Alexandre, fui confinado pelos médicos a um repouso que me permitiu ler, com gosto, a publicação do Tiago Pais, que não conhecia, a respeito de tascas em Lisboa. Penso que o post enfatiza que o autor é um dos melhores jornalistas gastronómicos de Portugal com muita justeza. Texto bem humorado, virtude pouco cultuada nesses tempos, reúne, com elegância, porque eleva o tom da qualidade dos 50 estabelecimentos que seleccionou . Com sofisticação natural, sem pedantismos, descreve os pratos que provou e, ainda, os apresenta em fotos de muito bom gosto. Realmente, um contributo, de valor, até mesmo como contraponto a outros guias, blogs e publicações na área da restauração Para mim, confirma que nem só de estrelas vive o firmamento da gastronomia. Parabéns Tiago.
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De teixeira a 12.05.2016 às 23:29

Penso que esse comentário interessa para poucos. Mas, o faço. Por justiça. Elogiei a publicação e fui a campo para iniciar o périplo das sete tascas, uma estrela palito. Fui a Maça Verde. Para jantar. Primeiro, como é do meu costume, fiz um contacto prévio telefónico , para saber se era bem recebido. Ah, como fui! Parecia o CR7 a tentar reservar uma mesa em Mónaco. Delicadeza e prontidão. Chegamos, minha mulher e eu, e tínhamos um pão quentinho, um queijo cremoso e um presunto tão róseo, que me deu saudades das bochechas do meu neto mais novo! Prosseguimos, para umas sardinhas tão bem apresentadas e divinalmente grelhadas. No ponto certo. Ato contínuo, já escolhidos previamente, iniciamos a doce escalada por uns dois ou três robalinhos. Fantásticos. Leitosos, sem lembrar nenhum enxaguante capilar. Sal perfeito. Ponto de cocção ainda mais. A salada, sofisticada , de alface e tomate primaveril, apesar da chuva que caia lá fora. Batatas cozidas com o amarelo da esquadra espanhola do .... submarino amarelo. Pareciam dissolver ao contacto com o palato. Regamos o jantar com um espumante da Bairrada, um simplório Quinta das Bageiras . Mas, não deixei de homenagear o dono do Maça Verde em provar o tinto da casa. Depois, uma salada de frutas tão naturais que nos sentimos na Linha do Equador. Vamos prosseguir na viagem gastronómica do guia. Parece tão racional. De louco não tem nada. Ou será? Esqueci. Não paguei nem 45 Euros.
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De Carlos Alexandre a 02.06.2016 às 21:16

Pena que mais gente não dê o feedback.
Gostei do relato. Gostei da apreciação positiva.
Visitarei este verão.
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De teixeira a 02.06.2016 às 17:33

Fomos a mais uma Palito de Ouro. O Zé do Pinto. Lamentável. Péssimas pataniscas, pratos do dia, nas quintas, com arroz de feijão, onde sobrou farinha e ovo, em detrimento do "fiel amigo", e a falta de um tempero para o arroz. Pernil, avantajado, de leitão, com gordura para esbanjar, e um vinho da casa, branco, capaz de cirrose instantânea. Substituído por um Dão branco. Serviço competente, no lema: " coma rápido e vá-se embora". Magnífico pudim de leite à antiga. Pior! Fotos do Benfica por todos os lados. Uma indigestão !
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De teixeira a 03.06.2016 às 09:42

Pequena errata ou comentários complementares ao Zé do Pinto. Um pela positiva: o Senhor António, que nos atendeu, era de uma simpatia invulgar, porém não consegue dar ritmo menos frenético à estonteante velocidade do serviço cozinha-comensais; pela negativa: pedimos de entrada uns "joaquinzinhos", que, contudo, pelo tamanho dos peixes, estavam muito mais para "joaquinzões".

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