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No meio do turbilhão mediático provocado pelos óptimos resultados no recente Guia Michelin, para Portugal, acabou por passar mais despercebida a final do Chefe Cozinheiro do Ano 2014 (CCA), o prestigiado e mais antigo dos concursos dirigidos a profissionais de cozinha organizado em Portugal e que completou agora 25 edições.

 

 

Este ano o CCA - que teve Nuno Mendes (chefe de cozinha do Chiltern Firehouse, em Londres) como presidente do juri -  foi ganho por António Loureiro do Mélia Braga Hotel & Spa, com o menu, “Horta e Capoeira” (entrada), “Bacalhau Negro” (prato de peixe),  “O Ossobuco, a Moleja e o Coração” (prato de carne) e “Feira Popular” (sobremesa). 

 

Em 2º lugar ficou Ivo Brandão da Pousada de Alcácer do Sal e em 3º Rui Martins do Hotel Rali (Viana do Castelo). O Prémio Helmut Ziebell para a melhor sobremesa foi atribuído a António Barros do restaurante O Talho, em Lisboa.

 

Como é habitual foram publicadas no site do concurso as pontuações individuais do júri e, ao que parece, houve uma divisão entre contemporâneos e tradicionalistas. Nuno Mendes, Sá Pessoa, Leonel Pereira, João Rodrigues e Nuno Diniz preferiram o trabalho de Ivo Brandão (o 2º classificado), enquanto Orlando Esteves e Helmut Ziebell votaram expressivamente em António Loureiro - de tal forma que é devido à grande diferença de pontuações dadas por estes dois membros do júri que o chef do hotel bracarense se torna vencedor. Já agora diga-se que um dos prémios atribuídos ao vencedor é a possibilidade de fazer um estágio no Azurmendi (próximo de Bilbau), o restaurante de cozinha de autor, contemporânea, com 3* Michelin, de Eneko Atxa. 

 

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publicado às 20:09


7 comentários

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De André a 25.11.2014 às 02:47

Com ou sem prémio, o Melia Braga continua a não ter qualquer interesse gastronómico, e dúvido que isso mude no futuro. A cidade de Braga (com as honradas exceções) é demasiado conservadora para que isto mude alguma coisa, e o trabalho que é feito no restaurante deste hotel em nada traduz esta vertente. Culpa da gestão ou do chef é algo que fica por saber...
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De Bibendum a 25.11.2014 às 03:02

Com este resultado o único que apetece dizer é que mais vale nem haver concurso. Mas algum dos jurados conhece o trabalho deste "chef" fora do âmbito do concurso? Pelo resultado final a resposta só pode ser não...
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De Miguel Pires a 25.11.2014 às 09:32

Bibendum , o prémio é atribuído de acordo com uma série de regras e provas (eliminatória regional e final) e não de acordo com o que o chefe faz fora do concurso. Creio que essa metodologia é utilizada em outros concursos, lá fora, atribuídos por profissionais de cozinha a profissionais de cozinha. Pode-se concordar o não com ele, agora criticar a actuação de um júri que seguiu as regras é que não me parece lógico.
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De Luís Américo a 25.11.2014 às 10:16

Por um ponto se ganha por um ponto se perde!!!... Foi o caso!

Não conheço o trabalho do Ivo Brandão no CCA2014, mas como fiz parte do Júri da Regional Norte, fiquei bastante contente pela Vitória do António Loureiro!
Embora não tenha sido o vencedor da Regional Norte (foi o Rui Martins), na altura fiquei bem impressionado com o trabalho do António Loureiro. Como referes e bem Miguel Pires, o concurso tem um regulamento, e tudo vale pontos... Desde a forma como te apresentas, como te organizas... até o caixote do lixo é inspeccionado detalhadamente :-) !
É claro que o sabor é quem mais ordena, mas vale 40 pontos em 100.

O Trabalho do Rui Martins já era conhecido por alguns de nós e havia alguma expectativa positiva que se veio a confirmar.
Contudo, o António Loureiro era um ilustre desconhecido, sem referências de algum tipo de trabalho, o que o posicionava num campo neutro.
Foi impressionante de principio ao fim, fez-me lembrar o Vitor Matos (Casa da Calçada) que foi chefe cozinheiro do ano em 2003 quando tudo apontava para a vitória do Ricardo Costa (the yeatman) (ambos com uma estrela michelin neste momento.)
Organização exemplar, acondicionamento dos produtos irrepreensível, pratos prontos a horas, temperaturas correctas, inovação, técnica e sabor... e pontos!

Esperemos agora ter a oportunidade de provar a ementa vencedora algures por aí :-) ... Já que pelos vistos no Meliã de Braga ...


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De Miguel Pires a 25.11.2014 às 11:56

Luís Américo, obrigado pelo comentário e por dares a conhecer a tua experiência enquanto júri da prova regional e a impressão com que ficaste do agora vencedor António Loureiro.

Sem menosprezar o seu valor ou tomar partido de Ivo Brandão (não conheço o trabalho de nenhum dos dois), acharia mais correcto se os regulamentos previssem uma finalíssima , (quando o trabalho de dois chefes se destacam dos restantes, por exemplo) em que cada chefe indicasse um nome para vencedor e não uma pontuação. Confesso que faz-me alguma confusão que o voto de 2 chefes tenha mais valor do que o de 4, que foi o que aconteceu.

Mesmo sem ter assistido, e sem conhecer a cozinha do Ivo Brandão (mas apenas as fotos de alguns pratos) a sensação que me dá é que Orlando Esteves e Helmut Ziebell quiseram penalizar o seu estilo de cozinha mais contemporâneo.

Pergunto-me, por exemplo, se um Nuno Mendes, um Andoni Aduriz ou um René Redzepi teriam alguma hipótese de vencer um concurso destes a competir com um chefe de cozinha francesa tecnicamente perfeito, mas sem alma, como existem aos magotes pelo mundo, sobretudo, em hotéis.
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De Luís Américo a 25.11.2014 às 12:21

Gostei do teu ultimo parágrafo... daria pano-para-mangas!!!
É quase como discutir o Ranking dos 50 melhores restaurantes do mundo ehehehe!
Descontextualizando, fizeste-me lembrar uma frase que tenho defendido há alguns anos para o sucesso dos restaurantes... A alma é o segredo do negócio !

Julgo que quem tem alguma visibilidade mediática dificilmente se exporia num concurso destes :-)
Os chefes que referes têm uma capacidade invulgar de pensar a cozinha, tecnicamente podem depois não ser os melhores e os mais rápidos.
Lembro-me da Helena Arzak num Madrid Fusion estar a explicar uma criação sua e se virar para o Xavier Gutierrez e dizer - Faz tu que estás habituado a fazer isso todos os dias!!

Quanto à finalíssima, indiscutivelmente SIM!, principalmente perante este "Generation Gap" ... Aqui o Nuno Mendes poderia ter tido algum poder já que era o presidente do Júri, mas compreendo que pela sua forma de estar não o tenha feito!
Julgo que se terão limitado a entregar as pontuações sem grande discussão.


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De Artur Hermenegildo a 27.11.2014 às 10:47

Dois comentários.

O primeiro é que os cinco jurados que votaram mais em Ivo Brandão e mesmo o Orlnado Esteves que preferiu o António Loureiro tiveram apesar de tudo pontuações equilibradas, com diferenças para o segundo classificado relativamente pequenas, entre 7 e 14 pontos.

Surpreendentemente, o Helmut Ziebell tem uma diferença pontual entre o vencedor e o segundo de 42 pontos, completamente desfasada da dos outros jurados. É estranho, no mínimo, e dá que pensar.

Poderia haver aqui uma regra semelhante à que há por exemplo na ginástica - para cada concorrente elimina-se a nota mais alta e mais baixa e faz-se a média das restantes, para evitar eventuais casos de embirrações ou más vontades ou favoritismos sem sentido.

O segundo comentário é este: numa suposta divisão de jurados entre "contemporâneos" e "tradicionalistas", diverte-me ver o Nuno Diniz do lado dos supostos "contemporâneos" contra os supostos "tradicionalistas". O que me leva a pensar que se calhar a divisão que houve não cabe bem nessa classificação...

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