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Uma Missão Quase Impossível

por Paulina Mata, em 11.11.14

veg.jpg

 (Imagem DAQUI)

 

Recentemente fui ao Mercado da Ribeira ao fim da tarde com o objectivo de comer uma refeição rápida. A minha companhia nesse dia era uma pessoa vegetariana. Foi uma missão quase impossível!

 

Não posso dizer que não havia nada. Mas posso dizer que o leque de escolhas era reduzidíssimo e a maioria de muito pouca qualidade. E posso dizer mesmo que na maioria das bancas (sobretudo nas de chefes reconhecidos) não havia mesmo nada. Tinhamos pouco tempo e precisávamos mesmo de comer, mas era melhor não o termos feito...

 

Como é que em 2014, com a percentagem cada vez mais elevada de vegetarianos, e num local que certamente pretende atrair turistas, a oferta de produtos vegetarianos é tão reduzida? Não será altura de se começar a ter uma oferta mais adaptada à variedade de consumidores existente? É preciso puxar pela imaginação e ter em conta todo o público!

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publicado às 16:28


10 comentários

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De Teixeira a 11.11.2014 às 23:27

Isto é tão verdade que só conseguimos um, bom, ovo escalfado com puré no Henrique. Felizmente, os vegetarianos podem beber! Por fim, o Mercado da Ribeira está furos abaixo do Mercado de Campo de Ourique, em termos de aconchego. Ia esquecendo há um horrendo croquete de vegetais no stand do ramo.
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De Ana a 12.11.2014 às 00:14

Penso que foi na semana passada que abriu um novo espaço da Quinta do Arneiro que tem pratos vegetarianos biológicos e muito bons.
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De Miguel Pires a 12.11.2014 às 00:16

Imagina então a horda de americanos (e não só) da onda glúten free - para não falar mesmo dos celíacos.
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De Paulina Mata a 12.11.2014 às 00:58

Os celíacos não têm outro remédio, senão uma dieta mesmo sem gluten. Não queria estar no lugar deles... Mas talvez se safem melhor ali, pois peixe e carne podem comer.
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De Maria Figueiredo a 12.11.2014 às 21:42

É a 1ª vez que comento, mas sigo atentamente este blog.
Sou celíaca e a única vez que lá estive no Mercado da Ribeira comi uma vitela no Miguel Castro e Silva que achei muito fraca. Dificilmente voltarei a este mercado, achei muito decepcionante!
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De Paulina Mata a 12.11.2014 às 22:47

Maria Figueiredo, esperamos que continue a comentar.
Relativamente ao Mercado da Ribeira, é um espaço que também não entrou para a minha lista de favoritos, mas que me tem feito pensar muito, por várias razões.
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De Samuel Freire a 13.11.2014 às 12:51

Gostava muito de conhecer a opinião da Paulina sobre o espaço e a oferta que tem. Para quando um texto?

Gostava, porém, de dizer que o Mercado da Ribeira não merece ser diabolizado. Tem coisas muito boas: está na baixa da cidade, num edifício histórico, num bairro muito deprimido social e economicamente. (Fui cliente semanal do mercado da Ribeira até há dois anos. Do mercado mesmo: da praça de peixe, fruta e legumes.) As mudanças - para melhor - são desde logo visíveis. O resto, virá - se vier - com o tempo.

Lá dentro temos uma enorme oferta: há enchidos deliciosos da manteigaria do rossio, a a santini e há a garrafeira nacional com mais um projeto muito giro. Há uma loja de ervas aromáticas e estão em construção muitas outras. Há um quiosque de cerveja e um de sumos naturais e há café. O espaço está sempre limpo e o projeto de arquitetura é maravilhoso! Pode a oferta da restauração falhar perante este cenário? Não creio. Há restaurantes de autor - que conheci muito mal - há street food - boas pizzas - há uns asiáticos - que não conheço - há restaurantes de peixe e mariscos bons, há pastelarias e há um dos projetos mais interessantes em Lisboa nos últimos tempos - o tar-tar-ia - que apesar de ter perdido muita da genica inicial, tem muito interesse.

Mas o mercado da ribeira tem acima de tudo um comportamento fundamental. A cozinha não fecha às três nem abre apenas às 19:30. E é democrático e descontraído e ecléctico. Cabe lá a cidade toda e Lisboa precisava daquele espaço.
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De Paulina Mata a 13.11.2014 às 21:31

Por enquanto muitos "mixed feelings". Preciso de mais tempo. Talvez um dia... mas há que esperar que chegue a altura certa.
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De Maria Figueiredo a 23.11.2014 às 16:14

Obrigada Paulina, na minha opinião, o mercado é virado para um público em que aprecia a companhia dos amigos, em que cada um pode ir buscar diferentes iguarias, o que não acontece num restaurante em grupo, é aí que vejo vantagem, mas para quem já aprecia um outro tipo de cozinha mais elaborada é dificil sair dali muito satisfeito. O grupo com que fui, não veio muito convencido.
Depois é a insonorização do espaço que é péssima.
No meu caso com as restrições alimentares será dificil lá voltar, mas se voltar será para experimentar o monte mar, gosto muito do original e arrependi-me não ter experimentado desta vez.
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De Teixeira a 14.11.2014 às 11:40

Permito-me voltar ao tema Mercado da Ribeira.
Antes, e para ilustrar o raciocínio que tenciono desenvolver, assinalo, como pode ser do conhecimento de alguns, especialmente em São Paulo, mas também no Rio de Janeiro, renomados chefes duplicaram as suas casas em centros comerciais, dotando-os de restaurantes elegantes e com infra-estrutura passível de reproduzir a gastronomia da casa-mãe. Com isto, por força da insegurança das duas grandes cidades brasileiras, o comensal passou a ter a mesma qualidade do seu restaurante de eleição em local mais protegido.
Ora, não é o que acontece no Mercado da Ribeira, salvo melhor juízo.
Embora recheado de nomes respeitados na culinária lusa, os exíguos espaços onde estão confinados, não lhes permite, penso, reproduzir os pratos que os consagraram. E esse engessamento de lay-out se faz sentir no que se serve, qual seja, qualidade em baixa.
Afora, há a questão dos preços praticados. Em São Paulo e no Rio de Janeiro os valores cobrados são, senão idênticos, muito próximos dos da matriz.
No Mercado da Ribeira, canhestramente , admito, quem sabe incorro em erro, busca-se uma "socialização" nos preços praticados, isto é, tenta-se levar ao grande público uma ideia do que são os sabores de estabelecimentos, caros, de primeira linha. E falha-se.
De fato, concordo com a Paulina e quando lá estive, senti uma mistura de sentimentos.
O primeiro de saudade do antigo mercado. O segundo, dominante, porque actual , de me sentir como se estivesse num grande refeitório fabril, onde há higiene e uma abóbora desproporcional ao "chão de fábrica". Uma babel!
Por isto, na minha primeira manifestação, falei do aconchego que senti falta, e que sobra, no Mercado do Campo de Ourique. Mas, pareceu-me ser peça de uma grande engrenagem chapliniana , de tempos e movimentos.
Desejo sucesso ao empreendimento, porém não simpatizo com o que vi e com o que comi. Esta é a verdade.

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