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O primeiro sinal foi a instalação de uma pequena coluna de som com música, algo nunca visto. Depois, eles que nunca fechavam, fizesse chuva ou sol, ficaram encerrados dois dias. Quando reabriu, perguntei o que se tinha passado e confirmaram a mudança, tinha “outra gerência”. Não só este, do Príncipe Real, mas também o do Camões (na foto, do site da Câmara Municipal de Lisboa), da Praça das Flores, do Largo de São Paulo e do Largo da Sé. Ou seja, depois de há cerca de oito anos ter marcado a nossa paisagem urbana com abertura ou reabertura ou reinstalação dos Quiosques do Refresco, Catarina Portas e os seus sócios (creio que só os irmãos Regal, que em tempos abriram a Deli Delux) decidiram passar os estabelecimentos para a Charcutaria Lisboa, já responsável por um quiosque na Av. da Liberdade. Certamente que, além da música, outras mudanças virão, espero que boas ou pelo menos ao mesmo nível. Por enquanto, notei que o café, que continua razoável, subiu de 65 cêntimos para 1 euro.

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publicado às 19:41

Mesa Marcada no Café Colonial

por Duarte Calvão, em 24.02.17

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Muito agradável o jantar que tive no domingo passado no Café Colonial, o restaurante do novo hotel Memmo Príncipe Real. Pratos de sabores nítidos e estimulantes, bem apresentados (salvo numa excepção), a preços sensatos. Serviço impecável, simpático e bem informado. Ambiente acolhedor, bem mobilado e bem iluminado, com a vantagem da vista sobre a cidade. E até gostei da música ambiente - eu que só ligo a esse aspecto quando ele me incomoda - animada e diferente, no volume certo. Por isso, vou certamente voltar a este belo espaço cuja cozinha está entregue desde a abertura a Vasco Lello, mais um discípulo de Aimé Barroyer, dos tempos em que o chefe francês oficiava no Valle-Flôr, do hotel Pestana Palace, também em Lisboa. Antes do Memmo, Vasco Lello esteve também no Flores, do Hotel Bairro Alto, onde já mostrava muito do que é capaz. Acho que agora deu um passo em frente.

 

Talvez devido à aproximação do Peixe em Lisboa (onde Vasco Lello já esteve há dois anos, no tempo do Flores), marquei mesa no falso nome de João Peixoto e julgo que não fui reconhecido, até porque, soube depois, o chefe nesse domingo estava de folga. Estando ciente de que a casa aposta nos cocktails e tendo em conta o tempo quase estival que se vive em Lisboa, comecei com um Julio Besorita, que não conhecia, mas que integrava coisas adoráveis como tequila e mezcal, além de um licor mexicano qualquer coisa Reyes e clara de ovo à moda do pisco sour.

 

Foi ele que acompanhou a "petiscaria entradeira" (fotografia abaixo), como diria o outro, composta por um óptimo taco de sapateira desfiada com maionese de lima, abacate e tomate, fresco por dentro, estaladiço e leve por fora, e espectaculares croquetes de camarão e de rabo de boi, os primeiros com maionese de lima e citronela, os segundos com chutney de abacaxi e malagueta. Tudo com os sabores anunciados, recheios magníficos, texturas ideais. Menos boas as chamuças vegetarianas (com um bom chutney de tamarindo), com o recheio bem temperado, mas a falhar na massa algo molenga.

 

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Estava acompanhado pela minha mulher e perante a nossa indecisão sobre o que escolher, foi-nos sugerido dividir dois pratos (fotografia de abertura). O primeiro já o tinha apreciado no Peixe em Lisboa, tendo robalo como protagonista, e deixou-me muitas saudades, até porque sou muito arrozeiro. Tratava-se agora de uma corvina com carolino à Bulhão Pato - posta na chapa com arroz carolino de lingueirão e berbigão, coentros e limão. À versão que conhecia foram também acrescentados soberbos lingueirões, num ponto excelente, tal como o do peixe. Arroz à altura das minhas boas lembranças, bagos perfeitamente cozidos, envolvidos em sabor a mar. Um prato perfeito para o meu gosto.

 

Mais arriscado o prato seguinte:  pato asiático - pato assado com molho hoisin e noodles com legumes. Gostei muito do pato e achei interessantíssima a ligação com o molho, onde sobressaia o amendoim, mas os noodles...Bem sei que sofro de eurocentrismo e massas para mim são as italianas e espanholas, não percebo bem o actual fascínio por ramens, sobas e afins, mas a verdade é que achei que não só não acompanhavam bem o pato, como estavam algo enjoativas, com os legumes a serem predominantemente variedades coloridas de pimentos. Por outro lado, julgo que num gesto de simpatia decidiram dobrar a dose. Por isso cada um de nós teve direito a uma gigantesca e monótona tigela, impossível de comer até ao fim, esmagadora para a vista.

 

Mas foi uma excepção numa óptima refeição que terminaria com bebinca de Goa com gelado de gengibre caseiro e crocante de ananás (fotografia no fim). Grande final, sobretudo devido ao gelado. De destacar os preços muito razoáveis dos vinhos, embora a lista pudesse ter mais opções. Bebendo um Tapada de Coelheiros branco (22 euros) e sabendo que o cocktail custou 10 euros, a conta final ficou em cerca de 50 euros por pessoa, que considerei muito bem gastos, dado a qualidade do que se comeu e do ambiente em que se estava. Mas gostei sobretudo de ver confirmada a qualidade da cozinha de Vasco Lello nesta nova casa, que entra imediatamente na lista das minhas preferidas em Lisboa.

 

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Fotografias: Cristina Gomes

 

Café Colonial

Hotel Memmo Príncipe Real – Rua D. Pedro V, 56 J, Lisboa, tel. 961 844 248. Aberto todos os dias para almoço e jantar

 

 

 

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publicado às 14:00

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 Justa Nobre, numa ocasião em que me tentou ensinar a fazer os seus esplêndidos rissóis. Não aprendi, tenho que tentar de novo, se ela tiver paciência. (Foto: Cristina Gomes)

 

O nome, “À Justa”, deixa adivinhar uma cozinha mais pessoal, mais “de autor”, mas ela não se descose e apenas adianta que será “cozinha portuguesa”. “Como sempre fiz”, sublinha. No entanto, quem conhece alguns dos seus clássicos, desde a sopa de santola ao robalo à Justa, sabe que não é bem assim, porque a nossa mais conhecida e experiente chefe de cozinha confere um toque especial àquilo que faz, apesar de quase sempre serem sabores bem reconhecíveis como portugueses. Vamos então esperar para ver o que ela nos apresentará lá para Abril quando o novo restaurante abrir na Calçada da Ajuda, 107, com os seus 38 lugares.

 

Apesar de morar na Parede há muitos anos, a transmontana Justa Nobre diz que “a Ajuda é o meu bairro, ando na rua e conheço as pessoas, conheço os lugares”. Uma marca que ficou dos anos 90, quando O Nobre, na Ajuda, era um dos restaurantes mais frequentados de Lisboa, a começar pelo então presidente da República, Mário Soares, uma das muitas figuras públicas que não dispensavam os cozinhados de Justa Nobre nem o atendimento exemplar do seu marido, José Nobre. “Há mais de dez anos que andava de olho neste espaço”, confessa-nos a ilustre transmontana, “queria muito voltar à Ajuda”.

 

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 O novo restaurante fica no primeiro prédio, de azulejos, que se vê à esquerda (Foto: Google Street View)

 

Mas que sosseguem os espíritos da gastronomia, porque o actual Nobre, no Campo Pequeno, continuará a funcionar como até aqui, com Justa a dividir-se entre as duas casas, mas com as irmãs e também excelentes cozinheiras, Margarida e Ana, a assegurarem o dia-a-dia e com o marido sempre na sala. Foi aliás nesta sala que conversámos nesta quinta-feira com a irrequieta chefe, aquando da apresentação em Lisboa do Festival do Butelo e das Casulas, que se realiza já na próxima semana em Bragança, de sexta-feira a domingo, envolvendo 26 restaurantes do concelho e com muitas actividades, que podem ser conhecidas através do site www.cm-braganca.pt.

 

No jantar de apresentação, que Justa Nobre faz há cinco anos, muitos convidados de origem transmontana (entre os quais este que vos escreve), mas também muitos que se casaram com transmontanos, os “assimilados”, como os classificou Adriano Moreira (“o maior transmontano vivo”, no dizer do presidente da Câmara de Bragança, também presente), que encerra sempre estes jantares com óptimos discursos, onde nunca falta o humor.

 

Mas também havia “infiltrados”, classifico eu, com destaque para os de origem alentejana, casos dos chefes António Nobre, José Bengaló, José Júlio Vintém e Vítor Sobral. Ou do algarvio Bertílio Gomes. Ou do sesimbrense Hélder Chagas. Ou do portuense Miguel Castro e Silva. Ou do cascaense Miguel Laffan. Ou do lisboeta João Alves, que deixou a Penha Longa para assumir a chefia do Rio’s, em Oeiras, que está em remodelação. De origem transmontana mesmo, só André Magalhães e Milton Anes.

 

Todos se regalaram com o butelo e as casulas bragançanas, mas também com outros quitutes como empadinhas de perdiz e castanhas, croquetes de butelo e sementes de papoila, salpicão, caldinho de casulas com hortelã, para começar. Já à mesa, originais “azedos” corados com grelos, açorda de espargos verdes, casulas com butelo, pernil fumado e costela de bísaro. No fim, macaron de castanhas com o seu crocante e gelado do vinho do Porto. Mal posso esperar pelo que Justa Nobre vai apresentar no novo restaurante. Talvez haja surpresas, mas de certeza de que vão ser boas.

 

 

 

 

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publicado às 11:57

Ladurée abre loja em Lisboa

por Duarte Calvão, em 09.02.17

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Podem ser a melhor coisa do mundo, firmes por fora, suaves por dentro, de sabor equilibrado, desfazendo-se na boca como uma nuvem. Ou podem ser pesados e açucarados, pegando-se aos dentes, sem interesse nenhum. Infelizmente, desde que se tornaram moda por cá, é muito fácil encontrá-los na má versão e raríssimos na boa. Mas tudo isso vai mudar em breve, porque a lendária casa parisiense Ladurée, fundada em 1862, que tornou os macarons (na foto) famosos, vai abrir uma filial lisboeta em plena Avenida da Liberdade, para deleite de todos os gulosos (até para mim, que não sou lá muito de doces), no centro que fica mesmo ao lado do Teatro Tivoli.

 

Mas as novidades na Avenida da Liberdade não se ficam por aqui, porque no próprio Teatro Tivoli, Paula Amorim e Miguel Guedes de Sousa, empresários responsáveis pelo espaço da Ladurée, vão também abrir um restaurante com fachada para a rua, que se chamará Je Ne Sais Quoi, cuja cozinha está entregue nas mãos competentes e experientes do chefe António Bóia (ex-Rio’s, em Oeiras), tendo ao seu lado um dos nomes consagrados na nossa pastelaria, Joaquim de Sousa, conhecido pelo trabalho que desenvolveu ao lado de Aimé Barroyer no Hotel Pestana Palace, em Lisboa. No piso abaixo do restaurante, estará ainda um  Deli Bar e uma mercearia fina (a expressão é minha), que também prometem. Lisboa não pára.

 

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publicado às 12:46

Enquanto se espera o comboio

por Duarte Calvão, em 04.02.17

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Cheguei 15 minutos antes e achava que estava com tempo, por isso fiquei surpreendido quando na bilheteira da estação de Santa Apolónia me disseram que o comboio das 14h para o Porto estava esgotado, esgotadíssimo, completo, sem lugar de nenhuma espécie. Agora, às sexta-feiras parece que é quase sempre assim. Não tinha outro remédio senão esperar pelo InterCidades das 15.30h. Claro que fiquei contrariado, mas também contente. Será que nos estamos a transformar num país mais civilizado, preferindo meios de transporte seguros e amigos do ambiente, em vez de nos andarmos a matar a combustíveis fósseis nas autoestradas?

 

Não tinha almoçado e estava disposto a comer algo naquelas sinistras cafetarias da estação quando avistei através da vidraça, do outro lado da rua, um letreiro que dizia “Maçã Verde”. Ora aí está, era desta que ia à mítica tasca que já tinha visto recomendada por gente como o Chefe Cordeiro, o casal Justa e José Nobre e muita outra gente de respeito. Aliás, mais tarde, encontrei no comboio um conhecido chefe que também me disse ser lugar da sua predilecção.

 

Casa pequena, totalmente cheia, mas com gente já a sair. Atrás do balcão, um homem alto e mal encarado, que desviou o olhar quando entrei. Mau sinal. Felizmente, um jovem veio logo ter comigo de forma simpática e imediatamente me encontrou lugar no topo de uma mesa onde um grupo de umas oito pessoas, quase todas engravatadas, davam mostras de estar a passar um bom bocado. O mesmo aliás no resto da sala, pareciam que todos eram íntimos da casa e sentiam-se lá como na sua.

 

Apesar de ter tempo e de me lembrar vagamente que tinham fama nos grelhados, decidi não arriscar com demoras e fui para um dos pratos do dia, que consistia de carapauzinhos fritos com arroz de tomate. Boas azeitonas na mesa, pão menos bom, perguntaram-me se queria uma salada a acompanhar, disse que sim, mas esqueci-me de tentar saber quais os ingredientes. Assim, veio uma bela e bem temperada salada de alface com cebola, mas com umas fatias de tomate totalmente dispensáveis. Tomate em Janeiro. Ainda por cima não deve ser barato. Quando é que os nossos restaurantes populares perderam a noção da sazonalidade? Julgo que noutros tempos comprar produtos da época era até uma maneira de defenderem os bons preços que querem praticar.

 

Veio então até à mesa um homem de bom trato a pedir desculpa pela demora, mas que vinha já. Creio ter ouvido o jovem que me atendeu inicialmente chamá-lo de “pai”, mas posso estar enganado. Aliás, fui sempre atendido pelos dois ao longo do almoço com boa educação, boa disposição e competência. 

 

Entre mais pedidos de desculpa e desejos de que a qualidade do prato compensasse a demora, chegou finalmente o prato do dia (na foto, tirada por mim, peço que me perdoem), com os peixinhos optimamente fritos, estaladiços e secos de óleo, com o interior suculento. Arroz muito aceitável, húmido sem malandrices, de sabor subtil, sem estar esmagado pelo tomate em conserva (o único que deve ser usado fora de época). Com a salada, soube-me lindamente.

 

No final, achei que um pudim flan (uma das minhas sobremesas favoritas) fazia sentido, mas não tinham, recomendaram o leite creme “queimado na hora”. Estava razoável, mas frio, queimado há muitos momentos. Mas não faz mal, cumpriu a função. Com duas imperiais e um café, ficou em 13.10 euros. Gostei muito de ter perdido o comboio das 14h e de ter conhecido este lugar, onde quero voltar para experimentar outros pratos, entre os quais os famosos grelhados. Nem todos os restaurantes têm que ser assim, mas é bom que continuem a existir com esta boa saúde.

 

Maçã Verde: Rua dos Caminhos de Ferro, 84, Lisboa, tel. 21 8868780. Fecha ao domingo

 

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publicado às 12:48

O restaurante lisboeta de Jamie Oliver fica aqui

por Duarte Calvão, em 30.01.17

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Parece que fica em plena Praça do Príncipe Real, do lado nascente, no piso térreo do prédio cor de rosa que se vê nesta fotografia de Cristina Gomes. Até há bem pouco tempo estava lá uma agência do Deutsche Bank e uma loja minúscula da Lisbon Lovers (toldo preto), entretanto encerrada “para inventário”, que possui, no entanto, uma boa cave com entrada pela rua de trás, por onde também se entra para as garagens. Será nessa cave que ficará a cozinha? Fala-se num investimento de vários milhões, o que mostra que Jamie Oliver aposta mesmo em Lisboa e nesta zona, uma das que mais tem valorizado em termos imobiliários nos últimos anos.

 

Os moradores da zona estão divididos. Fiz uma rápida pesquisa de opinião e verifiquei que há quem julgue (a minha mulher e autora da fotografia) que o bairro já tem suficiente movimento, problemas de trânsito e de estacionamento para vir para aqui uma estrela de televisão ajudar à confusão, enquanto outros (eu) julgam que é interessante ver o que o chefe inglês vai propor, gostam de agitação urbana e de vizinhos famosos. Vamos ver se o projecto sempre vai para a frente, porque adivinho que vai ter muito êxito entre clientes nacionais e estrangeiros.

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publicado às 16:26

Pêra Rocha, A Redenção

por Duarte Calvão, em 28.12.16

Há quase um ano, lamentei aqui o estado a que uma das frutas portuguesas mais conhecidas tinha chegado. Hoje, depois de duas épocas desastrosas, é com regozijo que escrevo que tenho comido óptimas pêras Rocha desde finais do Verão. Ao longo do ano, em encontros ocasionais que fui tendo com gente ligada à produção (sobretudo de modo biológico) percebi que havia consciência de que as coisas estavam a correr mal, que tinham que corrigir rapidamente o caminho, que já estavam a trabalhar nesse sentido. Pois bem, é uma alegria verificar que esse trabalho deu, literalmente, bons frutos. Só se espera que não se repitam erros anteriores e que tenha sido de vez. A fruta é uma das maiores riquezas com que Portugal foi abençoado. Estragá-la ou não lhe dar o justo valor é crime de lesa-pátria.

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publicado às 12:26

Depois de quase 10 anos na sala da Fortaleza do Guincho, o premiado escanção Inácio Loureiro (na foto), um dos melhores profissionais que temos nesta área, junta-se agora ao antigo chefe de cozinha do restaurante, Vincent Farges, no novo projecto que ele está a preparar no Chiado. Eles já estão inclusive a trabalhar juntos, como se viu no jantar de reabertura do Mesa de Lemos, em Silgueiros, em que o recém regressado chefe francês se mostrou em grande forma, ao lado do chefe da casa, Diogo Rocha, que mais uma vez provou que é um nome a contar para a Primeira Divisão nacional da categoria.

 

 

 

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publicado às 10:58

Três iniciativas a não perder

por Duarte Calvão, em 04.12.16

 

Um fim de tarde cheio de azeites amanhã em Lisboa

O jornalismo gastronómico está cada vez melhor em Portugal e raro é o meio em que não vão surgindo bons trabalhos sobre o assunto, quer por jornalistas generalistas quer por especializados. Entre estes, há nomes mais experientes e credíveis e Edgardo Pacheco, que actualmente oficia no Correio da Manhã, no Jornal de Negócios e na CMTV (programa “Prato da Casa”, que nunca consigo ver porque o meu operador, Vodafone, não há meio de disponibilizar o canal), é sem dúvida um dos mais sólidos e interessantes. Açoriano, filho de agricultor, ele dá uma atenção especial aos óptimos produtos que temos em Portugal, infelizmente nem sempre bem tratados e conhecidos, contactando com o mesmo à vontade quem pratica cozinhas mais tradicionais ou mais modernas. Assim é que deve ser.

 

 

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publicado às 11:50

Estrelas Michelin Portugal 2017 (oficial)

por Duarte Calvão, em 23.11.16

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Esplêndidas notícias para Portugal. Dois novos restaurantes ascendem às duas estrelas: The Yeatman, do chefe Ricardo Costa, em Vila Nova de Gaia, e Il Gallo D'Oro, de Benoît Sinthon, no Funchal.

 

Sete restaurantes ganham uma estrela: William, de Joachim Koerper/Luís Pestana, no Funchal, Casa de Chá da Boa Nova, de Rui Paula, em Leça da Palmeira, Antiqvvm, de Vítor Matos, no Porto, Alma, de Henrique Sá Pessoa, em Lisboa, Loco, de Alexandre Silva, em Lisboa, Lab, de Sergi Arola/Milton Anes, em Sintra (Penha Longa) e L'And, de Miguel Laffan, em Montemor-o-Novo, que assim recupera a estrela perdida no ano passado.

 

Ninguém perde estrela nesta noite que é um marco para a cozinha portuguesa contemporânea, recompensando novos e bons projectos ou a consistência de outros restaurantes, algo que a Michelin costumava criticar em Portugal. Há muitos chefes portugueses, outros estrangeiros radicados entre nós há anos, mas há sobretudo um grande incentivo a quem arrisca fazer a cozinha em que acredita. E, tenho a certeza, há vários restaurantes portugueses que, não tendo ganho ainda este ano, ganharão nos próximos, desde que continuem a persistir. Tanto mais que nesta noite chuvosa se criou uma dinâmica que nos vai trazer muitas alegrias.

 

Nota: Ver comunicado na íntegra (em espanhol), aqui  

 

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