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Quem conhece a cena gastronómica de São Paulo, ou mesmo a brasileira, sabe a importância e influência que a revista Veja tem - através do seu caderno Vejinha ou dos seus guias anuais - no sucesso de um restaurante (tanta, ou mais influência, noutra cidade só talvez o New York Times, em Nova Iorque).

 

Pois bem, ontem houve a cerimónia dos prémios Veja - Comer & Beber São Paulo 2014 e, finalmente, depois de três anos presente neste competitivo mercado, a Tasca da Esquina local ganhou, pela primeira vez, o tão ansiado prémio de "melhor restaurante português", um galardão para o qual era nomeado, ano após ano, e que acabava sempre (ou quase sempre) nas mãos do clássico e mais exclusivo Bela Cintra.

 

Comi várias vezes neste espaço de Vítor Sobral, nos dois anos recentes em que andei em trânsito entre cá (Lisboa) e lá, e agradou-me ver como Portugal e a ligação entre os dois países era bem tratada. Sobral defende com unhas e dentes os produtos e a cultura portuguesa - às vezes de forma tão exacerbada e um pouco quezilenta, o que lhe vale alguns dissabores com a imprensa local - e o que é certo é que este seu espaço na maior cidade da América Latina (e uma das maiores do mundo) é uma montra para a nossa culinária (a mais tradicional e a de sua autoria) e para uma série de produtos e marcas que utiliza (e o apoiam), desde os azeites Andorinha (o nosso Oliveira da Serra), às loiças da Vista Alegre, passando pelos utensílios da Silampos - já para não falar, claro, dos queijos e vinhos dos principais produtores lusos, ou do bacalhau, nosso por afinidade.

Sobral_Tasca Esq SP_ foto Vasco Célio.jpgFoto: Vasco Célio 

 

Para o sucesso alcançado em São Paulo, Sobral teve ainda a sorte (aquela coisa que dá muito trabalho) de ter um bom parceiro local e a inteligência de fazer as adaptações necessárias na ementa e no conceito. Por exemplo, há mais pratos principais do que em Lisboa, dado que os clientes pedem menos menus do chefe do que cá. Além disso, há produtos locais óptimos que combinam bem com a cozinha portuguesa, como o palmito pupunha; e, do mesmo modo, outros que não fazem parte da ementa por não cumprirem os mínimos olímpicos, como é o caso das amêijoas e afins (que lá, por influência italiana, lhe chamam vôngole). De resto a filosofia é semelhante, ainda que saia muito mais bacalhau do que cá.

 

Vítor Sobral também acertou ao decidir ter sempre em São Paulo um chef português da sua confiança a comandar a cozinha (normalmente, Luís Espadana) , junto com um chef de local. Além deles trabalha ainda na sala o seu filho Rodrigo (com muito melhor feitio do que o pai :), que cuida também dos vinhos. Por estas e por outras, finalmente o trabalho foi reconhecido e a placa da Veja vai para a parede.

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Volto aos prémios "Veja - Comer & Beber São Paulo 2014" para destacar ainda o feito alcançado por Rodrigo Oliveira (na foto): melhor chef do ano e melhor restaurante brasileiro do ano. Talvez a surpresa seja o facto do prémio ter sido atribuído ao mais recente Esquina Mocotó, onde o jovem chef brasileiro exprime uma cozinha mais autoral, em vez de ter sido ao famoso Mocotó, que o seu pai impôs há décadas num subúrbio da cidade e que Rodrigo soube dar continuidade. Ambos são muito bons (e paragem obrigatória na fila de espera a caminho do aeroporto de Guarulhos), ainda que a romaria ao local se faça, sobretudo, devido ao segundo.

 

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publicado às 12:50


3 comentários

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De Teixeira a 17.10.2014 às 17:28

Não discuto a premiação. Porém, contesto, democraticamente, a importância e a influência que a revista Veja, e o caderno Vejinha, possam ter como guia de boa gastronomia em qualquer cidade brasileira. Como o Miguel, ando em trânsito, entre o Rio de Janeiro e Lisboa. O Miguel, nos últimos dois anos. Eu e minha mulher estamos nesta romaria faz mais de 25. Tenho uma filha residente na capital de São Paulo e, jamais, me utilizaria da Vejinha para escolher onde comer. Porém, respeito o Vitor Sobral e desejo a ele sucesso crescente, venha a premiação de onde vier. E, também, respeito o comentário do Miguel.
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De Miguel Pires a 18.10.2014 às 11:56

Caro Teixeira

Não emiti nenhuma opinião em relação aos trabalhos da revista Veja mas sim, à sua importância e influência (embora encontre utilidade nos seus guias que são, de facto, guias). Uma coisa lhe posso dizer, porque foi-me dito por profissionais ligados ao meio gastronómico: se a Vejinha (ou, em menor escala, os cadernos Paladar do Estadão ou Comer da Folha) destacar um prato ou um restaurante mesmo que seja nos confins de São Paulo, no dia seguinte esse lugar está cheio. Para mim isto é ser influente
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De Teixeira a 18.10.2014 às 13:34

Estou de acordo com o Comer da Folha de São Paulo. E, de certa forma, com o Paladar do Estadão. A Vejinha é de uma monotonia forçada, isto é, desfila, porque semanal, quase que a mesma lista. Não é crítica. É um guia, disse você muito bem. Pasteurizado, a meu juízo. Para não opinar de forma mais contundente. Não me agrada. Quanto a um restaurante se encher após uma menção depende muito do leitor. Comprei ontem, por exemplo, o Assobio tinto 2011. Confio na fonte. E aí é que está a diferença!

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