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Extorsão no vinho espanhol?

por Rui Falcão, em 28.02.10

Miguel Ángel de Gregorio, proprietário e ideólogo dos vinhos da Finca Allende, patrão de rótulos tão insignes (e caros) como Aurus, Calvario e Allende, acabou de denunciar no fórum do El Mundo Vino a tentativa de extorsão de um dos seus importadores alemães, a conhecida Silke, aparentemente sob a coacção de o importador alemão poder avançar com revelações bombásticas sobre a suposta presença de glicerol nos vinhos da Finca Allende! Glicerol que, diga-se, apesar de não ser tóxico, é um aditivo proibido no vinho, semelhante ao que conduziu ao grande escândalo do vinho austríaco de 1985.

A crer nas justificações de Ángel Gregorio, a história do importador é absolutamente escabrosa, reveladora dos bastidores agitados de algumas práticas comerciais pouco éticas…

 

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publicado às 14:32

Vinho da Madeira

por Duarte Calvão, em 24.02.10

Alguém sabe o que se passou com as lojas e caves de vinho da Madeira situadas no Funchal? Foram muito afectadas pela catástrofe? E, já agora, há também adegas e vinhas afectadas? É que os jornalistas das nossas televisões e dos jornais que leio parecem não ligar muito ao assunto...

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publicado às 15:02

Mesa marcada na Taberna 2780

por Duarte Calvão, em 23.02.10

 

Na semana passada, fui finalmente jantar à Taberna 2780, em Oeiras, da qual já tinha recebido boas indicações, mas que igualmente já me tinha provocado irritações-divertimentos, com artigos a afirmar que era o "El Bulli português", só porque apresentava também um único menu, ainda por cima "criativo"...Enfim, creio que os "taberneiros", que me parecem pessoas bem informadas, não serão os responsáveis por estes disparates. Seja como for, tentei manter neutras as minhas expectativas, mas admito que me preparava vagamente para constatar uma fraude, mais uma, com roupagens modernas.

Nada disso. Gostei imenso. Muito boa onda e bom gosto na pequena sala, coerente com o ambiente descontraído da casa, com a lista, incluindo de vinhos, em grandes ardósias na parede, mobiliário em madeira. Serviço atento e simpático, pratos a chegarem à mesa a bom ritmo. Bons preços também, com o menu a 24,5 euros. Nessa noite, com bom pão e (razoável) focaccia caseira na mesa, uma saborosa salada de ovas desfeitas e uma não menos saborosa manteiga de chouriço, o menu começou com um delicioso caldo de cogumelos com avelã, com uma espuma a saber de facto a avelã, que também vinha em  mínimos pedaços, a tornar interessante a textura, e nele imerso um pequeno pastel frito e recheado de cogumelos, num conjunto absolutamente vencedor . Não gostei especialmente do uso de bolo lêvedo no prato seguinte em que ele vinha encimado por uma mousse de queijo de cabra, com cebola em vinho do Porto, o menos interessante da noite  Depois, uma enganadora salada niçoise de atum. Perdoa-se a referência ao clássico, apesar da ausência de ingredientes como anchovas, já que vinha em jeito de desconstrução, com o atum em fatia tipo tataki, azeitona esferificada, ovo muito bem cozido e levemente panado, tomate-cereja confitado, rúcula bem temperada...No entanto, se cada um dos elementos funcionava bem isoladamente (a esferificação obrigatoriamente só), em conjunto, ou seja, em "salada", perdiam o interesse. De qualquer maneira, um prato muito positivo e a mostrar boa técnica. Só é pena o nome.

Nas carnes, sendo um prato de "conforto" e sem grande história, a língua e bochechas de vitela com polenta, soube-me bem, ainda que não seja grande apreciador da última, algo "elástica" de mais. No fim, pancinha de porco com favas. Óptima carne, num ponto de cozedura magnífica, óptimas favas  (embora ainda não seja época) e também algumas ervilhas, bem temperadas, mas depois um desconcertante puré de maçã e umas batatas assadas com casca. Mais uma vez, cada um dos elementos estava bem, mas a maçã e as batatas não jogavam com o resto.

Lembro-me pior da sobremesa, que tinha banana, de que só gosto crua, um defeito que eu tenho, com um bom gelado de coco e algo de chocolate. Bebendo dois copos de branco de Filipa Pato (8 euros) e uma garrafa do tinto Quinta do Valdoeiro Reserva (15 euros), a conta para duas pessoas cifrou-se em 76 euros, preço muito vantajoso para quem frequenta esta taberna. Como já disse, gostei muito de lá ir e de sentir um certo entusiasmo e gosto pelo risco por parte de quem cozinha, Fiquei com vontade de  voltar, tanto mais que eles mudam de menu a cada quinze dias, e saí de lá muito bem disposto. Tel. 21 0998700. Cuidado que é difícil dar com o local.

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publicado às 10:56

Há trufas no Guincho

por Duarte Calvão, em 22.02.10

 

Trufas de Verão, em conserva, de origem chinesa...há até um restaurante em Lisboa que chegou a servir (e talvez ainda sirva...) azeitonas desidratadas em pó "perfumadas" com óleo de trufas, como se delas se tratassem... E os clientes não reclamavam, o restaurante é um sucesso. Bem, mas quem quiser saber como são as verdadeiras trufas pretas francesas, mais subtis e complexas do que as suas congéneres brancas italianas, tem uma óptima oportunidade na próxima sexta-feira. É que na Fortaleza do Guincho (tel. 21 4870491), o próprio chefe consultor Antoine Westermann vem cozinhar em conjunto com o chefe residente Vincent Farges para apresentarem num jantar, às 20 h, sete pratos com trufas pretas provençais, de Vaucluse. Os vinhos são portugueses, durienses da Taylor's, alentejanos do Mouchão. O preço, bem, o preço são 160 euros por pessoa, bebidas incluídas. É quanto custa este produto de luxo e, se tudo correr bem, este jantar deve valer por quatro refeições de 40 euros.

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publicado às 18:08

Puzzle ou Sopa de Letras?

por Rui Falcão, em 22.02.10

 

A ideia do rótulo é engraçada, dispersando as características do vinho numa autêntica “sopa de letras”. Mas, sejamos sinceros, soa muito melhor em inglês que em português, onde a qualificação “sopa de letras” dificilmente poderá rimar com vinho...

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publicado às 11:08

Grandes Vinhos by Portugal Ramos

por Rui Falcão, em 20.02.10

João Portugal Ramos tem estado consistentemente associado à vanguarda do vinho em Portugal, afirmando os seus projectos com meses ou anos de antecipação às grandes tendências do mercado nacional. Profundo conhecedor do mercado nacional e internacional, João Portugal Ramos consegue reconhecer de antemão as principais propensões e orientações dos grandes mercados.

Não por acaso, decidiu agora criar o clube de vinhos “Grandes Vinhos”, arquitectura por ora pouco comum em Portugal de comercializar os melhores vinhos do grupo por mailing list, ao jeito de muitos dos principais produtores internacionais. Ganham assim os enófilos portugueses que beneficiam de um acesso directo aos vinhos mais exclusivos do grupo Portugal Ramos, incluindo edições limitadas e exclusivas para os membros, ganhando também o produtor na fidelização… e margens de comercialização. Uma fórmula win-win a que outros produtores deveriam prestar atenção. O pacote especial de adesão inclui 3 garrafas do Duorum Reserva 2007, 1 garrafa de Duorum Porto Vintage 2007, 2 garrafas do Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2005, 3 garrafas do Conde de Vimioso Reserva 2007 e, finalmente, 3 garrafas do Marquês de Borba Reserva 2007.

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publicado às 12:48

Guerras sucessórias em Vega Sicilia?

por Rui Falcão, em 19.02.10

Mesmo nas melhores famílias a nódoa pode cair no pano, como neste momento tão bem o demonstram as guerras de sucessão dinásticas que assolam a família Álvarez, legítima proprietária das Bodegas Vega Sicília, o produtor espanhol de maior prestígio nacional e internacional.

Os golpes palacianos sucedem-se a ritmo diabólico, com pedidos sucessivos de impugnações, resignações forçadas, golpes parricidas e rebeliões fratricidas. O primeiro a soltar as hostilidades foi o presidente de Vega Sicilia, o patriarca David Álvarez, destituindo o filho Pablo, considerado por muitos como a verdadeira alma do grupo. Menos de um mês depois, Pablo aliou-se a quatro dos seus seis irmãos para destituir o pai e os restantes dois irmãos da administração, estando neste momento a acção em trânsito judicial numa embrulhada que pode fazer perigar o futuro dos enormes vinhos de Vega Sicilia.

A seguir com muita apreensão!

 

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publicado às 09:35

"Como uma Força"

por Miguel Pires, em 18.02.10

 

Uma autêntica embaixada 'enogastronomica' lusa começa hoje a desfilar no Montreal High Lights Festival 2010,  Canadá. Não consta que venham a participar nalgum concerto da Nelly Furtado mas para via das dúvidas, consultar o programa aqui 

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publicado às 23:15

Santos pop

por Miguel Pires, em 18.02.10

Restaurante Manifesto

 

 

 “Se gosta de comida Caseira, coma em casa!". É desta forma provocadora que Luís Baena enuncia os princípios do Manifesto, o seu novo restaurante, em Santos (Lisboa). Quem sentencia desta forma não está à espera de ser consensual e Luis Baena, pelo menos na sua fase mais “pop”, nunca o foi. Embora seja um dos Chefes portugueses mais experientes - com passagem por vários países, do Oriente ao Brasil - foi pouco mais de 5 anos, no restaurante da Quinta de Catralvos, em Azeitão, que ganhou notoriedade por cá. A prática de uma cozinha de influências diversas - representativa do seu périplo profissional - com ligação à chamada gastronomia molecular; as suas propostas arrojadas e desconcertantes mas de base sólida; e a sua erudição e sentido de humor trouxeram-lhe adeptos incondicionais. É natural, também, que quando se tem ideias disruptivas é fácil de ganhar uma mão cheia de detractores, como se viu pelas reacções de alguns clientes mais tradicionais em relação à introdução de alguns dos seus pratos na carta do Terraço do Hotel Tivoli em Lisboa (cadeia de que continua a ser Chefe Executivo). Luís Baena resolveu então abrir um novo espaço onde pudesse dar azo à sua imaginação. O Manifesto não é ainda aquele lugar de que se falou em tempos, onde iria levar o seu conceito ao extremo. A conjuntura económica e eventualmente a falta de mercado para tanto arrojo levaram-no a ser prudente. Restava saber se as características que lhe trouxeram fama se mantinham, se havia evolução ou se, por outro lado, estaria a jogar demasiado à defesa.

Tal como a sua comida o palco onde tudo se passa não causa indiferença a ninguém. O preto marca o tom e remete-nos para a noite, mas nada tem de soturno. As referências são claramente pop com declinação para a música e para o universo gráfico de um Warhol. Ou seja: um ambiente cénico em coerência com o que tem sido e continua a ser a cozinha de Baena. 

Se no almoço (2ªF a 6F) a ementa é simplificada e apropriada para quem não tem muito tempo e não quer gastar muito, é ao jantar que o dna do Chefe se revela. A carta à noite está dividida de uma forma clássica mas a nomenclatura remete para o que referimos: as entradas chamam-se ‘primeiros’; os pratos de peixe (apenas 2), ‘abaixo de água’; os de carne (6) ‘acima de água’ e as sobremesas (7), ‘cholesterol corner’. Mas este é o tipo de restaurante em que é essencial optar-se pelo menu de degustação para que experiência seja mais abrangente. Para isso há 4 menus disponíveis. O de 6 pratos custa 33€; o de 7 pratos, 44€ ; o de 11, 52€; e o 4º, com um número indeterminado de pratos, 70€. Escolhemos o de 11, mas nada de sustos porque ninguém sai empanturrado (a menos que se abuse da excelente manteiga de algas do couvert). As doses são mini e podem vir aos pares, em trio ou a solo. Dos ‘clássicos’, apenas a bola com creme (de santola) que, por já conhecermos, foi substituída por um fricassé de cogumelos que nos encheu as medidas. O mesmo não aconteceu com a sanduíche de linguado em jeito de tosta, onde o ‘entalanço’ do peixe entre as duas fatias de pão de forma aparado anula, em parte, o sabor do linguado. Já o Éclair de línguas de bacalhau é uma proposta engraçada que vai muito bem com as cebolas glaceadas que o acompanha, tal como as migas de bacalhau com os ovos moles e folha de ostra. A pizza de carabineiro com dourada e queijo de S. Jorge traz este prato popular para terras lusas dando-lhe uma outra nobreza. E as molejas, que achava não apreciar, souberam muito bem graças ao bom tratamento na chapa (presumo) e ao acompanhamento dos cogumelos caramelizados. Antes da sobremesa veio um dos 'best sellers' de Santos: o ‘Culombo’ de novilho, um mano a mano de rabo de boi e de bife do lombo. Achei a ligação desajustada, dado que o sabor do primeiro anula o segundo. N entanto a conclusão que se tira é elucidativa: o suposto parente pobre (o rabo de boi) é muito mais interessante do que o novo-rico do lombo.

De sobremesa tivemos direito a uma marquise de chocolate, talvez demasiado simples, ainda que saborosa.

A refeição foi acompanhada pelo branco Casa de Santar Reserva 08 (15€) que apresentou estofo suficiente para aguentar a profusão de ingredientes. O serviço este esteve bem mesmo com um ou outro desacerto.

Resta-nos acabar como começámos, com um dos pontos do Manifesto, precisamente o ultimo: “já não me apetece escrever mais nada e a si, muito provavelmente, ler mais nada. Como o(a) compreendo. Bom apetite”.

 

Contactos: Largo de Santos, 9C, Lisboa ; tel:213963419/911715880 ; www.restaurantemanifesto.com

 

Texto publicado originalmente no suplemento Outlook (Diário Económico) em 13 Fevereiro 2010. 

(As foto do inicio  é de  Adriana Freire e foi 'emprestada' para esta versão electrónica daqui)

 

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publicado às 01:05

A revelação...

por Miguel Pires, em 17.02.10

"Para quando um vinho de JPM?
O meu sonho era ter uma vinha de 0,01 ha para fazer uma barrica só para mim e amigos. Qualquer coisa que desse para fazer a poda com tesoura de unhas e vindimar bago a bago. Como se vê a ambição não mora aqui."
 
Entrevista de João Paulo Martins a Miguel Pereira no blogue, Pingamor
 

 

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