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Lugar aos clássicos

por Rui Falcão, em 30.06.10

 

O mundo do vinho é mesmo assim, sobretudo nos mercados imaturos, alimentando-se gulosamente das novidades, numa procura incessante pela next big thing… esquecendo-se amiúde dos vinhos clássicos, dos vinhos de sempre, dos bons vinhos que vêm do passado. Uma injustiça de que, felizmente, somos por vezes despertados por alguma notícia que vem de fora.

Foi precisamente o que aconteceu agora com o Duas Quintas Reserva Especial 2004, acabado de ser pontuado por Mark Squires, no Wine Advocate de Robert Parker, com a classificação de 94 pontos, qualificado como sendo ainda muito jovem, ligeiramente rústico, mas complexo e cheio de carácter.

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publicado às 10:07

Quando a idade é um posto

por Rui Falcão, em 29.06.10

 

Por vezes as coisas são… exactamente como devem ser. Abri ontem aqui em casa, para uns amigos especiais, um branco de 1959, um Riesling de Rheingau, do Wegeler, um Oestricher Lenchen Spatlese, que tinha sido re-rolhado a 12 de Novembro de 2008. Não é fácil descrever a estupefacção perante este Riesling de 51 anos, um branco extraordinário na tensão, complexidade, seriedade, leveza… e juventude! Tanto que, servido em prova cega, junto de quem sabe o que diz, prontamente identificado como um Riesling de Rheingau, ninguém arriscou descer mais que 1971, outro ano marcante em Rheingau…

Há dias assim! Há vinhos assim…

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publicado às 19:06

Uma falsa percepção de modernidade

por Rui Falcão, em 28.06.10

 

Como país, como sociedade, sofremos de uma estranha e conturbada relação com o passado, amargando continuamente com a vergonha e o constrangimento de um atraso e pobreza que julgamos serem endémicos, obcecados em querer aparentar uma imagem de falsa modernidade, deslumbrados com o apelo da moda dos últimos gritos sociais ou tecnológicos. Aprovamos o constante renegar do passado, esquecendo e repudiando os seus princípios e ensinamentos, enjeitando e desperdiçando as percepções e experiências que construímos e acumulámos empiricamente ao longo de gerações. De uma só assentada, iludidos com falsas promessas de um futuro radiante, decidimos voltar costas a séculos de práticas e costumes, abraçando de peito aberto as novidades que nos chegam de países terceiros, desertando da identidade que forjámos ao longo da nossa rica e longa história.

Comportamo-nos como alunos exemplares e disciplinados da nova ordem burocrática e asséptica da União Europeia, abandonando, aparentemente sem peso na consciência, a individualidade e originalidade que poderiam, e deveriam, ser os nossos argumentos capitais de afirmação. Por isso aceitamos de bom grado, sem contestação visível e com a diligência típica dos novos cristãos, a proibição de tantos produtos artesanais pertença do nosso património colectivo, singularidades da originalidade lusitana. Aceitamos e adoptamos sem contestação os novos fundamentos herdados de outras paragens, sem argumentação prática, sem interrogações sobre a validade e valor dos preceitos que o passado nos legou. Em nenhum outro país da Europa ocidental um povo perdeu de forma tão deliberada e espontânea os seus valores históricos sem se interrogar sobre as razões para a mudança.

Se este espírito perverso acaba por ser transversal e potencialmente prejudicial a toda a sociedade, no vinho as suas consequências são ainda mais dolorosas, por inibirem a diferenciação, carácter e originalidade de que os vinhos nacionais tanto carecem para poder competir no mercado global. Os exemplos de abandono voluntário e complacente de todas as pequenas incongruências e especificidades regionais portuguesas abundam por todo o território vinhateiro, de Norte a Sul, sem se perceber qualquer sinal de hesitação ou arrependimento… mesmo quando os resultados do passado demonstram a validade da alternativa. Tome-se, por exemplo, o caso alentejano da fermentação e estágio do vinho em talhas de barro, em enormes e desusadas ânforas de barro, herança romana que perdurou no sul de Portugal durante quase dois mil anos… para logo ser abandonada e desclassificada num ápice, desbaratando séculos e séculos de experiência e conhecimento empírico em proveito de mais uma prova de normalização vínica.

No momento em que muitos dos produtores internacionais mais inconformistas e revolucionários assumem os seus primeiros ensaios com o barro, os produtores alentejanos desertam do material nobre que usaram durante incontáveis gerações. No momento em que as talhas de barro ganham expressão junto da comunidade crente nos conceitos da biodinâmica, os produtores alentejanos fogem do exotismo do barro convertendo-se, sem excepção, ao encanto do inox e das barricas de madeira francesa, como se esta fosse a solução única e irreversível.

Facto ainda mais peregrino quando temos ocasião de provar os verdadeiros vinhos de talha do século transacto, como recentemente tive ocasião de poder consumar numa prova vertical dos vinhos da casa José de Sousa, testemunhando a validade, virtude e rigor dos vinhos que aí foram produzidos durante as décadas de quarenta e sessenta do século passado. Vinhos alentejanos notáveis, provenientes das colheitas de 1940, 1945, 1961 e 1965, fermentados e estagiados em amplas e vetustas talhas de barro, de acordo com o espírito e as tradições do Alentejo, aproveitando a escassa matéria-prima disponível a sul do Tejo, o barro. Porque, há que dizê-lo de forma inequívoca, raramente existem coincidências na natureza e nos desígnios do homem. Não é seguramente produto do acaso que os vinhos produzidos a Norte do rio Tejo tenham sido tradicionalmente guardados e envelhecidos em tonéis de madeira, matéria-prima abundante e amplamente disponível nas florestas mediterrânicas do norte do país, ao contrário dos vinhos do Sul que, pela escassez congénita de matas naturais, foram sendo habitualmente fermentados e estagiados em barro, o material disponível nas paisagens mais áridas do sul.

Madeira velha e largos tonéis que em tempos marcaram o estágio emblemático da maioria dos Vinhos Verdes, prática entretanto abandonada e desprezada em favor da candura e neutralidade do inox, numa ditadura que, infelizmente, muitos entendem como sendo incontestável e definitiva. Porque será que, num raro assomo de unanimidade regional, todos os produtores minhotos enjeitaram de uma só vez os velhos tonéis de madeira avinhada, correndo alegres e esperançados para o abraço do inerte inox, à procura de uma esterilidade e uniformidade que tanto prejudica a diversidade? Terá sido por conhecimento profundo e necessidade, por inevitabilidade do destino, ou por simples cópia do vizinho, motivados pelo desejo de rejeição de um passado que lhes pareceu adverso? Mas porque será que os melhores produtores alemães e austríacos, capazes de vender os seus vinhos brancos a preços quase indecorosos, persistem em usar os seus velhos tonéis avinhados, alguns já centenários, reforçando mesmo o seu uso nos vinhos mais delicados e aromáticos, escandalizados perante a simples ideia de se desfazer de um património que consideram indispensável?

Que “estranha” razão levará então tantos produtores alemães e austríacos de sucesso a preservar os seus ideais, sem abdicar dos ensinamentos do passado, integrando-os na perfeição com os conceitos modernos de enologia? Talvez a compreensão de que o mundo, apesar da inevitabilidade das evoluções e revoluções, necessita também de continuidade e história para poder oferecer diversidade e autenticidade.

 

Texto publicado originalmente no suplemento Fugas do jornal Público em 24 de Abril de 2010

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publicado às 09:37

Sardinha telex

por Miguel Pires, em 27.06.10

 

Finalmente gordas. Em Lisboa. Sitio improvável: Belém.

 

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publicado às 11:09

Uma carta de vinhos virtual

por Rui Falcão, em 25.06.10

Ontem tive oportunidade de “folhear” a carta de vinhos virtual para o ipad, uma criação da empresa portuguesa codeware. A carta disponibiliza, casa o cliente o pretenda, uma série alargada de informações sobre cada vinho presente na lista, incluindo fotos, ficha técnica, notas de prova, descrições sobre o produtor, classificações em guias e revistas, prémios, etc, disponibilizadas pelos produtores num servidor central e descarregadas pelos restaurantes de acordo com a sua carta individual.

Apesar da bondade do projecto, e das vantagens inegáveis no acesso à informação, não sei se a leitura será confortável para todos os clientes e se o sistema não poderá conduzir a uma retracção, por vergonha ou desconforto, de um número razoável de consumidores. Estaremos nós a criar um novo grupo de consumidores info-excluídos? E a informação tão alargada e detalhada, será ela uma vantagem ou um antes um inconveniente uma dificuldade extra no embaraço da escolha?

Dúvidas, dúvidas…

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publicado às 12:23

O Dão ganhou um novo enólogo…

por Rui Falcão, em 24.06.10

 

Segundo o que me foi transmitido ontem pelo próprio, desfaz-se hoje oficialmente a ligação frutuosa entre Nuno Cancela de Abreu e a Quinta da Alorna, numa combinação que alcançou tantos sucessos internos e externos. Nuno Cancela de Abreu, carregado de entusiasmo, tem agora disponibilidade para se dedicar por inteiro ao seu projecto pessoal no Dão, na Quinta da Fonte do Ouro e Quinta da Giesta, onde, entre outros, nasce um dos melhores vinhos rosados nacionais, o Quinta da Giesta rosé, um rosé estreme de Touriga Nacional.

Agora que os vinhos da Quinta da Fonte do Ouro e da Quinta da Giesta vão poder beneficiar de todo o tempo e atenção de Nuno Cancela de Abreu, esperam-se grandes revoluções no patamar qualitativo. A seguir com atenção…

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publicado às 11:49

Arroz não é arroz

por Miguel Pires, em 24.06.10

 

"Somos Loucos por Arroz" é o título de uma excelente reportagem de Francisca Gorjão Henriques na Pública do passado Domingo. Este trabalho de 18 páginas com fotos de Miguel Manso e Henric Vives-Rubio (autor desta foto que 'pedimos' emprestada) é agora disponibilizado parcialmente na edição online do jornal. Entre os vários aspectos abordados como, por exemplo, o consumo, a plantação e os hábitos culturais associados a este cereal ficamos a saber mais sobre o carolino, um tipo de arroz que está na base de muitos dos pratos da nossa gastronomia e que, infelizmente, está em decréscimo de consumo. Esperemos que a leitura e a divulgação desta reportagem sirva para inverter essa tendência.

 

(...)"Arroz não é arroz." É António Madaleno quem o afirma. E com isto quer dizer que o arroz não é todo igual e é preciso aprender a distingui-lo. "É um produto com características próprias. Não fazemos misturas de variedades. O arroz é como o vinho, uma casta do Alentejo não é igual à do Douro." (ler mais aqui)

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publicado às 00:04

Perversão ou decadência?

por Rui Falcão, em 23.06.10

 

Não vos parece perverso, ou mesmo grotesco, que a oliveira, uma árvore longeva e que sobrevive rotineiramente para se transformar numa árvore centenária ou milenar, acabe por morrer de exaustão após dez a quinze anos de serventia num olival superintensivo?

Não estaremos nós a degradar a natureza quando esgotamos uma árvore milenar em pouco mais de uma década?

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publicado às 01:35

Crise? traga o seu vinho

por Miguel Pires, em 22.06.10

 

 

A artigo é do Guardian e chegou-nos através de um leitor. Segundo a edição online deste jornal vários restaurantes ingleses com estrelas Michelin resolveram adoptar uma política de "traga o seu vinho" (BYO) sem qualquer custo adicional, ou por um valor de serviço ínfimo. Sedução, ou desespero?

Ao lermos o artigo verificamos que 'a coisa' tem as suas regras, mas não deixa de ser interessante. Será que um clube como o que é referido no artigo poderá ser replicado por cá (por exemplo pela nossa Rota das Estrelas)?

Fine diners are drinking premier cru wines at plonk prices as a bring-your-own booze revolution gathers pace in Britain's best restaurants. Worried by empty tables as a result of the economic slump, a group of Michelin-starred establishments are letting customers bring their own favourite bottles for no extra charge, or a modest corkage fee, instead of paying often huge mark-ups on the house wine list. (continuar a ler aqui)

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publicado às 19:17

Xô crise!

por Miguel Pires, em 21.06.10

Passa-se uns dias afastado desta mesa e as boas novas não param de acontecer.

 

 

Foto: Chester Higgins Jr./The New York Times

 

Parece que há novaiorquinos em transe com o 'the best chocolate cake in the world', vendido nessa cidade pelo mesmo Carlos Brás Lopes de 'o melhor bolo de chocolate do mundo', de Lisboa. Pelo o que é dado a ler aqui no fórum da menina especiada, há relatos estusiásticos em blogues e até noticias na Time Out New York e no New York Times.

 

Daniel Krieger/Eater

 

Por falar em Nova Iorque, o Aldea do Chefe de descendência portuguesa, George Mendes, faz 1 ano e o site Eater aproveitou para o entrevistar...

"George Mendes spent fifteen years working as a chef in other people's restaurants before opening Aldea last May. The chef’s take on Portuguese food, spiked with a heavy dose of modern technique and bold, fresh flavors, drew raves from critics just a few months after opening and the crowds soon followed" (continuar a ler aqui)

 

 

Por cá, na semana passada, no Palácio de Queluz foi lançado, com pompa, circunstância e profissionalismo, o ambicioso programa Prove Portugal que tem como objectivo "aumentar a visibilidade, reconhecimento e a percepção nacional e internacional" da nossa gastronomia. Aguarda-se pelo plano de acções e pela activação do site em inglês. A versão nacional já está online e merece um 'bookmark'.

 

 

Foto: Assinatura (facebook)

 

Já hoje via facebook fiquei a saber que o restaurante Assinatura do Chefe Henrique Mouro  - cujas obras foram sendo acompanhadas através desta rede social - abre no dia 25 de Junho. No entanto a partir de hoje, 2F, este novo restaurante lisboeta começará a funcionar em soft opening com 50% de desconto no preço do menu - uma excelente ideia que deveria ser imitada. Muito se espera deste talentoso Chefe, disciplo de Aimé Barroyer, que tão boa conta deu no Le Club, em Vila Franca de Xira

 

 

Foto: tirada daqui

 

Por falar em Aimé Barroyer ontem em Vilamoura comi provavelmente uma das ultimas sobremesas feitas por Joaquim de Sousa, aquele que será talvez melhor Chefe pasteleiro português.  Acontece que Joaquim de Sousa vai acompanhar a Barroyer, com quem trabalhou anteriormente no Valle Flor (Pestana Palace, Lisboa), na nova aventura do Oitavos, na Quinta da Marinha, em Cascais. (A propósito: quem fica à frente do Valle Flor? E á intenções por parte do grupo Pestana em manter este restaurante como uma referência gastronómica?)

 

Foto: the Yeatman

 

Também para breve, estará a abertura do hotel The Yeatman, em V.N. Gaia. Esta unidade hoteleira do grupo The Fladgate Partnership contará com um restaurante chefiado por Ricardo Costa, o jovem Chefe português que ostentou uma estrela Michelin na sua passagem pela Casa da Calçada, em Amarante.

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publicado às 01:36

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