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René Rock Star

por Miguel Pires, em 30.09.10

 

Em Maio soubemos aqui que o mago Grant Achatz ia vender bilhetes para o seu novo restaurante. A ideia é engraçada e não deixa de ser original: comprar um bilhete com tudo incluído como se fosse um espectáculo (com bilhetes de temporada como na ópera e tudo). Agora no Crave Sydney Food Festival a presença de René Redzepi é vendida como se de um 'rock star' se tratasse. Uma refeição como um espectáculo e o 'star system' à volta dos chefes  não são fenómenos de hoje, mas não se estará a ir longe demais?

 

P.S. A propósito a apresentação do René Redzepi é hoje. Ainda vão a tempo de apanhar um jatinho e voar até lá. Se calhar um teletransporte é mais rápido

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publicado às 09:17

Restaurante Pedro Lemos

por Miguel Pires, em 29.09.10

Assinatura do Norte (e não só)

 


Ao contrário do que acontece lá fora com certos restaurantes de Chefes famosos, em Portugal não é comum dar o próprio nome a um restaurante contemporâneo, sobretudo quando se trata de um cozinheiro com trinta e poucos anos. Ambição ou pretensiosismo?

O interesse em conhecer este espaço começou pela curiosidade em decifrar o ‘enigma’. Por coincidência (ou não) Pedro Lemos era uma das figuras presentes na Essência do Gourmet, que se realizou no passado fim-de-semana, no Porto. Na zona de restauração, chamou-me à atenção o leitão com laranja e puré de groselhas. Carne suculenta, bem temperada, pele bem tostada e um contraste acídulo diferente dado pela groselha. Servir um prato com esta qualidade num espaço de ‘feira’ era uma boa montra para o restaurante. No dia seguinte, no seu ‘show cooking’, entre a descontracção própria e uma certa atrapalhação por estar perante uma plateia que enchia o auditório, Pedro Lemos foi mostrando e explicando a sua cozinha, preparando vários pratos do mar que integram a sua carta. Uma cozinha com raízes no norte do país, mas mais elaborada do que a simplicidade que o seu autor aparentemente quis transmitir na apresentação - e que também vem expressa na carta: “petiscos, vinhos e guloseimas”, lê-se na capa (uma contradição tendo em conta os títulos de certos pratos como, “...do bísaro a bochecha em vinho tinto guisada, do seu néctar as filhoses com cominhos e canela, do céu o leite creme com louro e limão, os rojões da região”). À noite, já no seu espaço, quis experimentar algumas das propostas apresentadas nessa tarde. O restaurante fica perto da Foz, numa zona interior de ruas apertadas. Casa requintada, de decoração sóbria, dividida em 2 andares (fumadores em cima; não fumadores, em baixo). A carta revela não só a influência de uma cozinha do norte, mas com influencias de outras partes do país, ou mesmo da cozinha internacional. De influência nacional: sardinha assada em broa de Avintes e pescada arrepiada com crosta de bolinho de bacalhau. Do lado mais cosmopolita... meloa com pérolas de tapioca em vinho do Porto, lavagante azul com guacamole e o seu recheio num caneloni de beterraba.

Depois de um amouse bouche sem grande sentido (um pedacinho de salmão fumado e um canónigo) veio a entrada escolhida: linguado enrolado, lagostim, barriga frita (do linguado) e camarões de Espinho. Acompanhava um linguini de legumes em creme de funcho. Conjunto harmonioso, por conjugação de sabores com um agradável contraste de textura (e de sabor) dado pela barriga frita. Como principal, um prato com um naco de lombo de atum grelhado num ponto que agrada (cru no meio), um filete de salmonete acabado no forno, milhos fritos (muito saborosos: cremosos por dentro, estaladiços por fora), percebes e um contraste fresco de beldroegas e rabanetes (dois vegetais hoje pouco usados em saladas e que quebram a monotonia das saladas ‘mesclum’). Muito bom. Para fechar, de sobremesa, um ‘lingote’ de chocolate negro de São Tomé, alperce em sorvete e compota. Doçura e acidez com peso, conta e medida, a colocar um ponto final numa refeição de bom nível.

O jantar foi acompanhado com vinho branco Dona Berta Rabigato 2008, escolhido de uma carta razoavelmente completa e de preços normais. No serviço houve alguma atrapalhação e corrupio em noite de casa cheia, mas sempre com a habitual correcção nortenha.

Pedro Lemos revela pretensiosismo ao dar o seu nome ao restaurante? Nem por isso. Num mercado cheio de nomes foi certamente a forma mais directa de se dar a conhecer. E, mais importante, a sua interessante cozinha.

 

aspecto da sala do piso superior

 

"...o nosso leitão, pele crocante, a carn suculenta, laranja, groselhas e os rebentos da estação" (prato servido no espaço do restaurante na Essência do Gourmet)

 

"...linguado de areia num abraço ao lagostim, a barriguinha frita e os camarões de Espinho, linguini de legumes em creme de funcho"

 

"Chocolate negro de São Tomé em lingote, alperce em sorvete e em compota com alecrim" (nota: tem muito melhor aspecto do que o que a foto quer fazer crer)

 

 

(Preço médio para uma refeição de entrada, prato, sobremesa: 45€/50€, com vinho)

 

Contactos: Rua do Padre Luís Cabral, 974 Porto ; Tel:22 011 59 86; www.pedrolemos.net

 

Texto publicado originalmente no suplemento Outlook do Diário Económico em 25 Setembro 2010

 

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publicado às 10:14

Bistro 100 Maneiras promete sucesso

por Miguel Pires, em 28.09.10

Há duas semanas quando recolhia informação sobre a rentrée, para este artigo do Outlook, recebi a ementa do novo Bistro 100 Maneiras. Queria ter uma ideia do que iria ser feito neste novo espaço e o que o iria distinguir do actual 100 Maneiras. Quando a vi não pude evitar o impropério: "F... só por estupidez ou burrice é que esta m... não vai ser um sucesso".

 

EMENTA BISTRO 100 MANEIRAS

 

 

No picanço

(petiscos)

 

  • Cascas de batata com ervas aromáticas
  • 100MB de bitoque
  • Tarte de foie, morcela, maçã e flor de sabugueiro
  • Burek jugoslavo de queijo fresco e espinafres
  • Atum braseado
  • Bolinhas de bacalhau
  • Farinheira com broa de Avintes
  • Empada de restos caça

 

Para corajosos

 

  • Moleja com cebolas negras
  • Caviar do Irão
  • Coxas de rã, cogumelos e cebola
  • Maranhos como tu gostas
  • Túbaros
  • Passarinhos fritos

 

 

O resto é conversa

(Principais)

 

  • Foie Gras despido
  • Leitão assado, batata frita em gordura de pato
  • Levas com uma solha
  • Marmita de peixe
  • Carré de porco com batata Milfontes
  • Picanha com foie e cebola caramelizada
  • Vieira, palha de alho, espargos

 

 

Top  100

(êxitos do 100 Maneiras)

 

  • Risotto de cogumelos com camarão
  • Grande lata com salmonete
  • Borrego em pistaccio
  • Bochechas e porco preto, puré de aipo, espargos e shitakke

 

 

Final feliz

(sobremesas)

 

  • Crumble de figo com gelado
  • Strudell de maçã
  • 100 MB de leite-creme
  • Frutas gratinadas com champanhe
  • Bolo de chocolate
  • Tarte de limão

 

 

Fora de horas

  • Srpski Cevapi (não, ainda não está a ver ao quadrado, o nome é mesmo assim)
  • Ostras grelhadas
  • Terrina de foie
  • Prego num caco
  • Hambúrger
  • 100 Sande’ de frango

 

 

 

Neste momento o restaurante está em 'soft opening'  com uma ementa reduzida (por compromissos assumidos com o Lisbon Restaurant Week). Depois, segundo Ljubomir Stanisic, pára dois ou três dias para descanso e afinações. Após esta curta pausa retomará para funcionar em pleno.

Tal como a Paulina Mata (aqui) tive oportunidade de provar algumas das propostas...

 

 

 

Burek jugoslavo de queijo fresco e espinafres. Saboroso. Húmido por dentro, estaladiço qb por fora. Uma espécie de caracol salgado (felizmente sem frutas cristalisadas).

 

 

 Empada de restos caça.

  

 

hum... não vou dizer o que é isto. É bom. Na verdade é mesmo muito bom. Faz parte da secção "para corajosos".

 

 

O Bistro 100 Maneiras fica no Largo da Trindade, 9, em Lisboa, no mesmo local onde funcionou anteriormente o Bachus. O telefone é o mesmo do 100 Maneiras da Rua do Teixeira: 910 307 575 / 210 990 475

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publicado às 10:22

On the Road: por este Douro acima (1)

por Miguel Pires, em 27.09.10

Por estes dias a região do Douro está em plena labuta. Onde quer que se vá o tema é sempre o mesmo: vindimas. Parece que o ano não será dos melhores. Os caprichos do tempo fez com que maturação das uvas tenha comportamentos estranhos mesmo num mesmo talhão. Começa-se a vindimar, pára-se e fica-se na expectativa. Recomeça-se com a ameaça de chuva e a queda dos primeiros chuviscos. Volta o sol, pára-se novamente. ‘Reza-se’ para que se mantenha, assim como o calor. Ambos são preciosos para que os cachos ainda verdes, amadureçam. Esta é sem dúvida a época mais agitada na região. Para alem dos locais há quem venha de mais longe. Estudantes de enologia, enólogos e escanções. Vindos de França, dos EUA, do Uruguay. No trabalho mais duro, o da apanha, entre o português ouvem-se línguas do leste europeu. E nos hotéis... portugueses, ingleses, dinamarqueses, alemães, brasileiros e americanos (entre estes um grupo de cicloturistas americanos que se instalaram num dos mais luxuosos hotéis da região, o Aquapura Douro Valley). E nós vamos seguindo viagem por entre encostas e vales cobertos de vinha e um rio que dificilmente nos deixa indiferentes.

 

Mesão Frio, o primeiro contacto visual a sério om o Douro

 

Hotel Aquapura Valley, perto da Régua
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pisa em lagar na Rozès...
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...parece que faz bem às pernas
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Ponte no Pinhão

 

'USA meets Uruguay' na mesa de escolha da Quinta de Nápoles da Nierpoort
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Á espera de boleia após mais dia de trabalho
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vista a partir da Quinta de Nápoles da Niepoort

 

 

Mesa Marcada viajou num Skoda Yeti cedido pela marca.

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publicado às 12:34

Às voltas pelo Bolhão

por Miguel Pires, em 26.09.10

Uma das coisas que mais gosto na Baixa do Porto são as as montras das mercearias e das confeitarias que insistem em resistir ao tempo

 

 

 

 

 

 

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Mesa Marcada viajou num Skoda Yeti cedido pela marca.

 

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publicado às 10:35

Vinhos que me sabem bem (I)

por Duarte Calvão, em 23.09.10

Porto Vintage 2005 da Quinta de Ervamoira, da Ramos Pinto, acompanhando um queijo artesanal de leite de ovelha churra comprado no mercado de Vila Flor e chuva de fim de Verão. Logo eu, que tenho a mania de que só gosto de vintages velhos. Soube bem também com a cachimbada subsequente, mas aí já não aconselho porque fumar mata.

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publicado às 22:04

Essência do Gourmet - o rescaldo

por Miguel Pires, em 22.09.10

 

Decorreu no passado fim de semana a Essência do Gourmet, no Porto. Esta foi a primeira vez que aqui estive desde que o evento se autonomizou em relação à Essência do Vinho (que se realiza em Março). E gostei do que vi. O belíssimo Palácio da Bolsa, que rebenta pelas costuras em Março, torna-se neste evento um espaço muito mais agradável de estar e de circular. No andar de cima, nas galerias, marcaram presença diversos expositores de produtos enquanto que nas salas foram criadas zonas de estar e de alimentação. Estas zonas serviram de apoio aos espaços de degustação que estiveram por conta de alguns dos principais restaurantes de cozinha contemporânea do Porto, como o Góshò, Pedro Lemos, DOP, Buhle ou a Pousada do Freixo. Ainda em cima, no auditório, decorreram as sessões de show cooking em que participaram vários dos principais Chefes nacionais bem como, pela primeira vez neste evento, de um convidado de fora, Xosé Torres Cannas do restaurante Pepe Vieira (1 estrela Michelin), em Sanxexo  (Galiza). Em baixo, no Pátio das Nações, situava-se uma das principais âncoras do evento, as aulas dos Chefes. Aqui foram montadas diversas cozinhas, em espaços demarcados, e em cada um deles foi possível acolher quem se quisesse inscrever.

 

Aula de Vítor Sobral

 

Aula de Paulo Morais

 

 

Show cooking: Dalila e Renato Cunha a fumar cavala na cataplana

 

Show cooking de Pedro Lemos

 

 

 

Show cooking de Xosé Torres Cannas que recorreu apenas ao video (o que não deixou de ser interessante dada a sua experiência nestas andanças)

 

O público não faltou à chamada (audiência do show cooking de Pedro Lemos)

 

 

"cavala fumada em cataplana de tomilho, cebolinhas em alvarinho e caviares de vinagre". O prato da apresentação de Dalila e Renato Cunha

 

leitão prensado com uma geleia de frutos vermelhos(?). Um dos pratos de Pedro Lemos disponiveis na zona dos restaurantes

 

zona de expositores

 

Pontos Positivos:

 

. A organização -  A Essência do Vinho está cada vez mais experiente neste tipo de eventos e por isso é natural que as coisas corram cada vez melhor, quer para quem visita, quer para quem lá trabalha. Mesmo com uma afluência de 9400 visitantes, nos três dias, circulou-se quase sempre bem.

 

.  As aulas: a ideia de ter vários espaços de aulas em simultâneo e em várias sessões, cria uma dinâmica muito interessante permitindo ao visitante acompanhar mais do que um Chefe. Além disso possibilitava uma visão curiosa a quem observa do andar de cima, permitindo ver, por exemplo, quais os Chefes mais populares.

 

. Sponsors. Um evento destes, nomeadamente as aulas dos Chefes, só é viável com a participação de patrocinadores. Talvez fosse mais interessante haver um cabaz de produtos à disposição de cada Chefe, mas aceita-se a formula utilizada, em que cada espaço de aulas tinha o seu patrocinador (e em que se utilizavam os seus produtos). De destacar ainda a postura da Sogrape, que no seu espaço Wine&Tapas (uma extensão do evento, do outro lado do rio, no cais de Gaia) proporcionou, mediante o pagamento de 20€, a prova de alguns dos seus principais vinhos (acompanhados de tapas), incluindo alguns menos acessíveis como o Reserva Especial (Ferreirinha), vários Xerez da Sandeman, Portos de 30 ou 40 anos - do seu portfolio de marcas - , bem como de vinhos das várias partes do mundo onde produzem (Chile, Argentina, e Nova Zelândia).

 

. Show Cookings. Houve uma intenção da organização em ter sangue novo que complementasse a presença de Chefes mais conhecidos e mais batidos nestas andanças. Foi por isso interessante ver as apresentações de nomes como Dalila e Renato Cunha, do restaurante Ferrugem (Famalicão), ou de Pedro Lemos do restaurante com o seu nome, no Porto. Agora só falta investirem um pouco mais nas suas apresentações.

 

Pontos Negativos

 

. Horários: havendo o atractivo de se poder conhecer a cozinha de diversos restaurantes do Porto é de estranhar que o evento fechasse precisamente à hora do jantar (21h). Mesmo a parte Wine&Tapas organizada com a Sogrape fechava às 23h, o que a uma 6F e a um Sábado, não é muito compreensível.

 

. Preços das degustações. Para provar as propostas dos restaurantes presentes era necessário a compra de uma senha de 7€ que dava apenas para uma degustação. Quem quisesse experimentar, três restaurantes, por exemplo, teria que despender 21€, o que é um pouco exagerado. Faltou a opção de ter uma outra senha, de 5€ (como no Peixe em Lisboa) que desse, por exemplo, para uma entrada, ou para uma sobremesa

 

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Mesa Marcada viajou num Skoda Yeti cedido pela marca.

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publicado às 21:00

LRW - detalhes que deveriam ser claros

por Miguel Pires, em 21.09.10

 

 

 

Começa amanhã mais uma edição do Lisbon Restaurant Week (LRW). A cidade agita-se e muitos vêm no evento a possibilidade de fazerem uma refeição por um preço baixo em locais a que de outro modo não teriam acesso. E é aqui que há um equívoco que todos os anos gera polémicas e que noticias como esta, do jornal i, podiam ajudar a esclarecer, mas não o fazem. A noticia refere no inicio que "espaços como o Eleven, o Gemelli e o XL vão preparar um menu low cost, a 20 euros". Só que depois dá uma indicação do preço habitual de cada um dos restaurantes (Eleven:100€; Gemelli: 60€; XL:40€, Panorama:90€, etc...). O problema é que não referem que este não é o valor habitual do menu proposto mas sim, eventualmente (digo eu), o preço médio de uma refeição normal. Também não referem que a maior parte dos restaurantes limita o número de mesas disponível para os aderentes da iniciativa, o que gera sempre equívocos (o mesmo cliente pode conseguir ou não mesa, consoante esteja a marcar para uma refeição normal, ou para o LRW). Um cliente pouco esclarecido sente-se enganado e isso não é bom, nem para os promotores da iniciativa, nem para os restaurantes. De resto, que seja um sucesso.  (Ver lista dos restaurantes aderentes, aqui.)

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publicado às 12:15

Mesa Marcada 'on the road:' Vale d'Algares

por Miguel Pires, em 20.09.10

Às portas de Lisboa (ou quase) encontra-se um dos projectos vinícolas mais interessantes que tenho tido oportunidade de visitar. Trata-se de Vale D’Algares, em Vila Chã de Ourique, perto do Cartaxo. O pretexto da visita foi a Trienal de Vale do Tejo,  em que esculturas e instalações de artistas contemporâneos são integrados num contexto natural, nas casas agrícolas ao longo do rio Tejo, na lezíria Ribateja. Mais interessante do que a exposição do artista Nicolas Boulard (e dada a ausência do trabalho de Joana Vasconcelos, uma desistência de ultima hora) foi mesmo a visita guiada por um espaço contemporâneo pensado de raiz para envolver o visitante. O percurso engloba a visita ao centro de vinificação, sala de provas e caves de estágio (as actuais e as antigas constituídas por tanques de cimento onde eram antigamente guardados os vinhos). A umas centenas de metros da adega encontra-se a quinta que possui centro equestre e uma pequena unidade de turismo de habitação.

 

 

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Em termos de vinhos a Vale D’Algares optou por criar um estilo com um perfil diferente do habitual na região, contribuindo para a introdução de algumas castas pouco vistas por ali, como a Alvarinho ou a Viognier. Os vinhos são comercializados sob a marcas Guarda Rios (branco, rosé e tinto: 6€/8€);  Vale d’Algares Selection (branco/tinto: 8,50€/14,5€), e Vale d’Algares (branco/tinto:20€/25€). Existe ainda uma edição especial denominada “D” e um colheita tardia.

 

Estamos em época de vindimas e por isso uma boa altura para uma visita a esta casa que é um exemplo do bom que se faz por cá em termos vinícolas e de enoturismo.

 

Contactos: Rua Coronel Lopes Mateus, nº 13, Vila Chã de Ourique ; Tel: 243 709 321;

www.valedalgares.com

 

Mesa Marcada viajou num Skoda Yeti cedido pela marca.

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publicado às 15:30

O final de Setembro reúne vários factores passíveis de levar uma pessoa à depressão. É o regresso ao trabalho e, para muitos, à confusão da cidade. Acabam-se as amenidades para quem ficou. Deixamos de ter aquele lugar de estacionamento à porta de casa e de poder circular à vontade, sem pressas.  Ainda há uma temperatura a fazer lembrar o Verão, é certo, mas a noite começa a cair mais cedo até que cortar os pulsos virtual, a mudança da hora, surge rapidamente. Talvez por isso, alguém tenha inventado um anti-depressivo a que foi dado o nome de ‘rentrée’. É então que a cidade passa a ser vibrante e não opressiva e uma série de acontecimentos se anunciam. Os jornais passam a usar e a abusar da palavra rentrée para tudo. Anunciam-se novos livros, concertos das bandas x e y e estreias de filmes com Brads e Angelinas.

E nos restaurantes?

Nos lugares mais populares retornam os clientes habituais para o conforto do mesmo de sempre; enquanto que nos mais sofisticados a atenção volta-se para preparação dos menus da nova estação. Mas a rentrée está muito associada ao conceito de novidade e para os viciados do “e então que novos restaurantes é que há aí?” este momento não poderia ser mais pródigo.

Apesar da crise verifica-se uma vitalidade no meio em termos de aberturas de novos espaços, o que não deixa de surpreender. Não há uma tendência, mas um esforço na procura de um posicionamento próprio, mesmo nos restaurantes de cozinha de autor. Falamos neste artigo de doze - nem todos ainda a funcionar - e destacamos quatro, estes sim, já em plena laboração.

Talvez o acontecimento desta temporada  seja abertura do Ipsylon, no novo hotel The Oitavos, na Quinta da Marinha, em Cascais, que conta com o Chefe Aimé Barroyer ao comando. Barroyer protagonizou a transferência do ano, ao deixar o restaurante Valle Flor, do Pestana Palace (Lisboa) onde esteve desde do inicio e onde efectuou um excelente trabalho, quer em termos criativos – trazendo para a sua cozinha sofisticada uma série de ingredientes tradicionais portugueses caídos em desuso -  quer em termos de formação. Vários Chefes, hoje a dar cartas, nasceram consigo, neste local. Um dos seus discípulos é Henrique Mouro que em Julho abriu o Assinatura, na Rua Vale do Pereiro, junto da Av. Alexandre Herculano, em Lisboa. Uns metros mais à frente, na Rua do Salitre estreou Pedro e o Lobo, um restaurante trendy, de cozinha contemporânea com uma equipa muito jovem na cozinha, mas com rodagem feita por palcos de referência. Depois de no ano passado termos assistido ao aparecimento de sushi alentejano (que por mais absurdo que pareça, até que resulta), foi a vez dos Açores e do Japão se encontrarem à mesa, no Kampai, um projecto muito interessante ali para os lados da Assembleia da República.  Na Av. 24 de Julho, o Maritaca vai continuar com as pizas e outros petiscos do forno a lenha, mas a partir de Novembro serão introduzidas novas propostas, agora que Fausto Airoldi tomou as rédeas depois de deixar o Spot S. Luís e os espaços do Casino de Lisboa. Estes últimos estão agora nas mãos do Grupo Lágrimas, de Miguel Júdice, que se prepara para abrir, no próximo mês, na zona da Estrela, um espaço com um conceito inovador. Vai-se chamar Cantina da Estrela (estará integrado num novo hotel do grupo) e pretende recriar o imaginário das escolas antigas. A cozinha vai ser de base tradicional com um ‘twist’ mais contemporâneo e, no final, o preço será decidido pelo cliente em função da sua satisfação (num país de ‘xicos espertos’, registe-se a ousadia!). Para Março de 2011 Júdice promete a reabertura do Terreiro do Paço, já sem a parceria de Vítor Sobral, que continua feliz da vida, mas não quieto, a gozar o sucesso da Tasca da Esquina, em Campo de Ourique, enquanto finalizam as obras da cervejaria que vai abrir no mesmo bairro. Quem também se prepara para abrir portas (já na próxima semana) é o o ex-jugoslavo mais português de Portugal, Ljubomir Stanisic. E não escolheu qualquer sitio para o fazer. O Bistro 100 Maneiras, assim se chama o espaço, vai tomar o lugar do antigo Bacchus, na Rua da Misericórdia. Aqui Ljubomir vai dar ensejo à sua veia criativa mais petisqueira de inspiração portuguesa, jugoslava, francesa e de “wherever”. Com mais ou menos sofisticação vão existir opções para diversos gostos, mas sem banalidades: clássicos do 100 Maneiras  - que continua a funcionar, no Bairro Alto - como as bochechas de porco ou o salmonete na lata, bem como outros pratos mais substanciais, como o carré de porco com batatas. Vai haver um menu para ‘corajosos’ com molejas, coxas de rã, túbaros, e outros que tais e uma carta para noctívagos (ostras grelhadas, prego do caco, terrina de foie, hamburger...), o que é de aplaudir, tendo em conta o adn nocturno da zona. Com algumas parecenças em termos de perfil gastronómico, mas num ritmo oposto (ou não fosse alentejano) está José Júlio Vintém, que mudou de casa com o seu Tombalobos, mas sem sair de Portalegre. Aqui os peregrinos poderão continuar a apreciar iguarias como o tártaro de coração de boi, ou as pétalas de toucinho, só para citar alguns exemplos da sua cozinha muito particular. Voltando a Cascais, na marina, Igor Martinho, o jovem Cozinheiro do ano (2009), agora sem o turbante, apresenta a sua cozinha no novo Hemingway, depois de ter deixado a Quinta dos Frades do conhecido Chakall. No Porto o fenómeno ‘nova tasca’ - que muito sucesso tem feito a sul – também parece singrar. O ‘Canelas de Coelho’, junto aos Aliados é um novo espaço a juntar-se ao clube. Do outro lado do rio, no restaurante do hotel The Yeatman, em Gaia estreia-se finalmente Ricardo Costa, de quem muito se espera depois da sua saída, no inicio do ano, da Casa da Calçada, em Amarante, onde conquistou uma estrela Michelin e recebeu rasgos elogios de críticos como David Lopes Ramos, do Público.

Os mais optimistas  referem que os maus ciclos económicos são períodos propícios à incubação de ideias e à procura de novas oportunidades. Que a vitalidade da nossa restauração, que se afigura nesta rentrée, seja sinal disso e resulte. Mesmo que um ou outro acabe por ficar para trás.

 

Ipsylon

 

 

 

 

Os pratos já não têm nomes complexos como “o galo de pescoço pelado, seu desfiado cremoso em ouriço de massa de aletria” como numa das cartas de 2003, do Valle Fôr. Aimeé Barroyer já os tinha minimizado nos últimos tempos. Mas agora, em casa nova, os nomes ainda foram mais simplificados. “Foie gras, borras de vintage e marmelo”, “Robalo, percebes e aletria”, “Piano, batata-doce e guimauve” são alguns dos pratos do novo menu. Mantém-se maioritariamente a aposta na matéria-prima nacional, com preponderância para os produtos do mar, o que não é de estranhar, dada a envolvente atlântica onde o hotel se insere. Mas não se admire se chegar e a carta for outra. É que Aimeé Barroyer pretende apresentar um menu diferente todos os dias. Com Aimé volta também a trabalhar Joaquim Sousa, um dos melhores chefes pasteleiros  do nosso país, pelo que recusar a sobremesa não será uma falta menor, mas sim um crime de lesa majestade.

 

Preço por pessoa do menu degustação: 75€ com vinhos, ou 65€ sem vinhos

 

Contactos: Hotel The Oitavos, Rua de Oitavos, Quinta da Marinha, Cascais. Tel:21 486 0020 ; theoitavos.com

 

 

Kampai

 


 

 

Uma conjugação entre Açores e Japão não parece à partida a associação mais evidente. No entanto há (pelo menos) dois elementos preponderantes e comuns a ambos os lugares: o atum e o chá verde. Foi a partir deste conceito original que três empreendedores – um engenheiro agrónomo, um produtor artístico e um mestre de sushi (com um passado ligado ao Aya)- se associaram para criar o Kampai. A partir da essência da cozinha japonesa (para alem de vários tipos de sashimi e de sushi) apresentam-se, pratos com matéria prima essencialmente dos Açores – alem do atum e o chá  - como o goraz, o lírio ou a lula gigante; ou ainda, o ananás e licores como o de maracujá.

 

Preço médio sem bebidas : €20/€25

 

Contactos: Calçada da Estrela, 35-37, Lisboa (junto à Assembleia da reública); Tel: 213 971 214 ; reservas@kampai.pt

 

 

Assinatura

 

 

 

 

Henrique Mouro é um dos mais talentosos e Chefes portugueses. Saído da escola de Aimeé Barroyer, Henrique ganhou adeptos no Le Club, em Vila Franca de Xira. Em Julho, de volta a Lisboa, abriu o Assinatura onde desenvolve agora as suas propostas arrojadas, com bases na cozinha e em produtos, portugueses. A apresentação é sofisticada, com diversos elementos no prato e algumas ligações aparentemente estranhas, mas que em geral funcionam bem - chegando por vezes a atingir o sublime. Experimente-se o aveludado de galinha, favo de mel e amêndoa ou o lombo de borrego, figos, uvas e especiarias.

 

Preço médio: 25€ ao almoço; 40€ ao jantar

 

Contactos: Rua do Vale Pereiro, Nº 19  (na esquina com a Alexandre Herculano, Nº 51);  Tel: 21 386 76 96; www.assinatura.com.pt


 

Pedro e o Lobo

 


 

 

Diogo Noronha e Nuno Bergonse têm 26 e 23 anos e encontraram-se no Moo, em Barcelona, o restaurante supervisionado pelos conhecidos irmãos Roca. Diogo já tinha passado pelo Per Se (de Thomas Keller, em Nova Yorque) e Nuno, pelo Ritz e Eleven (Lisboa). Juntaram-se ao Arquitecto Luis Baptista e,  no espaço onde anteriormente funcionou uma galeria de arte com o mesmo nome e o atelier/loja da estilista Lidija kolovrat, abriram em Agosto um dos restaurantes mais belos de Lisboa. Linhas depuradas. Influências nórdicas, muita madeira, cimento, aço e mobiliário vintage. A cozinha é naturalmente contemporânea, em versão ‘sem grandes complicações’. Do actual menu de degustação há ideias ainda a necessitar de afinação e outras que já funcionam muito bem, como a quinoa, com abacate e lulinhas salteadas.

 

Preço médio: 18€/22€ ao almoço; 40€ ao jantar

 

Contactos: Rua do Salitre, 169, Lisboa; Tel: 211 933 719; www.pedroeolobo.pt

 

 

Adaptação do texto publicado originalmente no suplemento Outlook do Diário Económico em 18 Setembro 2010

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