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O skrei chegou aos mercados portugueses

por Duarte Calvão, em 13.02.12

 

Lá estava ele no sábado numa das bancas de Açucena Veloso no Mercado 31 de Janeiro (Saldanha), sem cabeça mas com o selo que o identificava como peixe DOC. Conforme o que me tinham dito durante a semana na Residência do Embaixador da Noruega em Lisboa, custava 10 euros/kg. Foi nessa ocasião que o embaixador norueguês anunciou a abertura da época de pesca do skrei, que até Abril vai desovar às costas do norte do país e que, prosseguindo uma tradição que vem desde os vikings do século X, é capturado por pequenos barcos que enfrentam ventos gelados e um mar inóspito por causa de um peixe que eles consideram uma iguaria sem rival. É imediatamente eviscerado e tem que ser posto em embalagem, refrigerada, num prazo máximo de 12 horas.

O skrei é simplesmente o nosso conhecido bacalhau (gadus morhua), mas fresco e de uma espécie que nesta época do ano desce do Árctico para as costas norueguesas (sobretudo das ilhas Lofoten), onde nasceu, para desovar. Nadando entre 20 km a 40 km diários, com uma alimentação mais variada, a carne do skrei fica muito mais firme do que a dos seus irmãos sedentários, que preguiçam pelas costas dos mares do norte. Do total das 300 mil toneladas de bacalhau que constituem a quota anual da Noruega, só cerca de 20% corresponde ao atlético skrei.

 

 

Há que admitir que é preciso ter coragem não só para pescar o skrei, mas também para comercializá-lo em Portugal, país de costas ricas em peixe fresco ao longo de todo o ano e onde bacalhau é sinónimo de cura com sal. No entanto, os números divulgados pela Norge – Bacalhau da Noruega mostram que há um crescente interesse pelo peixe (não tanto, porém, como noutros países europeus, nomeadamente a França), que passou das 25 toneladas vendidas em 2009 para as 1970 toneladas no ano passado. Até agora, a comercialização estava reservada para a restauração, mas este ano, além do mercado do Saldanha, também se encontra skrei à venda no de Alvalade (Lisboa) no de Matosinhos, de Setúbal, de Peniche e da Lourinhã.

Na Residência do Embaixador, coube a Fausto Airoldi mostrar o que vale o skrei, em receitas de inspiração portuguesa. Foi um “almoço volante”, mas muito bem feito, que deu para matar saudades da óptima cozinha deste chefe, agora um pouco escondida no Spot São Luiz. O almoço começou com o prato de que gostei mais, uma canja de skrei com aromas do Alentejo (coentros, tomate-cereja assado e gema de ovo a baixa temperatura, num saborosíssimo caldo feito só com as espinhas do peixe, que, como se queixou o chefe, lhe chegou sem cabeça…). Seguiu-se uma salada de skrei à algarvia com azedas (pimentos, tomate, cenoura, pão, rúcula e agrião), muito agradável na frescura dos ingredientes e na sua perfeita combinação, inclusive nas texturas. Depois, um strudel de skrei com alho-francês e cremoso de queijo da Serra, que apreciei menos, já que não consigo gostar de ligações de queijo com bacalhau (mesmo fresco, como descobri), mas que vi ser louvado por vários comensais. Vieram ainda dois pratos onde a tal firmeza da carne branca do peixe, a lascar, ficou bem evidenciada, com skrei escalfado em azeite, com espuma de batata, mel e amêndoas torradas, e skrei corado com xerém de camarão e coentros. No fim, a sobremesa não levava skrei, mas estava bem boa: banana assada com mel e canela, com mousse de Baileys e chantilly.

 

 

Ficou-me a impressão de que o skrei em Portugal é, de facto, mais uma opção para a restauração e para alguns gastrónomos mais interessados em experimentar produtos diferentes. Para o meu palato português, apesar da textura lembrar a do nosso bacalhau, fica sempre a faltar sal. Sei que há chefes que fazem a sua própria cura de sal com este peixe, o que é uma opção a ter em conta. Que venha portanto o skrei, que tem o belo atributo de ser oriundo de pesca sustentável, é saudável e relativamente barato , ou seja, que é como aqueles jogadores de futebol recém-contratados, que dizem que não vêm tirar o lugar a ninguém na equipa, só vêm “acrescentar”.

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publicado às 18:23

Os Melhores de 2011 da Revista de Vinhos

por Miguel Pires, em 13.02.12

 Pedro Lemos (Restaurante do ano) e Susana Estebán (enóloga do ano) 

 

Na passada sexta feira, a Revista de Vinhos distinguiu os melhores de 2011 em cerimónia que decorreu no Campo Pequeno, em Lisboa. Como em anos anteriores a sala encheu-se para assistir à divulgação e entrega de prémios dos melhores vinhos portugueses,  personalidades, empresas e instituições ligadas ao mundo do vinho e também da gastronomia, num jantar servido por Vítor Sobral (e que contou com participação das Chefs brasileiras Ana Luiza Trajano e Bella Mansano). Abaixo deixo a lista dos  premiados da noite, retirada do site da Revista de Vinhos e cuja descrição pormenorizada vem publicada na edição de Fevereiro da revista 

 

 

PRODUTOR REVELAÇÃO DO ANO
Quinta dos Frades

PRODUTOR DO ANO
Álvaro Castro

COOPERATIVA DO ANO
Adega Cooperativa de Cantanhede

EMPRESA DO ANO
Duorum Vinhos

EMPRESA DO ANO (VINHOS GENEROSOS)
Quinta do Noval

ENÓLOGO DO ANO
Susana Esteban

ENÓLOGO DO ANO (VINHOS GENEROSOS)
Francisco Albuquerque

VITICULTURA DO ANO
Symington Family Estates

ORGANIZAÇÃO DO ANO
Comissão Vitivinícola Regional do Tejo

ENOTURISMO DO ANO
Caves Sandeman

GARRAFEIRA DO ANO
Garrafeira Tio Pepe

LOJA GOURMET DO ANO
Tasca do Joel Gourmet

RESTAURANTE DO ANO
Restaurante Pedro Lemos

RESTAURANTE DO ANO (COZINHA TRADICIONAL)
A Escola

ESCANÇÃO DO ANO
Ricardo Morais

PRÉMIO DE GASTRONOMIA “DAVID LOPES RAMOS”
Rui Paula Cardoso

SENHOR DO VINHO
Carlos Ferreira

 

CAMPANHA PUBLICITÁRIA DO ANO
Herdade da Malhadinha Nova

 

 

 

PRÉMIOS DE EXCELÊNCIA

 

Murganheira Millésime Távora Varosa Espumante branco 2004
Vértice Douro Espumante Millésime 2007
Quinta do Crasto Maria Teresa Douro tinto 2009
Quinta da Gaivosa Douro tinto 2008
Duorum Vinhas Velhas Douro Reserva tinto 2009
Quinta do Vale Meão Douro tinto 2009
Poeira Douro tinto 2009
Quinta da Touriga-Chã Douro tinto 2008
Batuta Douro tinto 2009
La Rosa Douro Reserva tinto 2009
Passadouro Douro Reserva tinto 2009
Antónia Adelaide Ferreira Douro tinto 2008
Pintas Douro tinto 2009
Carrocel Dão tinto 2008
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador Dão branco 2010
Primus Dão branco 2010
Quinta das Bágeiras Bairrada Garrafeira branco 2009
Scala Coeli Reg. Alentejano tinto 2009 
Cortes de Cima Reg. Alentejano Reserva tinto 2008
Esporão Private Selection Alentejo tinto 2008 
Solar dos Lobos Reg. Alentejano Grande Escolha tinto 2009 
Blog Reg. Alentejano tinto 2009
Mouchão Reg. Alentejano tinto 2006
Taylor’s Vargellas Vinha Velha Vinho do Porto Vintage 2009
Fonseca Vinho do Porto Vintage 2009
Quinta do Vesúvio Vinho do Porto Vintage 2009
Dow’s Quinta Senhora da Ribeira Vinho do Porto Vintage 2009
José Maria da Fonseca Setúbal Moscatel Roxo 20 Anos
Bacalhôa Moscatel de Setúbal Roxo 2000
Blandys Madeira Frasqueira Sercial 1966

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publicado às 01:28


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