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Eu hoje só queria fazer tricot...

por Paulina Mata, em 16.03.12

Duas semanas de aulas que são dadas em bloco. Quatro horas por dia. Muitas horas a falar sobre comida (não posso deixar de pensar que sou uma privilegiada: pagarem-me para isso - apesar de muito menos do que há dois anos… que o patrão não saiba… mas eu até o fazia de borla se pudesse). Muitas mais horas a pensar em comida, a ler sobre comida e a sua ciência (um pouco irracional… mas começar uma cadeira, mesmo quando já a dei vários anos, deixa-me sempre muito nervosa, um nervoso que só acalma com muitas horas de preparação…). Algumas visitas de estudo, parte delas à volta de uma mesa… Foi bom, mas estou exausta! Cheguei a casa e decidi que hoje só pegava no tricot e não queria saber mais de comida…

 

Mas chega a hora do jantar… vou ao congelador espreitar o que há. Umas doses de Aji de Gallina.  Quando faço, faço logo um frango inteiro. Dá para guardar várias doses. É saboroso, é cremoso, é exótico, eu adoro aquilo!

 

 

Sento-me… e revejo muitos jantares num restaurante de Lisboa que contribuiu muito para me abrir os horizontes – a Casa de Pasto Flor da Castilho. Muitas vezes comi a Galinha de Lima, com que sonhei durante anos, depois de ter fechado. Que descobri um dia ser um prato peruano que se chamava Aji de Gallina, e que mais tarde descobri também no livro do Jorge Vale “4 Estações na Casa da Comida”. E fico ali, de tricot na mão, mas elas não se mexem… fico a pensar no espaço do restaurantes, na empada de aves, num empadão de arroz recheado com uma carne estufada e desfiada de que eu não sei o nome, nem a receita… mas gostava! Vou buscar o livro do Jorge Vale para ver se encontro a receita… parece que não.

 

Na Flor da Castilho a Galinha de Lima era servida com arroz branco, mas disseram-me que tradicionalmente o Aji de Gallina é servido com batata cozida e ovo cozido. É assim que vou comer, mas com batata “assada” no micro-ondas. A energia não dá para mais e eu gosto delas, ficam mais secas, com um sabor mais forte.

 

Ponho o ovo a cozer. Lembro-me que a minha filha me mandou há tempos um link para a  Uncyclopedia com uma brincadeira sobre ovos cozidos, sobre a forma como as mais famosas estrelas dos programas de cozinha da TV em Inglaterra ensinariam a cozer ovos. Não é tarefa simples… ”Não sei nem cozer um ovo…” era assim que começava  o primeiro artigo que escrevi para o Boa Vida do DN em 2004, a primeira coisa que escrevi sobre comida num jornal…

 

 

Enquanto os ovos cozem, leio "HowTo: Boil an egg" na Uncyclopedia, estava há que tempos à espera de oportunidade. Uma boa sessão de riso depois volto ao ovo. Não sei se está perfeito.. mas soube bem o jantar!

 

Com um chá na mão, mais recordações e emoções, e sobretudo mais leituras do que queria hoje, volto para a sala. Antes de me sentar uma espreitadela ao Mesa Marcada. Perdida por cem… perdida por mil… há que tempos que não escrevo… saíram, assim de enxurrada, estas linhas. Um pouco confusas, acho, mas hoje estou assim…

 

É hora de me dedicar mesmo ao tricot!

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