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#chegadehambúrgueres, lê-se na sobrecapa do livro de receitas de sanduíches de Hugo Nascimento, lançado ontem na Tasca da Esquina, em Lisboa. Num mundo ideal, um bocadinho mais sofisticado, esta poderia ser uma óptima capa principal para o livro, mas provavelmente alguém teve receio que a mensagem ficasse por descodificar e deu-lhe uma capa mais evidente e um título mais directo: "O Livro das Sanduíches".

 

O Hugo Nascimento é um chefe talentoso que só não é mais conhecido porque nunca deu o último passo. Há 20 anos que trabalha com Vítor Sobral, sendo há muito tempo seu sócio e braço direito. "Por vezes, as capacidades técnicas, criativas e humanas do Hugo nem sempre lhe são reconhecidas individualmente, mas sim ao grupo de que faz parte", escreve Vítor Sobral no prefácio do livro. Porém, Hugo Nascimento parece-me tranquilo com o seu lugar e não é por falta de talento ou personalidade que ainda não deu o salto, como pudemos ver no jantar dos 'abaunilhados' que a Paulina Mata aqui bem descreveu. 

Regressando ao livro e ao falso título, que funciona como teaser. #chegadehambúrgueres, mais do que um protesto em relação à moda das rodelas de carne picada, o hashtag pretende ser uma provocação de alguém que quer ir contra a corrente. Apesar de enraizada e até mesmo banalizada na nossa cultura, segundo o autor, o tema sanduíche estava por explorar em termos editoriais, no mercado nacional. Vai daí surge então este livro bem apresentado e ainda melhor fotografado, por Nicolas Lemonnier.

 

A obra reúne 50 receitas - todas com direito a uma breve explicação e uma ou outra dica - e está dividida em 3 partes, que correspondem a 3 tipos de sanduíches: simples ("para aqueles que não gostam de cozinhar, mas gostam de comer"), Sofisticadas ("para quem gosta de arriscar e descobrir a arte da cozinha" e Clássicas ("que marcam presença nos convívios entre amigos"). Numas e noutras explora-se o pão em sentido lato, ou seja: da baguete à francesa, ao pão alentejano, passando pelo wrap, bolo do caco ou o pão de forma - em versão aberta (fatia recheada) ou fechada (recheio entre duas fatias). 

 

O que gostei neste livro do chefe Hugo Nascimento é que mesmo quando simples as receitas nunca são simplórias. Por exemplo há uma sanduíche de sardinha em conserva (com cebola roxa e iogurte), mas também há outra em que ensina a fazer conserva caseira de atum. Por outro lado, o Hugo também sabe que há sempre um cromo (como eu) que vai querer fazer a mais complicada que houver e, por isso, inclui no seu livro uma de cabeça de xara ("de confecção simples, mas demorada") que implica fazer uma terrina com meia cabeça de porco. De igual modo, existe ainda uma outra, de pato confitado, em que embora o chefe diga que se "pode sempre recorrer a produtos pré-preparados", aconselha a fazer a receita de base, já que as 4 a 6 horas de cozedura "compensa pelo resultado final". 

 

Neste conjunto de receitas há influências e inspirações de todo lado: da sanduíche de mortadela do "Mercadão" de São Paulo, à de gravlax dos nórdicos ou à de omelete enrolada dos japoneses. Contudo, como seria de esperar, a maior parte remete para a cultura portuguesa e para memórias de infância, como a sanduíche de marmelada com manteiga, um must para quem já foi criança (e não só). Ah! e entre as 50 receitas #háumhamburger, o tuna burger.  

 

 

"O Livro das Sanduíches", de Hugo Nascimento, Oficina do Livro ; 180 páginas; Preço de capa: 16,60€ 

 

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publicado às 08:15


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